EPA HEY!!!
sábado, 18 de julho de 2026
LANÇAMENTO: 'INTELECTUAIS NEGRAS: VIDAS, OBRAS E LEGADOS' ORG. LILIAN CONCEIÇÃO DA SILVA
"Com imensa alegria compartilho o pré-lançamento do livro que sou organizadora e coautora com outras mulheres e homens antirracistas, sobre vidas, obras e legados de mulheres negras intelectuais.
Se desejar reservar o seu exemplar, por gentileza, responda-me, efetue um Pix no valor de R$ 50,00 para o meu CNPJ e envie uma cópia do comprovante. Gratidão!!!
59996.250/0001-76
BANCO INTER
Contato: 81-99994.5582"
Lilian Conceição da Silva
OS HERDEIROS DE CARAMURU: O ROMANCE HISTÓRICO QUE POUCOS CONHECEM - VOLUME I
"Os Herdeiros de Caramuru" é um romance histórico de autoria do médico e político cearense Domingos Jaguaribe Filho, escrito no ano de 1880, portanto, final do romantismo brasileiro. Escrito em 02 volumes, insere-se, como gênero literário, no primeiro período romântico, nacionalista e indianista, embora, tenha sido publicado no final do terceiro período. Temos como foco a vida de Caramuru, o jovem português de família nobre, cujo nome era Diogo Álvares Correia, que aproximadamente em 1512, quando ia para São Vicente, naufraga na atual cidade de Salvador, não sendo assassinado pelos Tupinambás, como os demais companheiros a bordo sobreviventes, pelo fato de Paraguassú, filha do Morubixaba Taparica, ter por ele se apaixonado, abandonando o compromisso de se casar com outra liderança indígena de nome Jararaca, o que causaria, anos depois, brigas e rivalidades entre os grupos. Diogo foi chamado pelos Tupinambás de Caramuru-Guassú, Dragão do Mar, por ter feito uso da pólvora, até então desconhecida naquela região pelos naturais do lugar e por isso, passou a ser reverenciado e aumentado o prestígio de seu sogro. O romance, além de mostrar o nascimento inoficioso do que hoje é a Bahia, passando pela concessão da capitania em 1534 a Francisco Pereira Coutinho até a vinda de Tomé de Souza em 1549, trata também de relatar o início do tráfico de indígenas e negros africanos escravizados. O galeão Bretoa, tendo como um dos integrantes da tripulação Fernando de Noronha, foi o primeiro transporte que em 1516 iniciou o tráfico de grande contingente de pessoas indígenas escravizadas no Porto dos Escravos, hoje São Vicente, tendo depois Caramuru se envolvido com tráfico de indígenas escravizados devido contatos realizados com traficantes de pau -brasil e de pessoas indígenas, no período que esteve na França. Inclusive, o romance traz uma segunda carta de Pero Vaz de Caminha narrando os costumes antropofágicos dos povos originários, carta está datada de 01.05.1510, anterior, portanto, ao início do tráfico de indígenas escravizados. O negócio teve prosseguimento através de seu genro Afonso Rodrigues, casado com Magdalena Caramuru, filha de Caramuru e Catarina Paraguaçu. Magdalena é a grande heroína da história, e simboliza o nascimento do Brasil mestiço do sangue português com o indígena. Magdalena foi a primeira mulher alfabetizada no Brasil, inicialmente por seu pai, depois pelo marido e aprimorada pelos Jesuítas. Por ter acesso pela leitura de relatórios de bordo e cartas de jesuítas, em especial de Padre Manuel da Nóbrega, foi uma grande militante contra a escravização e maus tratos de indígenas e negros africanos. Inclusive, a obra registra o início do tráfico negreiro com a vinda do traficante de pau -brasil e de pessoas indígenas, Jorge Lopes Bixorda, que em 1538 trouxe 36 africanos de Angola. Magdalena se opunha a isso, sendo, provavelmente, a primeira militante do Brasil a se opor contra a opressão de raça e cor, tendo problemas com o pai e o marido, retratado como um homem extremamente cruel. A história prossegue relatando a insurgência de nomes contra os maus-tratos da escravidão, relatando o surgimento do Quilombo dos Palmares a partir da fuga em direção ao Rio São Francisco de indígenas e negros escravizados pelos genros de Caramuru, a exemplo de Jaracahepó, indígena escravizado, que liderou revolta no engenho de Afonso Rodrigues, e que por acordo entre negros e indígenas se tornou o primeiro líder de Palmares até 1600, ano de sua morte, e substituído por Roque, intitulado "Zambi" (Zumbi?), negro idoso que trabalhava no referido engenho do genro de Caramuru. Após Roque, narra o romance que Palmares teve mais 04 "Zambis", antes da destruição do Quilombo por Domingos Jorge Velho. O romance ainda retrata como pessoas inocentes, indígena e negra, eram condenadas à forca, através da manipulação da opinião pública. Finaliza o romance com a história do Capitão Lascoeva, vitimizando-se na Espanha de ter sido escravizado no Brasil, o que não aconteceu, como forma de não prestar contas de seu desaparecimento por anos após um furto que cometeu. Assim termina o volume I.
