sexta-feira, 31 de julho de 2026
OS EUA E AS ELEIÇÕES NO BRASIL
Prezad@s,
Os EUA fizeram, por meio de um de seus Consulados, uma reunião com influencers para a campanha de Flãvio Bolsonaro. O pretexto e vigiar se haverá desrespeito à liberdade de expressão. Renho a impressão que estamos vivendo novamente os anos 60, mas sob vigilância algoritmica.
Quando os próprios cidadãos são usados dessa forma, estanos dinte de um comportamento que promove o fascismo, pois os elementos senpre são: vigilância e chauvinismo.
Laura Berquó
quinta-feira, 30 de julho de 2026
DIA DOS AVÓS
Domingo foi Dia dod Avós.
Meu avô paterno morreu jovem. Era desenhista.
O que desenhas para mim de onde estás?
Seu rosto foi feito à mão.
Resolução melhorada no Dola.
E VOCÊ ESTÁ ONDE?
Em 1 ano eu publiquei 2 livros 📕 📔 e passei no Doutorado. Fui reconhecida por colegas para representá-los em Conselhos Gestores. E você que me destratou para provar da sua subserviência a terceiros está onde mesmo? Porque eu fui e voltei e encontrei as mesmas figurinhas no lugar em que eu deixei e como deixei. Entendeu a nossa diferença?
ORÁCULO DAS CARTAS: VERA SIBILLA
Iniciando essa série sobre cartas como oráculos, trago a Vera Sibilla, oráculo italiano do seculo XIX, utilizado por cartomantes e cortesãs. Os oráculos em forma de cartas são mais recente na história da humanidade. Geralmente, cartomantes trazem Pombagiras Ciganas como protetoras, como é o meu caso. O Vera Sibilla é um orácuko de energia muito densa. Por isso, manuseio pouquíssimas vezes, geralmente só no início do ano ou em situações urgentes que precisem de um esclarecimento sobre situações mais preocupantes.Este oráculo eu consagrei a uma Pombagira que foi cortesã italiana.
Laura Berquó
GUERRA DE PELANCAS
"A Pombagira gargalhou, mas não sorriu". Pombagira diz que o que é feminino é do domínio dela, ainda que fútil. Ela também reside com sua energia na languidez, na vaidade superficial, na amoralidade. Viva a Guerra de Pelancas, esse vil aspecto do feio, do antissocial, do vulgar e do baixo nível que acomete mulheres de todas as idades e posições. Atestado de empoderamento feminino, ainda que baixo e vil, ao mobilizar estruturas para uma simples Guerra de Pelancas. É. Porque nem tudo é bonito mesmo, não. Liberem suas sombras. E para você que se acha sabido e não é, porque um macho covarde metido a esperto, como todo esperto um dia vai almoçar, mas não vai jantar, tem um ponto de Pombagira para machos assim: "Você ainda vai bater no meu portão, a toda hora implorando meu perdão, mas não posso te dar de coração, ô Moço, porque mulher tem que ter opinião".
Laura Berquó
PROJETO: LIVRO DE DIREITOS HUMANOS
Estamos organizando, com outros colegas, uma obra coletiva de Direitos Humanos. O projeto ja conta com 33 integrantes, sendo 32 da área jurídica e 01 da área de filosofia do ensino. Previsão para dezembro de 2026.
Laura Berquó
TBT FORMATURA 2001
O TBT de hoje é da minha formatura no Curso de Direito pela UNIPE em dezembro de 2001 aos 22 anos. Minha turma:
ELEIÇÕES ADUFPB: 61,3% DOS VOTOS PARA CHAPA 2 DDD
"*Saudações de Luta!* ✊🏽
☀️HOJE, a *Chapa 2 - Docência, Diversidade e Democracia* agradece às/aos DOCENTES que participaram do processo democrático de escolha para a *Nova Gestão ADUFPB* (Gestão 2026-2028) na *Universidade Federal da Paraíba*.
_Nossos agradecimentos!_
_“É preciso estar atento e forte!”_"
ELEIÇÕES ADUFPB: VITÓRIA CHAPA 2 DDD
Vitória da Chapa 2 DDD. A eleição ocorreu no dia 29 de agosto de 2026 em todos os Campi da UFPB. Em breve trarenos mais informações sobre a apuração!
Laura Berquó
terça-feira, 28 de julho de 2026
NÃO SE DISTRAIA COM DIFAMAÇÕES
NÃO SE DISTRAIA COM DIFAMAÇÕES
Atualmente, está acontecendo o que aconteceu há uns 20 anos. Há 20 anos, eu estava no início da minha vida profissional, criando hobbies saudáveis, podendo estar menos presente no convívio com uma figura que não fazia bem à minha saúde mental e autoestima. Pela inexperiência, em uns dois anos, eu me deixei atingir e me envenenar com falsidades, difamações de duas criaturas, sendo uma delas até então minha amiga, estava me distraindo com as difamações promovidas por pessoas ligadas a um sujeito que depois promoveu uma grande perseguição. Eu reagi a todas essas violências e ainda, para quem não conhecia a raiz do problema, eu fiquei como realmente a errada e problemática da história. Há uma verdade nisso. Que as minhas reações são desproporcionais. Não que violências devam ser minimizadas, mas porque hoje vejo a insignificância dessas pessoas de perto. É fato que ninguém dá o que não tem. E provavelmente, se eu tivesse deixado para lá, hoje ninguém lembraria das difamações. Quando somos jovens e sem uma base emocional saudável, precisamos reagir para darmos provas a nós mesmos que não somos o llixo emocional que nos dào. Hoje eu tenho a senhoridade de saber que não tenho o que me provar. Nesse meio-tempo, tive a grande oportunidade de recomeçar e mais uma vez me distrai com gente que não tem paz, nem a nossa coragem, e nos empurra para problemas. Eu estava descansada e focando em mim. Aí, eu me distraí de novo. Surgiu a terceira oportunidade nesse momento. Novas coisas chegando. Passei a focar em mim, iniciando meu Doutorado, investindo nos estudos e nas minhas pesquisas, porque realmente é o que me traz equilíbrio. Esse ano publiquei dois livros e em agosto publicarei meu terceiro. Para tentarem me "distrair", algumas mulheres, e sempre tem um cara, mas dessa vez eles estão muito subalternizados em relação a essas senhoras, estão a dizer por aí que sou "louca", "descontrolada", sendo elas o típico exemplo de arrogância no trato. Posso ser sincera? Podem dizer o que quiserem, porque aprendi que a maior frustração para mulheres assim é não poderem dizer que a outra é burra e feia. Fiquem com a amargura de vocês. Não vou me distrair dessa vez, nem dar prova de nada. Esse é o verdadeiro desprezo. Quem quiser acreditar em quem não tem o que dizer de bom de mim, fique à vontade. Quem quiser estar perto de mim, também fique à vontade.
