EPA HEY!!!
sexta-feira, 15 de maio de 2026
A MACAXEIRA: HERANÇA DOS POVOS ORIGINÁRIOS PARA NOSSA ALIMENTAÇÃO
A Macaxeira (aipim ou mandioca) é sem dúvida uma das raízes mais consumidas no Brasil. Um dos maiores produtores de macaxeira (aipim), conforme vi no progrma "Brasil Visto de Cima" (da Globo pela skY) é a zona rural carioca entre os bairros de Guaratiba e Santa Cruz, bairros da zona sudoeste/oeste no município do Rio de Janeiro. Porém, em todo país as plantações de subistência cultivam macaxeira. consumida em larga escala no Brasil de diversas formas: cozida, frita ou como tapioca, farinha, bijus, sopas, utilizando-se até suas folhas na culinária do Norte. A macaxeira é um dos alimentos sagrados dos povos originários, ao lado também de outra raiz: a batata-doce. Ambas são raízes originárias da América do Sul e segundo aprendi com ensinamentos de professores indígenas da Aldeia Indígena Tapirema (localizada no município de Peruíbe no litoral de São Paulo) pelas aulas on line do projeto social Vivência na Aldeia, a macaxeira é um alimento sacralizado, assim como a bata-doce, o milho e algumas frutas. Alguns hábitos dos povos originários permaneceram durante mais de dois séculos com os cariocas, a exemplo do consumo praticamente exclusivo da carne de peixe, sendo o carioca até a vinda da família Real, um povo ictiófago, bem servido pela Baía da Guanabara, conforme Celso Renault em 'O Rio Antigo nos Anúncios de Jornais" de 1969. A obra de Jean de Léry traz a alimentação dos Tamoios na atual capital carioca antes da fundação da cidade do Rio. Há referência sobre a mandioca/aipim/macaxeira. No momento, cito a referência sobre o consumo e formas de preparo da mandioca (macaxeira ou aipim) na obra anônima "Sumário das Armadas" que data de 1585 e que narra a conquista do território paraibano pelos portugueses em conflito com os Potiguara. Assim é a descrição do uso da macaxeira, inclusive como a farinha que conhecemos e sua importância na época das guerras entre as nações dos povos originários daquele tempo: "Enfim, todo sertão do Brasil é muito estéril e de pouco mato, e terra desventurada, que, com trabalho dá a mandioca, que os negros plantam como bacelos; e em 10,12 meses se faz tão grossa como grandes nabos, com raízes compridas, com muitas pernas, e tenras; raladas, dão muita farinha, com que eles e os brancos de sustentam; e depois do trigo é o melhor mantimento que se sabe; principalmente, deitada de molho, faz singular fariha para se comer em fresco, que se parece como nosso cusques. Fazem também outros beijus, que são redondos como mangauis, ou compridos, como querem, pouco mais grossos que hóstias: são muito bons de comer, porque tomam o gosto e o sabor natural daquilo que os comem: fazem mais outra farinha destas raízes a que chamam de mandioca, mais cozida, para durar muitos meses, com que vêm ao reino, e irão à Índia, a esta chamam farinha -de-guerra, porque na guerra, se servem os negros dela; e como no Brasil um negro tem farinha e rede, arcos e frechas, logo se tem por rico". p23 Como vocês podem ver, as diversas formas de utilização da macaxeira nos chegou até hoje, sendo herança indígena as formas de manipulação dessa raíz que também é conhecida como "pão dos pobres". Nesse parágrafo do Sumário das Armadas, prestem atenção que a paisagem descrita como "muito estéril e de pouco mato" deve ser se referindo ao bioma caatinga por estar localizado no semiárido nordestino e ser uma região de vegetação rasteira. A expressão "negro" durante muito tempo foi utilizada pelos portugueses para se referir às pessoas de origem indígena.
Laura Berquó
ANTÔNIO JOSÉ DA SILVA, O JUDEU: GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA MANJERONA
Prezad@s, enquanto não termino a leitura dessa obra-prima do teatro português, deixo o link para acessá-la:
https://archive.org/details/guerrasdoalecrim00silv/mode/1up
Trata da ópera joco-séria "Guerras do Alecrim e da Mangerona", do teatrólogo fluminense, morto na fogueira pela Inquisição, Antônio José da Silva, na primeira metade do século XVIII. É uma sátira sobre os costumes da alta sociedade em Portugal.
