terça-feira, 30 de junho de 2026

ANTONIO JOSÉ DA SILVA, O JUDEU: OS ENCANTOS DE MEDEIA

Voltando a publicar, como prometido, sobre as obras e a vida do teatrólogo fluminense, morto pela Inquisição, Antônio José da Silva, conhecido como "O Judeu". Desta feita, falaremos sobre sua obra Os Encantos de Medeia, escrito em 1735. Diferentemente da tragédia de Eurípedes, Os Encantos de Medeia é um texto cômico, classificado como uma ópera estilo joco-séria. Realmente, ao ler o texto com pouco mais de 80 páginas, imagino o gênio criativo e sarcástico de Antônio José da Silva. A obra é dividida em 2 partes. Mas, diferentemente do que acontece com a tragédia de Eurípedes, em Os Encantos de Medeia, Jasão acaba recompensado no final com o amor de Creusa, mesmo tendo ludibriado e engano Medeia para que está traísse o próprio pai e entregasse a Jasão o velocino de ouro. Embora tenha sofrido um estelionato amoroso e tente reparar seu dano, ao final conseguindo parar Jasão em sua fuga para Tessália juntamente com Creusa, e assim, restituir o velocino de ouro ao Rei de Cólquida (região da atual Geórgia), pai de Medeia, o Rei não perdoa a filha. Acaba, por punição à deslealdade da filha, entregando o velocino de ouro como presente de casamento à Creusa e Jasão. Como castigo a Medeia, tranca numa torre. A feiticeira Medeia não tem filhos para matar, como na vingança de Eurípedes, porque não chega nem a ser desposada por Jasão. Confesso, que me decepcionei com o final. A Medeia de Eurípedes é símbolo da perversão da ordem patriarcal. Diferente da tragédia de Eurípedes, em Os Encantos de Medeia, ela é punida, mesmo tendo tentado reparar o erro perante o pai, que a bem da verdade, poderia tê-la matado como punição, mas também não decide por esse fim. Jasão, mesmo continuando, em ambos os textos, ludibriando o afeto de Medeia, tem um final feliz com a filha de Creonte. Embora, eu tenha achado muito engraçada a escrita de Antônio José da Silva, confesso que prefiro a outra Medeia. Laura Berquó

Nenhum comentário:

Postar um comentário