Laura Berquó
PREVISÃO SEMANAL: BARALHO LENORMAND
Primeira Opção: Sol, Raposa e Pássaros: esclarecimentos e tomada de conhecimento de fofocas. Pede cautela em conversas.
Segunda Opção: Árvore, Estrela e Chave: paz, cura espiritual, soluções como fruto da espiritualidade.
Laura Berquó
segunda-feira, 27 de julho de 2026
A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA ATACA MAIS UMA VEZ
Estava eu, vendo meu Instagram, e uma figura que nunca vi pessoalmente, somente conversei virtualmente há uns 10 anos, resolveu vim com ameaças e exigindo meu número, porque há uns 10 anos teve um namorado estelionatário preso e cismou que eu havia denunciado, porque eu era Conselheira de Direitos Humanos e todos nós somos esquerdistas e comunistas, etc, etc. Uma paranoia, porque eu não tinha como, nem interesse em denunciar ninguém. O cara era um golpista que tirou dinheiro de mulheres mais velhas, sendo ela bem mais velha que ele também. Metida à Senhora de Engenho, sustentava ser dona de uma terra reconhecida como Quilombo na Paraíba.
Gente, a mulheridade branca burguesa tem esse narcisismo de achar que todos realmente vivem em função ou cria dramas imaginários em que todos são coadjuvantes ou plateia. Eu tenho mais o que fazer. Eu vivo do que trabalho. Não tenho tempo para empreendimentos mal sucedidos, porque quero, sem talento, ser a patroa. Menos ok? Mas, eu vou tomar providências se continuar com esse stalker.
Laura Berquó
MEU TERCEIRO LIVRO: QUESTÕES ÉTNICO-JURÍDICAS DA ATUALIDADE
Lançamento para Agosto de 2026.
Será meu terceiro livro 📕 📔 📕
Somente questões étnico-Jurídicas: "racismo-reverso" em debate, utilizando como justificativa para sua inexistência o pensamento de Frantz Fanon; Comunidades tradicionais de terreiro; PDLs contra o direito congênito dos povos étnicos às terras indígenas; branquitude e imigração para a Europa dos "novos europeus" e a xenofobia e racismo; feminismo decolonial e crítica ao projeto inicial da Reforma Trabalhista.
Cordialmente,
Laura Berquó
VOTE DDD CHAPA 2 PARA A ADUFPB
"**Saudações de luta*,
colega docente!* 🌹
Passando para confirmar o *vosso apoio e voto* para a *Chapa 2* - *Docência- Diversidade e Democracia*, nesta próxima *quarta feira (dia 29/7)*. AS eleições ocorrerão nos quatro Campi da UFPB.
Haverá urna em todos os Centros de Ensino, nos turnos *manhã, tarde e noite*.
👁️🗨️ o *VOTO é presencial!*
O seu *voto é fundamental*!
🗳️ Você, *docente filiado/ filiada*, deverá se dirigir à *urna no Centro de Ensino* em que está vinculado/ ou vinculada.
📲Contamos com a sua *presença, apoio e participação* nas eleições para escolha da nova **Gestão ADUFPB*
(Gestão 2026-2028)*
*Somos CHAPA 2!*
✊🏽✊🏽
🌻
🗳️Haverá urna na *sede principal da ADUFPB* (no Centro de Vivências) para a votação de ‼️ *docentes em trânsito* e *docentes vinculados/trabalham na Reitoria*.
*Somos Chapa 2*!✊🏽
*Docência, Diversidade e Democracia!*"
quinta-feira, 23 de julho de 2026
TBT PRÊMIO VALORES DA COMUNIDADE 2018
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| Foto: Andreya Tavares |
PRÊMIO VALORES DA COMUNIDADE 2018.
IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS.
Quero agradecer a todas as estacas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em João Pessoa, pela indicação do meu nome e premiação na edição de 2018 do PRÊMIO VALORES COMUNITÁRIOS, na categoria VALORES DA FÉ pela minha militância como advogada em prol do respeito à diversidade religiosa. A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS no dia 22.09.2018, tirou um dia, no mundo inteiro, para reconhecer e homenagear pessoas na comunidade pelo trabalho que realizam em favor do próximo, independentemente de religião, tomando como critério os serviços prestados à comunidade local. No mundo em que vivemos marcado pela intolerância, a IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS faz a sua parte dialogando com os mais diversos setores da sociedade e reconhecendo-lhe o devido mérito e é por isso que passo a citar os nomes dos demais premiados: Igreja Cidade Viva, Projeto Social Mãos Amigas, CMÃE Mediação e Apoio Escolar, Faculdades Nova Esperança, Associação Donos do Amanhã e CAEHH - Centro de Atividades Especiais Helena Holanda. Muito obrigada à IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS pelo carinho.
IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS.
Quero agradecer a todas as estacas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em João Pessoa, pela indicação do meu nome e premiação na edição de 2018 do PRÊMIO VALORES COMUNITÁRIOS, na categoria VALORES DA FÉ pela minha militância como advogada em prol do respeito à diversidade religiosa. A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS no dia 22.09.2018, tirou um dia, no mundo inteiro, para reconhecer e homenagear pessoas na comunidade pelo trabalho que realizam em favor do próximo, independentemente de religião, tomando como critério os serviços prestados à comunidade local. No mundo em que vivemos marcado pela intolerância, a IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS faz a sua parte dialogando com os mais diversos setores da sociedade e reconhecendo-lhe o devido mérito e é por isso que passo a citar os nomes dos demais premiados: Igreja Cidade Viva, Projeto Social Mãos Amigas, CMÃE Mediação e Apoio Escolar, Faculdades Nova Esperança, Associação Donos do Amanhã e CAEHH - Centro de Atividades Especiais Helena Holanda. Muito obrigada à IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS pelo carinho.