Também tem como baixar a obra "O Judeu" de Camilo Castelo Branco, romance histórico inspirado na tragédia de Antonio José da Silva, para aqueles que tenham interesse em conhecer mais sobre sua vida. Deixo abaixo o link.
https://archive.org/details/ojudeuromancehis00castuoft
Em breve trarei comentários sobre como Antônio José da Silva foi parar em Portugal para ser julgado pelo Tribunal do Santo Ofício. Para isso, preciso revisitar algumas leituras antigas de estudos disponíveis pelo Programa de Doutorado em História da UFF sobre a mãe de Antônio, Lourença Coutinho, que foi denunciada por criptojudaísmo por uma mulher escravizada a quem Lourença recusou conceder a carta de alforria. Há estudo também na Paraíba sobre cristãos -novos que explica como um cristão - novo paraibano contribuiu para a tragédia de Antônio José da Silva em Portugal, já que ele não respondeu apenas a 01 processo no Tribunal do Santo Ofício.
Laura Berquó
O QUE É WOLLYING? VIOLÊNCIA DE MULHERES CONTRA MULHERES
Ao abrir hoje o Instagram, aprendi mais uma expressão nova: "Wollying". No caso, uma expressão novíssima criada este ano por brasileiras na Comissão sobre a Situação da Mulher na ONU (CSW70). Se a expressão é novíssima, a prática não. É o bullying de mulheres contra mulheres. Sem hipocrisia e sem culpar eternamente o patriarcado, sabemos que mulheres conseguem destruir o psicológico, a imagem -atributo de outras mulheres, ajudando a espalhar difamações, promovendo assédios institucionais, agressões físicas e ameaças que remontam ao tempo da escola, etc. Não precisa do patriarcado para isso, mas da velha inveja que existe em todo ser humano, potencializada em situações em que o ultraje venha de quem se sente ameaçado ou ameaçada pela presença de outrem. A sororidade é um termo político recente criado nos anos 70 como proposta de pacto entre mulheres contra o sexismo. Só esquecemos de fazer um pacto contra o Wollying, e como sempre, dando a cartada de que o patriarcado é o culpado pela violência de mulheres contra mulheres, deletando e nos eximindo da nossa responsabilidade. Homens maltratam mulheres pelas razões já sabidas de misoginia, sexismo, etc. E mulheres? Além de atributos como competitividade no mercado de trabalho, há uma competitividade não revelada para que tenhamos acesso ao famoso mercado afetivo-sexual que fingimos, por discursos hipócritas, não ser a razão das nossas desavenças. Sim, queremos ter acesso aos homens, queremos que eles possam estar à nossa disposição. Uma mulher com capital erótico potencializado sempre será um convite para o Wolling. Ou porque ela terá mais oportunidades com os homens ou será mais favorecida pela sorte. Soma-se a isso a competitividade trazida pelo mercado de trabalho entre mulheres. Vi muitos casos de assédio moral de mulheres contra mulheres no mercado de trabalho. Já fui vítima inclusive de comentários depreciativos à boca-miúda de pseudo-feministas, quando perseguida aqui na Paraíba por político e seus capachos. Elas reforçaram discursos misóginos de homens sobre minha sanidade mental e deliberadamente sobre a minha vida pessoal. Tão "feministas", mas se ocupando da minha cama. Recentemente, também passei por assédio institucional vindo de mulheres advogadas e seus capachos em instituição de projeção nacional. Inclusive, soube em contato com um jornalista, que a "Wollying-Mor" andou com expressões e falas desabonadoras a meu respeito. O jornalista me conhecia já de nome, mesmo antes do meu contato, somente pela fala da figura. Portanto, seria hipocrisia da minha parte dizer que nunca fui vítima de "Wollying" e que isso é culpa do patriarcado, se em princípio, pelo discurso, não poderia esperar a mesma compreensão dos homens. Está na hora de pararmos de culpar sempre os homens pelos nossos comportamentos inadequados de falta de sororidade e empatia, porque na nossa humanidade podemos ser cruéis, invejosas, covardes e mal resolvidas entre nós mesmas.