Cordialmente,
Laura
SOBRE A APROVAÇÃO NO DOUTORADO EM ESTUDOS GLOBAIS
Aprovação no Doutorado em Estudos Globais na Universidade Aberta (Portugal).
Ano escolar inicia em outubro de 2026
Em breve, o que são Estudos Globais?
Lista definitiva dos aprovados.
https://guiadoscursos.uab.pt/wp-content/uploads/2026/07/DEG_Lista-definitiva-de-candidatos_h_2026_2027.pdf
CCAE/UFPB: I SEMINÁRIO DIVERSIDADES E DIREITOS HUMANOS
"
🏳️⚧️✊🏿🏳️🌈 O CCAE/UFPB realiza, no dia 24 de julho, o I Seminário Diversidades e Direitos Humanos, promovendo um espaço de diálogo sobre inclusão, cidadania, justiça social e defesa dos direitos humanos.
📍 09h | Auditório do CCAE – Rio Tinto
A mesa-redonda "A luta pelos Direitos Humanos das/para Pessoas Trans" contará com a participação das integrantes do Cine Trava/UFPB Profa. Dra. Luciana Ribeiro, Gabi Benvenutty, Senna Omí Rodrigues e Jota Joana Isnard, que discutirão direitos da população trans, acesso e permanência na universidade, extensão universitária e políticas de ações afirmativas.
📍 19h30 | Auditório do CCAE – Mamanguape
A mesa-redonda "Violações dos Direitos Humanos no Brasil do Tempo Presente" terá como convidados a Profa. Dra. Glória Rabay, com a palestra "Quando o gênero mata: direitos humanos, violência e feminicídio", e o Prof. Dr. Antônio Elíbio, que abordará o tema "Ser LGBTQIAPN+ no Brasil fascistizado".
Na sequência, o professor Cleber Ferreira Silva, presidente do MEL e secretário do Fórum Paraibano LGBTQIAPN+, ministrará a palestra "Controle Social, Ativismos para as Pessoas LGBTQIAPN+ e Cidadania (Universitária e na Sociedade)".
📝 As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pelo SIGEventos da UFPB.
Participe deste importante momento de reflexão, troca de experiências e fortalecimento da defesa dos direitos humanos.
#CCAE #UFPB #DireitosHumanos #Diversidade "
sábado, 18 de julho de 2026
DA DIÁSPORA AFRICANA AO CANDOMBLÉ: AS COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIRO PARTE 1
Para falarmos de Candomblé no Brasil e suas origens até a formação das comunidades tradicionais de terreiro (religiões de matrizes africanas e afro-ameríndias), é necessário fazermos um escorço histórico da diáspora africana, para rebatermos argumentos racistas e de menosprezo de que o Candomblé é uma religião inventada no Brasil sem maiores fundamentos em África, como comumente é exposto, confundindo a forma de organização de casas de candomblé a partir do século XIX, em que a população negra já vivia um contexto social diferente dos séculos iniciais da escravização, embora ainda houvesse racismo institucional com perseguição policial, e também, considerando que a Constituição do Império do Brasil (1824), em que pese adotasse a religião católica como oficial, admitia que os cidadãos brasileiros professassem sua fé particular em seu espaço privado, o que foi um avanço se pensarmos que a Inquisição durou oficialmente em Portugal até 21.03.1821. Também, os que argumentam com a “tese da invenção” se esquecem que em vários países da África tem havido um crescimento vertiginoso de igrejas pentecostais.
Segundo o jurista Perdigão Malheiros, ex-presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB, no volume 03 da sua obra “A Escravidão no Brasil. Estudo histórico-jurídico- social” de 1867, o tráfico de africanos escravizados para a península ibérica teria iniciado como forma de resgate de prisioneiros mantidos em cativeiros inimigos dos mouros e sarracenos, e por isso, justificavam os ibéricos como que estando prestando um grande serviço (1867:pp.1-2, volume 03). O resgate consistia em reduzir à escravidão alguém que por ventura tivesse sido vencido em guerra ou capturado por inimigos e mantido em cativeiro. Por isso, espanhóis e portugueses naturalizaram a escravização de negros da África Ocidental, em princípio, justificando pela fé cristã contra inimigos que o faziam reféns. Segundo ainda Perdigão Malheiros, não há conformidade entre as fontes se teria sido Portugal ou Espanha o primeiro a introduzir pessoas negras escravizadas sob esse pretexto, mas é sabido, segundo ele, que os “mahometanos” também traziam pessoas negras escravizadas como moeda de troca para resgatar prisioneiros de origem islâmica.
Em 1442, Portugal, já havia transformado o tráfico negreiro em um lucrativo comércio sob o comando do Infante Dom Henrique, trazidos pelo português Antônio Gonçalves (Malheiros, 1867, p.2), tendo no entanto, a Espanha iniciado o tráfico para as Américas, ainda no ano de 1500, de pessoas negras da região chamada de Guiné (Senegal, Gâmbia, Guiné e Guiné-Bissau).
Com relação ao tráfico negreiro para o Brasil, Perdigão Malheiros presume que o tráfico se iniciou já com a vinda de Martim Afonso de Sousa, quando da instalação dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar em 1532 (1867, p.06), mas as fontes dão mais como certa a vinda dos primeiros escravizados africanos como sendo em 1538 para Bahia, pelo traficante de pau-brasil e de escravizados indígenas, Jorge Lopes Bixorda.
Como nos informa o antropólogo Manuel Querino, em sua obra ‘A Raça Africana e Seus Costumes” de 1916, Jorge Lopes Bixorda iniciou o tráfico de angolanos, assim entendidos, segundo a Enciclopédia Brasileira da Diápora Africana de autoria do advogado e artista plástico Nei Lopes, angolano como “termo utilizado no Brasil para designar o escravo embarcado no porto de Luanda” (2004, p.60).
Segundo Manuel Querino:
“Está averiguado que os primeiros escravizados chegaram ao Brasil em 1538, em uma náu perten cente ao famigerado Jorge Lopes Bixorda, que, muito antes, em 1512, levara para a Europa alguns indígenas como especímen do tráfico, ao preço de três mil e setecentos réis, por cabeça” (1955: p.28)
Mas o argumento de Perdigão Malheiros é o seguinte:
“Nas doações das capitanias, em que foi dividido o Brasil por D. João III (1532-1535) se conferião aos donatarios poderes extraordinarios, mesmo de morte, Também sobre os ‘escravos’ o que faz presumir' a existência destes na colonia portugueza da America já em semelhante·época.” (1867: pp.6-7, volume 03)
O fato é que com Bixorda é mais fácil admitirmos o início da escravização negra no Brasil. A confusão talvez se deva ao fato de que Jorge Lopes Bixorda já ser traficante de pau-brasil e de escravizados indígenas, desde 1516, pelo menos, quando pela primeira vez o galeão Bretoa aportou no Porto dos Escravos (atual São Vicente/Santos), comandado por Fernão Lopes Magalhães, aquele mesmo que deu nome ao estreito.
Segundo o romancista Domingos Jaguaribe Filho, no primeiro volume de seu romance ‘Os Herdeiros de Caramuru”:
“Uma náu de Bixorda, que veio ao Brasil em1538, com o fim de transportar páu brasil e escravos, trouxe a seu bordo uma carregação de negros da Costa d'África para serem empregados como resgate do páu-brasil. Ainda que se saiba que haviam neste tempo escravos mouros em Portugal, todavia, entre os documentos que indagamos, nenhum dá a entender que antes desta data outros tivessem vindoda África; foram, pois, os negros de Bixorda as primeiras sementes - que devião fecundar a
superfície da America !” (1880:p.21)
No romance com fundamentação histórica, Diogo Álvares Correia, o Caramuru se envolveu com o tráfico de indígenas escravizados devido contatos realizados com traficantes de pau -brasil e de pessoas indígenas, no período que esteve na França. Inclusive, o romance traz uma segunda carta de Pero Vaz de Caminha narrando os costumes antropofágicos dos povos originários, carta está datada de 01.05.1510, anterior, portanto, ao início do tráfico de indígenas escravizados, mas que poderia ter servido de pretexto. O negócio teve prosseguimento através de seu genro Afonso Rodrigues, que passou a traficar pessoas indígenas e negras, após contato do sogro com Bixorda.
O tráfico de pessoas indígenas na localidade que deu origem à cidade de Salvador e no antigo Porto dos Escravos (atuais São Vicente e Santos) já existia antes da vinda de Martim Afonso de Sousa em 1531 (Bahia e Rio de Janeiro) e 1532 (São Vicente), conforme o Diário de Navegação de Pero Lopes de Sousa (1530-1532) sem no entanto fazer nenhuma menção a escravizados de origem africana. Portanto, concluímos que o tráfico teve início realmente com Jorge Lopes Bixorda em 1538, traficando 36 pessoas africanas, provavelmente de origem angolana, para a atual Salvador, porque também não há registro no referido diário de bordo, de que estivessem levando pessoas escravizadas.
No Brasil, segundo Manoel Querino, em “A Raça Africana e Seus Costumes”:
“Os africanos, aqui introduzidos, pertenciam a diversas tribos, como fôssem: Cambinda, Benin, 'Gêge, Savarú, Maquí, Mendobi, Cotopori, Daxá, Angola,, Massambique, Tápa, Filanin, Egbá, Iorubá, Efon, ou cara queimada, Qnêto, Ige-bú, Ôtá, Oió, Iabaci, Congo, Galinha, Aussá, Ige-chá, Barbá, Mina, Oondô Nagô, (1) Bona, Calabar, Bornô, Gimun, a gente predileta ou preferida dos olhadores etc., (...) O extensíssimo litoral que compreende a Serra Leôa e a Libéria, designado pelo nome de Guiné foi o imenso empório da grande exportação de africanos para o Brasil. (...) Era principalmente para a Bahia, que fôra capital do Brasil durante muitos anos, que se encaminhavam os desgraçados filhos da adusta Líbia, e por isso os naturais de Guiné ainda hoje dão o nome de Bahia, ao Brasil, à América e até à Europa”. (1955: pp.36-37)
Em 1549, segundo Perdigão Malheiros, o Alvará de 29 de março, autorizava a escravização de pessoas negras africanas por meio de resgaste, desde que a custa do colonizador, para trabalharem nos engenhos de açúcar já existentes, senão vejamos:
“Desenvolvendo-se a cultura da canna de assucar, e consegu:ntemente os engenhos, e desejando a metropole promover essa industria, facultou por Ãlv. de 29 de Março de 1549 (D. João III)o resgate á custa dos colonos senhores de engenhos, e a introdução de escravos Africanos de Guiné e ilha de S. Thomé, em numero de 120 a cada senhor de engenho montado e em estado de funccionar, mediante o favor da reducção dos direitos. Tambem concedeu por mercês especiaes a diversos o resgatarem á sua custa determinado numero de escravos sem pagarem direitos alguns (26). Igualmente erão dados aos soldados, na Balda v. g., negros remettidos da África, descontando-se o seu valor pelos soldos.” (1867: pp. 6-7, vol.03)”
Prosseguiremos neste estudo, trazendo informações sobre o contingente populacional desde o século XVI de pessoas negras escravizadas e livres, até o ano de 1872 e a origem dessas pessoas e a fé que professavam. É importante ressaltar, que o intento em falar do contingente populacional é demonstrar que essas pessoas trouxeram também suas crenças e que a organização das casas de candomblé no século XIX não marca a “invenção” da religião, como muitos tentam desmerecer as religiões de matrizes africanas, como se não existissem em África, confundindo a África atual com a ascensão do pentecostalismo, sendo as comunidades tradicionais de terreiro depositária da ancestralidade negra oriunda da diáspora africana.
Laura Berquó
LANÇAMENTO: 'INTELECTUAIS NEGRAS: VIDAS, OBRAS E LEGADOS' ORG. LILIAN CONCEIÇÃO DA SILVA
"Com imensa alegria compartilho o pré-lançamento do livro que sou organizadora e coautora com outras mulheres e homens antirracistas, sobre vidas, obras e legados de mulheres negras intelectuais.
Se desejar reservar o seu exemplar, por gentileza, responda-me, efetue um Pix no valor de R$ 50,00 para o meu CNPJ e envie uma cópia do comprovante. Gratidão!!!