Laura Berquó
quinta-feira, 14 de maio de 2026
OS CANGACEIROS DE CARLOS DIAS FERNANDES
Começando postagens sobre Carlos Dias Fernandes. Um ano após me mudar para a Paraíba, aos 15 anos de idade, ouvi falar em Carlos Dias Fernandes. Vi a imagem dele de homem maduro e bonitão e me despertou a curiosidade sobre a sua vida. O texto abaixo já foi publicado no Ambiente de Leitura Carlos Romero. Iremos trazer outros sobre suas obras e vida. Carlos Dias Fernandes é mais comentado do que lido. A obra Os Cangaceiros pode ser baixada no endereço virtual https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/600882. Publicada em 1922 pela Editora Monteiro Lobato, é uma obra do pré-modernismo e que não consigo compreender o porquê não ter tido uma repercussão maior. Não é trabalhada e divulgada nem mesmo na Paraíba. Os Cangaceiros descreve com riqueza de detalhes a natureza e estilo de vida sertanejos, bem como é uma obra rica em crítica aos costumes e à violência institucional. Nesse contexto crítica a moral sexual burguesa sobre a sexualidade feminina, fazendo jus ao fato de que Carlos Dias Fernandes era um defensor dos direitos das mulheres. O grande paraibano de Mamanguape inclusive era um defensor do voto feminino. Os Cangaceiros narra o destino de Minervino, um rapaz ingênuo e de boa índole que se transforma em justiceiro fora da lei, após uma sucessão de tragédias em sua vida e a revolta contra os abusos das autoridades de seu tempo. Na verdade, a obra tem como mérito fazer uma crítica ao aparelho de Justiça e da força policial, aos rígidos costumes sexuais e à falta de compensação aos que seguem rigidamente uma vida digna e irrepreensível, mas não estão livres das arbitrariedades do Estado. A história se passa na Paraíba e é fácil o leitor paraibano se identificar com os costumes e hábitos sertanejos, embora o enredo se passe alguns anos após a Proclamação da República. Laura Berquó
quarta-feira, 13 de maio de 2026
O ESFORÇO PARA GOSTAR DE HOMEM
Eu assisto falas de mulheres da minha faixa etária, mulheres bonitas, dizendo que os homens não olham mais. Eu tenho interessados da faixa etária dos 28 aos 80 e poucos e estou com 47 anos. Eu acredito que algumas coisas determinam a procura nessa idade: menos críticas. As mulheres agora deram de criticar os homens comparando com os homens mais jovens, tal como os redpills fazem com as mulheres. Se as mulheres fizessem menos esforço para gostar de homem, talvez não estivessem reclamando. Há críticas aceitáveis como o medo de feminicídio e de homem escorão. Mas o envelhecimento do homem tem sido um ponto de crítica das mulheres 40+, como se os homens também não pudessem envelhecer com suas manias e experiências de vida. Estão fazendo o que muitos homens faziam: dizer que somente um novinho acompanha o ritmo delas, são dispostos, etc. Trazer revanchismo para o campo das relações afetivas nunca favoreceu ninguém. Ser vista também é se abrir para o outro con as especificidades de cada realidade.
Laura Berquó
O PERFUME PARA DORMIR
Eu amo perfumes. Na Paraíba me chamou a atenção o hábito de dormir perfumada. Adotei esse hábito, ainda na juventude, vendo amigas usando perfumes para dormir em viagens ou dormindo na casa delas. Perfume para dormir, no caso, é body Splash, lavanda, colônia etc. Ninguém vai usar My Way para dormir. Mas o fato é que dormimos cheirosas aqui e usamos perfume em casa também, mesmo que seja só para ficarmos sozinhas. Tem o perfume para dormir, o perfume para ficar em casa e os mais concentrados para usar no trabalho, sair, etc. Mas o perfume para dormir, realmente, é algo muito local. Você dorme com a sensação de beleza. Uma coisa que também me agrada na Paraíba, além dos perfumes para dormir, ficar em casa, etc, é que a mulher paraibana é acolhedora e carinhosa. Você sempre é recebida com um "Minha Querida", "Flor", etc. Também me agrada os elogios sem inveja e o compartilhar entre as mulheres daqui: "Que perfume cheiroso!", "Que brinco lindo!", "Que cabelo lindo!", etc e você responde onde comprou, qual o produto e o preço para que a outra adquira também, algo normal, sem competição e sem inveja, mas sinônimo de admiração e aprovação do seu gosto e da sua aparência. É algo tão natural que se torna uma conversa agradável sobre trocas de experiências, conselhos de estética, etc. As paraibanas são muito amáveis e agradáveis de conviver, além de muito vaidosas.
Laura Berquó
ORAIEIEU, MINHA MÃE OXUM!
Seja bem-vinda, Mamãe Oxum!
Minha mãe Oxum é meu terceiro Orixá, minha Iabá ancestral que me acompanhará em todas as encarnações. Ela representa meu verdadeiro íntimo. Faz muito sentido com minha Lilith em Leão. Sua energia me dá tanta segurança que o mundo pode estar caindo ao meu redor, mas terei a certeza de que eu sou responsável somente pelo que me cabe. Ela é minha Paz e meu Conforto. Não pego nessa fase, peso dos outros. Ogum e Iansã dão passagem a Oxum para que eu possa ter descanso e olhar para mim mesma. A calmaria que esconde correntezas. Autoestima em paz. Foco e autocentrada. Consciência da própria importância. Sem tempo para o que não é meu. Oxum é bela, porque se prioriza. Oxum é força redirecionada. Não se demora onde querem apagar sua paz, brilho e beleza. Conhece o sentimento do outro, porque calada observa. E calada se vinga, se for preciso. E se alguém tiver algum problema comigo, que se resolva sozinho. Não me dêem porcaria, seja material ou comportamental, porque me recuso a receber. Vou deixar falando só. Oraieieu, Minha Mãe!
Laura Berquó
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