59996.250/0001-76
BANCO INTER
Contato: 81-99994.5582"
Lilian Conceição da Silva
OS HERDEIROS DE CARAMURU: O ROMANCE HISTÓRICO QUE POUCOS CONHECEM - VOLUME I
"Os Herdeiros de Caramuru" é um romance histórico de autoria do médico e político cearense Domingos Jaguaribe Filho, escrito no ano de 1880, portanto, final do romantismo brasileiro. Escrito em 02 volumes, insere-se, como gênero literário, no primeiro período romântico, nacionalista e indianista, embora, tenha sido publicado no final do terceiro período. Temos como foco a vida de Caramuru, o jovem português de família nobre, cujo nome era Diogo Álvares Correia, que aproximadamente em 1512, quando ia para São Vicente, naufragou na atual cidade de Salvador, não sendo assassinado pelos Tupinambás, como os demais companheiros a bordo sobreviventes, pelo fato de Paraguassú, filha do Morubixaba Taparica, ter por ele se apaixonado, abandonando o compromisso de se casar com outra liderança indígena de nome Jararaca, o que causaria, anos depois, brigas e rivalidades entre os grupos. Diogo foi chamado pelos Tupinambás de Caramuru-Guassú, Dragão do Mar, por ter feito uso da pólvora, até então desconhecida naquela região pelos naturais do lugar e por isso, passou a ser reverenciado e aumentado o prestígio de seu sogro. O romance, além de mostrar o nascimento inoficioso do que hoje é a Bahia, passando pela concessão da capitania em 1534 a Francisco Pereira Coutinho até a vinda de Tomé de Souza em 1549, trata também de relatar o início do tráfico de pessoas indígenas e negras africanas escravizadas. O galeão Bretoa, tendo como um dos integrantes da tripulação Fernando de Magalhães, foi o primeiro transporte que em 1516 iniciou o tráfico de grande contingente de pessoas indígenas escravizadas no Porto dos Escravos, hoje São Vicente, tendo depois Caramuru se envolvido com tráfico de indígenas escravizados devido contatos realizados com traficantes de pau -brasil e de pessoas indígenas, no período que esteve na França. Inclusive, o romance traz uma segunda carta de Pero Vaz de Caminha narrando os costumes antropofágicos dos povos originários, carta está datada de 01.05.1510, anterior, portanto, ao início do tráfico de indígenas escravizados. O negócio teve prosseguimento através de seu genro Afonso Rodrigues, casado com Magdalena Caramuru, filha de Caramuru e Catarina Paraguaçu. Magdalena é a grande heroína da história, e simboliza o nascimento do Brasil mestiço do sangue português com o indígena. Magdalena foi a primeira mulher alfabetizada no Brasil, inicialmente por seu pai, depois pelo marido e aprimorada pelos Jesuítas. Por ter acesso pela leitura de relatórios de bordo e cartas de jesuítas, em especial de Padre Manuel da Nóbrega, foi uma grande militante contra a escravização e maus tratos de indígenas e negros africanos. Inclusive, a obra registra o início do tráfico negreiro com a vinda do traficante de pau -brasil e de pessoas indígenas, Jorge Lopes Bixorda, que em 1538 trouxe 36 africanos de Angola. Magdalena se opunha a isso, sendo, provavelmente, a primeira militante do Brasil a se opor contra a opressão de raça e cor, tendo problemas com o pai e o marido, retratado como um homem extremamente cruel. A história prossegue relatando a insurgência de nomes contra os maus-tratos da escravidão, relatando o surgimento do Quilombo dos Palmares a partir da fuga em direção ao Rio São Francisco de indígenas e negros escravizados pelos genros de Caramuru, a exemplo de Jaracahepó, indígena escravizado, que liderou revolta no engenho de Afonso Rodrigues, e que por acordo entre negros e indígenas se tornou o primeiro líder de Palmares até 1600, ano de sua morte, e substituído por Roque, intitulado "Zambi" (Zumbi?), negro idoso que trabalhava no referido engenho do genro de Caramuru. Após Roque, narra o romance que Palmares teve mais 04 "Zambis", antes da destruição do Quilombo por Domingos Jorge Velho. O romance ainda retrata como pessoas inocentes, indígena e negra, eram condenadas à forca, através da manipulação da opinião pública. Finaliza o romance com a história do Capitão Lascoeva, vitimizando-se na Espanha de ter sido escravizado no Brasil, o que não aconteceu, como forma de não prestar contas de seu desaparecimento por anos após um furto que cometeu. Assim termina o volume I.
Laura Berquó
sexta-feira, 17 de julho de 2026
PROFESSOR MILTON MARQUES MINISTRARÁ CURSO PARA LEMBRAR OS 70 ANOS DE GRANDE SERTÃO VEREDAS
"Para celebrar os 70 anos da publicação de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa (1908-1967), o professor e membro da Academia Paraibana de Letras Milton Marques Júnior inicia no sábado, dia 25 de julho, o Curso “Uma Leitura de Grande Sertão: Veredas”, no auditório da APL, a partir 09h até 12h.
Depois desta aula inaugural, o professor Milton divulgará o calendário das aulas seguintes, que acontecerão sempre aos sábados, pela manhã.
O curso ministrado pelo professor Milton é gratuito para alunos e professores de toda a rede pública de ensino e, para os demais participantes, terá uma taxa de R$ 50,00. Ao final, será fornecido diploma de participação.
O livro de Guimarães Rosa foi lançado no dia 16 de julho de 1956, logo se transformando em uma obra surpreendente da literatura brasileira. O romance conta a trajetória do jagunço Riobaldo.
Possui graduação em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1981), mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1990) e doutorado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1995), Milton Marques Júnior é Professor aposentado da Universidade Federal da Paraíba, com experiência na área de Letras, em Literatura Brasileira, Portuguesa e Comparada. Ocupa a Cadeira 40 da Academia Paraibana de Letras."
quinta-feira, 16 de julho de 2026
TBT 2013: CARTA ABERTA AO PREFEITO DE ALHANDRA E AJUREMA SAGRADA
"CARTA ABERTA AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO CONSTITUCIONAL DO MUNICÍPIO DE ALHANDRA – PB (marcelo.prefeito@alhandra.pb.gov.br; mizaellmr@gmail.com)
A Comissão de Promoção da Igualdade Racial e da Diversidade Religiosa da OAB/PB vem por meio desta solicitar a V. Exa., que na condição de representante do executivo Municipal, eleito democraticamente para representar a tod@s @s alhandrenses, que nesta condição também seja o defensor natural da cultura expressa pela religiosidade que se faz presente em cada parte daquela que deveria ser chamada de Capital da Jurema Sagrada.
Há algum tempo, o IPHAEP cuida de processo de tombamento do sítio onde a Mestre Maria do Acais (Sra. Maria Gonçalves de Barros), nasceu e se dedicou ao culto da Jurema Sagrada. Desde a década de 1970, a Federação dos Cultos Africanos do Estado da Paraíba vem lutando para o reconhecimento do município de Alhandra como Cidade Sagrada da Jurema. Segundo publicação de 1977 (Umbanda no Lar), o então Presidente da Federação dos Cultos Africanos do Estado da Paraíba, o Babalorixá Carlos Leal Rodrigues, informava que pelo menos havia 42 mestres da Jurema Sagrada enterrados em solo alhandrense protegidos por pés-de-Jurema plantados em intenção a eles e que serviram durante toda a década de 1920 até a autorização para os cultos afro-brasileiros na Paraíba, em 1966, de proteção para que esses corpos não fossem vilipendiados, vítimas da repressão policial da época que não via com bons olhos o culto da Jurema Sagrada.
O texto de 1977, elaborado pelo jornalista Marcone Cabral em entrevista feita ao referido Babalorixá, ainda menciona o fato de que um pé-de-Jurema pode viver mais de 200 anos e é uma árvore tipicamente nordestina, da nossa zona da Mata e que em Alhandra viveram e foram enterrados nomes que hoje povoam o imaginário e a crença de pessoas adeptas tanto da Jurema como da Umbanda, como por exemplo, Sr. José de Aguiar, nascido em 1813 e que viveu aproximadamente 114 anos, mais conhecido como “Zé Pilintra”, bem como viveu o Sr. José Vicente, conhecido como “Maluguinho”. Sem citarmos ainda Mestre Maria do Acais, morta em 1937, Mestre Tertuliano, Mestre Joana Pé de Chita, etc.
Recentemente essa Comissão ingressou com pedido de tombamento do Templo Espírita Mestre Jardecilha, também em Alhandra. A Comissão agora se coloca à disposição daqueles que pretendem também pedir o tombamento do Templo de Mãe Rita, falecida mestre juremeira e umbandista, que hoje, após a morte de Mãe Judite (responsável pelo local após a morte de Mãe Rita), encontra-se em vias de ser totalmente destruído, incluindo-se os assentamentos firmados. É uma perda muito grande para Alhandra a descaracterização da história do município a partir de atos praticados por pessoas que não respeitam a religiosidade, colocando o direito a herança sobre o interesse coletivo. Por essa razão, ressalto que o município de Alhandra dispõe de meios para resolver o problema, como o pedido de tombamento e incentivo à discussão sobre diversidade religiosa.
O pedido de tombamento pode ser requerido por quaisquer pessoas. Com base na Lei Estadual n.º 9.040/2009, assim como os bens materiais, os bens culturais imateriais também podem ser tombados. Tanto o templo, os pés-de-jurema preta e toda a espiritualidade, toda essa carga cultural encontra arrimo na lei citada para sua proteção. Por que a Prefeitura Municipal de Alhandra ou o Prefeito Constitucional desse município na condição de cidadão, não o faz? Ou até mesmo a desapropriação da área, não para incentivo de uma fé específica, o que iria ferir o Estado laico, mas para preservação da herança cultural do município, criando-se vários sítios e espaços que serviriam para manter viva a memória e incentivar a discussão em torno da cultura afro-ameríndia, da diversidade e igualdade religiosa.
Vimos que até hoje nenhum dos gestores municipais em Alhandra se ocuparam e se preocuparam com essa herança cultural deixada por índios e negros, que perdura até hoje em diversos municípios do litoral sul paraibano. Vejam o caso da Praia de Tambaba no município do Conde, onde @s antig@s juremeir@s, desde o tempo d@s noss@s ancestrais indígenas, muito antes da chegada dos portugueses, acreditavam ser ali um portal espiritual, a sétima cidade espiritual da Jurema Sagrada e até a década de 1970 era um ponto de comemorações e liturgia para os adeptos da Jurema Sagrada em nosso estado.
O potencial turístico do município de Alhandra também poderia ser melhor explorado através de projetos que promovessem o turismo religioso na região. São ideias fáceis de se ter, mas que infelizmente ainda não foram pensadas ou colocadas em prática pelos gestores de Alhandra.
Por essa razão, esta Comissão resolveu dar voz e divulgar a carta escrita por Mestre Joana Juremeira, escrita para o senhor, e se coloca desde já para quaisquer orientações e apoios que por ventura se façam necessários. Solicita ainda, audiência com V. Exa., para discutirmos estas questões, bem como a necessidade de uma cultura de respeito à diversidade religiosa.
“ILMº SR. PREFEITO DE ALHANDRA
MARCELO RODRIGUES
Sendo sabedor(a) que um descaso com nossa tradição e cultura de Alhandra, estou lhe informando e solicitando suas providencias...
1- O senhor deve ter conhecido a Mãe Rita (orô) já falecida que tinha um centro de umbanda e jurema ai na sua cidade, casa essa muito antiga e bem conceituada no Brasil e fora dele, uma referencia da tradição cultural dessa cidade.
2- Com o falecimento de Mãe Rita o terreiro que já era de responsabilidade de mãe Judite, continuou assim até que com a necessidade de alguns consertos no telhado o pessoal que compõe a Associação Espirita de Juremeiros de Alhandra uniram-se e começaram os consertos.
3- Um dos descendentes da nossa saudosa Mãe Rita chegou e mandou parar pois iria ser demolido o terreiro e as firmezas e assentamentos dos mestres dela seria jogados ao rio. Enfim embarbaram a restauração do terreiro, um casa centenária , referencia de jurema na cidade, casa essa que abrigou e ajudou muitos filhos de Alhandra, super conhecida no Brasil e em outros países, não pode ser demolida, seria até uma ato de crime cultural, pois faz parte da historia da cidade.
Venho por meio deste solicitar de Vossa Senhoria uma providencia que coíba esse ato de desumanidade e crime cultural, sabendo que a prefeitura de Alhandra pode pelo menos inicialmente impedir a demolição, enquanto estamos tomando medidas para um tombamento do referido.
Contando com sua compreensão e empenho coloco-me a sua disposição e desde já agradeço.
ASSINEM E ENVIEM”
João Pessoa, 30 de junho de 2013.
Laura Taddei Alves Pereira Pinto Berquó
Presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial e da Diversidade Religiosa da OAB/PB"
terça-feira, 14 de julho de 2026
AS MATRIARCAS DO POVO BRASILEIRO: ANTÔNIA RODRIGUES E O TRÁGICO FIM DE SEUS DESCENDENTES
Getúlio Vargas - Foto da Internet
As três Matriarcas do Povo Brasileiro são consideradas Bartira, Catarina Paraguaçu e Muirã Ubi (Maria do Espírito Santo Arcoverde), segundo o Dicionário das Mulheres do Brasil. Assú Piquerobi (Antônia Rodrigues) filha do Morubixaba Piquerobi, apesar de ter deixado ilustre descendência, não teve a mesma projeção de seu nome, como sua prima Bartira. De Antônia, a historia do Brasil nos traz 3 ilustres descendentes. As chamadas matriarcas do povo brasileiro foram assim denominadas pelos casamentos que fizeram com portugueses e pelo fato de seus pais terem sido Morubixabas. A partir desses casamentos houve a facilitação do projeto de colonização do país. A irmã de Antônia se chamava Terebê (filha de Piquerobi e homônima da prima, filha de Tibiriçá). O marido de Terebê foi o cristão-novo, possivelmente degredado de Portugal, Cosme Fernandes Pessoa, que seria o verdadeiro fundador de São Vicente, pois se encontrava no Brasil juntamente com João Ramalho e Antonio Rodrigues, todos também de origem cristã-nova, muito antes do início oficial da colonização. O certo é que quando Martim Afonso de Sousa chegou em janeiro de 1532, o núcleo de São Vicente já existia (Diário de Navegação de autoria de Pero Lopes de Sousa), assim como Cananéa. Antônia Rodrigues casou com Antonio Rodrigues. Descendiam de Antônia Rodrigues: 1. Amador Bueno de Ribeira, o Aclamado, descendente tanto de Antônia Rodrigues e de sua irmã Terebê, sendo assim duaa vezes descendente de Piquerobi. Amador se recusou a ser Rei e talvez por isso, tenha escapado da triste sina de outros descendentes. 2. Por sua vez, descende de Amador Bueno de Ribeira, o Aclamado, o ex Presidente Getúlio Vargas. Getúlio Vargas descende mais uma vez de Piquerobi pela neta Maria Gardete Fernandes, filha de Terebê, descendendo três vezes de Piquerobi. Também descende de Tibiriçá pela filha Bartira. Por fim, o descendente mártir de Antônia Rodrigues foi o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Todos descendentes do Morubixaba Piquerobi. A aldeia principal sob o domínio de Piquerobi ficava onde hoje é o distrito de São Miguel Paulista na cidade de São Paulo. Na Paraíba, analisando árvores genealógicas, verifiquei que o Interventor da Paraíba Antenor Navarro também descendia do casal Antônia Rodrigues e Antônio Rodrigues. Morreu tragicamente de um acidente aéreo em 1932. As árvores genealógicas podem ser consultadas no site FamilySearch. Descendo de Antônia Rodrigues (Assú Piquerobi) com Antônio Rodrigues, de João Ramalho e Bartira, de Terebê Piquerobi e Cosme Fernandes Pessoa, justamente da filha Maria Gardete, de Terebê (filha de Tibiriça) e de Pero Dias e depois de viúvo, de Pero Dias com Maria Gomes da Silva,sendo todos minhas décimas-quintas avós e décimo quinto- avôs. Enquanto, no Nordeste as matriarcas são de origem cristã-nova comprovada e indígena (Muirã Ubi e Catarina Paraguaçu), no ramo genealógico luso-brasileiro de São Vicente, tudo indica que são os patriarcas crsitãos-novos e as matriarcas de origem indígena. Piquerobi, Tibiriçá e Martim Afonso de Sousa são meus décimo -sextos avôs.
Laura Berquó
AS MATRIARCAS JUDIAS DO NORDESTE
A casa da foto é atualmente um centro de artesanato em Olinda-PE, mas no século XVI teria funcionado a primeira escola para moças no Brasil e também sido uma Sinagoga clandestina. A propriedade teria pertencido à Branca Dias Coronel e ao seu marido Diogo Fernandes Santiago, ambos judeus. Ela chegou aos 27 anos no Brasil. Antes, passou uma década em Portugal presa e se defendendo das acusações do Santo Ofício. Conseguiu fugir para cá, onde o marido já se encontrava, mas sua mãe e irmã foram mortas pela Inquisição. Ela é o símbolo do judaísmo no Nordeste, um tipo de matriarca dos cristãos-novos nordestinos. Branca Dias Coronel teve vários filhos e criou a filha do marido nascida aqui na sua ausência. A menina se chamava Briolanja, um nome que se popularizou em fins da Idade Média na Península Ibérica. Muitos filhos de Branca Dias Coronel foram enviados para Lisboa, porque após a morte dela e do marido, no período entre 1591-1595 houve a primeira Visitação do Santo Ofício nas Capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Parahyba. Em breve, trarei em outra postagem o nome das denunciantes e o que consta dos relatórios feitos pelo Inquisidor Heitor Mendonça de Furtado. Os filhos de Branca Dias foram, então, perseguidos e muitos terminaram na indigência em Lisboa como uma filha deficiente física, chamada Beatriz (Brites), que virou mendiga em Portugal. Uma filha que conseguiu ter uma sorte diferente e deixou vasta descendência no Nordeste (sobretudo de Pernambuco ao Ceará) foi Inês. Mas, analisando árvores genealógicas, descobri outra filha. Dificilmente uma família da elite política nordestina não descende de Branca Dias quando chegamos, sobretudo, no sertão da Paraíba, sertão e seridó do Rio Grande do Norte e Sobral e adjacências (no Ceará). Porém, embora Branca Dias seja a matriarca judia mais famosa do Nordeste, todas as famílias que têm origem no início da colonização luso-brasileira nordestina (a partir de Pernambuco com a vinda de Duarte Coelho em 1535) e criaram uma elite política regional, têm sua origem em outras mulheres judias que tiveram casamentos com holandeses que aqui chegaram mais de meio século antes das Invasão Holandesa do início século XVII. É assim que teremos os ramos da família Hollanda ou Holanda (de Alagoas ao Ceará) que descendem de Brites Mendes de Vasconcellos Góes, que apesar de neta de Dom Manuel, o Venturoso (avô paterno), perseguidor de cristãos-novos, era judia porque sua mãe Joana Góis de Vasconcellos era judia, filha de pai e mãe judeus sefarditas. Os filhos de Brites com o holandês Arnaud Florentz Boyens van Holland que mais aparecem em árvores genealógicas, para citarmos os mais conhecidos e que deram origem às famílias de diversos sobrenomes da política e cultura locais são as filhas Anna e Adriana Holanda e o filho Arnau de Holanda. Todas as colonizadoras judias citadas também eram senhoras de engenho a partir do século XVI e foram contemporâneas de outras matriarcas nordestinas como Muirã Ubí (Maria do Espírito Santo Arcoverde), Mércia e Felippa de Mello, todas com vasta descendência com o Adão Pernambucano, o Capitão- Mor Jerónimo de Albuquerque. Falaremos das esposas e descendentes de Jerónimo de Albuquerque em outra oportunidade.
As árvores genealógicas podem ser consultadas no FamiliySearch.
Em outro post irei disponibilizar fontes de consulta sobre Branca Dias Coronel. O conteúdo citado se refere a fontes que li há algum tempo disponíveis no Family Search.
Laura Berquó
INÊS DE SOUSA (RIO) ANTECEDE À CLARA CAMARÃO (TEJUCUPAPO)
(Rio, século XVI. Internet. Portal da Prefeitura do Rio de Janeiro)
INÊS DE SOUSA É ANTERIOR À CLARA CAMARÃO
Resolvi fazer a postagem sobre Inês de Sousa, porque vi na internet (Instagram) postagem que dá conta que Clara Camarão foi a primeira mulher no Brasil a liderar outras mulheres contra invasões europeias, citando a Batalha de Tejucupapo em Goiana, Pernambuco, no ano de 1646. A heroína da nação potiguara teve intensa luta contra os holandeses, sendo importante para a história da Paraíba, Rio Grande do Norte e de todo o Nordeste. Mas a primazia coube à Inês de Sousa, esposa do segundo Governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, que liderou bravamente mulheres contra a invasão de franceses na cidade carioca no final do século XVI. Foi tão bem sucedida que os franceses só retornaram ao Rio nos anos de 1710/1711. A primazia cabe à Inês e não à Clara. Mas, talvez seja apagada por ser colonizadora. Clara Camarão em breve será homenageada aqui.
Laura Berquó
PREVISÃO SEMANAL: BARALHO CIGANO
A preivsão foi com o baralho consagrado à Pombagira Cigana Síria:
Opção 1. Carta de Corte: O Homem. Demais Cartas: Caixão, Criança e Estrela: possível desencarne de um homem ou de pessoa ligada a um homem. Também pode alertar sobre mudanças profundas, mas com novas possibilidades positivas na vida de um homem. Fim de ciclo e início de outro melhor.
Opção 2. Carta de Corte: Os Peixes. Demais Cartas: Chave, Cegonha e Urso: possibilidade de gravidez e tudo que tenha a ver com materialização da maternidade ou envolvendo filhos. Novas propostas financeiras, novos projetos que exigirão força, mas trarão bons retornos financeiros. Possibilidade de novo emprego público ou cargo de chefia.
Chave e Urso: decisões egoístas.
Laura Berquó
segunda-feira, 13 de julho de 2026
O BRASIL PAROU POR CONTA DO POSSÍVEL ENLACE MORGANÁTICO, SÓ QUE NÃO
Lendo sobre o possível futuro casamento morganático, de um possível futuro rei de um possível futuro trono, e a negativa na autorização para o enlace, como se estivéssemos falando de um Império que ainda existe, ou que possa existir, fez com que eu pensasse que realmente há pessoas e grupos que vivem em mundos paralelos. Certa vez, um colega advogado, educado pela TFP nos anos 70, ao comentar comigo sobre os colegas advogados e a pretensão dele ser uma liderança no meio, referia-se aos colegas causídicos como "a massa". Nunca me esqueci do desprezo à maioria e às minorias, literalmente. Era monarquista. Por que falo isso? Porque às vezes sinto que essa seria a vibe de nossos monarcas em um futuro imaginário. Vocês já pararam para pensar em um país governado pela mentalidade TFP? Mas, eu penso que seria muito fora da nossa realidade, retornarem ao poder os herdeiros de uma Coroa que não existe mais, nem mesmo segue a mentalidade dos que eram queridos no século XIX, como nossas Imperatrizes, porque hoje vivemos outros tempos em que se exige mais que assistencialismo. Todas as classes podem participar do processo político. Do ponto de vista da liberdade de pensamento, com a ascensão da extremíssima-direita, o Brasil retomaria uma fase piorada ante-positivista. Embora, não pudesse se retomar um Estado oficialmente católico, por exemplo, haveria pressão de forma inoficiosa, em um cenário diferente do século XIX, porque naquele tempo, também de forma oficiosa, segundo Pereira Barreto as pessoas eram oficialmente católicas, mas toleravam e aceitavam outras práticas. Atualmente, a extremissima-direita queima terreiros, embora não sejam católicos que estejam à frente desses atos, é bom que se ressalte. Apenas, para ilustrar que poderia haver acirramento entre grupos religiosos. Como também é bom destacar que seria uma Casa que manteria laços com Casas europeias, obviamente, embora a população brasileira, em sua maioria seja parda (negra). Uma continuidade do que restou do colonialismo em pleno século XXI. Acho um mundo paralelo. Em um país que inventaram desculpa para retirarem uma Presidente do poder, dar um golpe em um rei para colocar outro não seria problema. Imagino a instabilidade política já tão comum no nosso país. Basta ver a quantidade de Constituições em menos de 200 anos. Mas, queria entender como funciona a mentalidade de quem acha que tem direito congênito a um trono em detrimento da vontade dos "súditos". Ahhh! Sugeriram um plebiscito para 2026. Inconstitucional, porque já houve o de 1993 para essa finalidade e a população não quis. Simples. Muito estranho imaginar que se tem direito congênito a alguma coisa que não existe mais em detrimento da maioria.
Laura Berquó
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