Laura Berquó
sexta-feira, 17 de julho de 2026
PROFESSOR MILTON MARQUES MINISTRARÁ CURSO PARA LEMBRAR OS 70 ANOS DE GRANDE SERTÃO VEREDAS
"Para celebrar os 70 anos da publicação de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa (1908-1967), o professor e membro da Academia Paraibana de Letras Milton Marques Júnior inicia no sábado, dia 25 de julho, o Curso “Uma Leitura de Grande Sertão: Veredas”, no auditório da APL, a partir 09h até 12h.
Depois desta aula inaugural, o professor Milton divulgará o calendário das aulas seguintes, que acontecerão sempre aos sábados, pela manhã.
O curso ministrado pelo professor Milton é gratuito para alunos e professores de toda a rede pública de ensino e, para os demais participantes, terá uma taxa de R$ 50,00. Ao final, será fornecido diploma de participação.
O livro de Guimarães Rosa foi lançado no dia 16 de julho de 1956, logo se transformando em uma obra surpreendente da literatura brasileira. O romance conta a trajetória do jagunço Riobaldo.
Possui graduação em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1981), mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1990) e doutorado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1995), Milton Marques Júnior é Professor aposentado da Universidade Federal da Paraíba, com experiência na área de Letras, em Literatura Brasileira, Portuguesa e Comparada. Ocupa a Cadeira 40 da Academia Paraibana de Letras."
quinta-feira, 16 de julho de 2026
TBT 2013: CARTA ABERTA AO PREFEITO DE ALHANDRA E AJUREMA SAGRADA
"CARTA ABERTA AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO CONSTITUCIONAL DO MUNICÍPIO DE ALHANDRA – PB (marcelo.prefeito@alhandra.pb.gov.br; mizaellmr@gmail.com)
A Comissão de Promoção da Igualdade Racial e da Diversidade Religiosa da OAB/PB vem por meio desta solicitar a V. Exa., que na condição de representante do executivo Municipal, eleito democraticamente para representar a tod@s @s alhandrenses, que nesta condição também seja o defensor natural da cultura expressa pela religiosidade que se faz presente em cada parte daquela que deveria ser chamada de Capital da Jurema Sagrada.
Há algum tempo, o IPHAEP cuida de processo de tombamento do sítio onde a Mestre Maria do Acais (Sra. Maria Gonçalves de Barros), nasceu e se dedicou ao culto da Jurema Sagrada. Desde a década de 1970, a Federação dos Cultos Africanos do Estado da Paraíba vem lutando para o reconhecimento do município de Alhandra como Cidade Sagrada da Jurema. Segundo publicação de 1977 (Umbanda no Lar), o então Presidente da Federação dos Cultos Africanos do Estado da Paraíba, o Babalorixá Carlos Leal Rodrigues, informava que pelo menos havia 42 mestres da Jurema Sagrada enterrados em solo alhandrense protegidos por pés-de-Jurema plantados em intenção a eles e que serviram durante toda a década de 1920 até a autorização para os cultos afro-brasileiros na Paraíba, em 1966, de proteção para que esses corpos não fossem vilipendiados, vítimas da repressão policial da época que não via com bons olhos o culto da Jurema Sagrada.
O texto de 1977, elaborado pelo jornalista Marcone Cabral em entrevista feita ao referido Babalorixá, ainda menciona o fato de que um pé-de-Jurema pode viver mais de 200 anos e é uma árvore tipicamente nordestina, da nossa zona da Mata e que em Alhandra viveram e foram enterrados nomes que hoje povoam o imaginário e a crença de pessoas adeptas tanto da Jurema como da Umbanda, como por exemplo, Sr. José de Aguiar, nascido em 1813 e que viveu aproximadamente 114 anos, mais conhecido como “Zé Pilintra”, bem como viveu o Sr. José Vicente, conhecido como “Maluguinho”. Sem citarmos ainda Mestre Maria do Acais, morta em 1937, Mestre Tertuliano, Mestre Joana Pé de Chita, etc.
Recentemente essa Comissão ingressou com pedido de tombamento do Templo Espírita Mestre Jardecilha, também em Alhandra. A Comissão agora se coloca à disposição daqueles que pretendem também pedir o tombamento do Templo de Mãe Rita, falecida mestre juremeira e umbandista, que hoje, após a morte de Mãe Judite (responsável pelo local após a morte de Mãe Rita), encontra-se em vias de ser totalmente destruído, incluindo-se os assentamentos firmados. É uma perda muito grande para Alhandra a descaracterização da história do município a partir de atos praticados por pessoas que não respeitam a religiosidade, colocando o direito a herança sobre o interesse coletivo. Por essa razão, ressalto que o município de Alhandra dispõe de meios para resolver o problema, como o pedido de tombamento e incentivo à discussão sobre diversidade religiosa.
O pedido de tombamento pode ser requerido por quaisquer pessoas. Com base na Lei Estadual n.º 9.040/2009, assim como os bens materiais, os bens culturais imateriais também podem ser tombados. Tanto o templo, os pés-de-jurema preta e toda a espiritualidade, toda essa carga cultural encontra arrimo na lei citada para sua proteção. Por que a Prefeitura Municipal de Alhandra ou o Prefeito Constitucional desse município na condição de cidadão, não o faz? Ou até mesmo a desapropriação da área, não para incentivo de uma fé específica, o que iria ferir o Estado laico, mas para preservação da herança cultural do município, criando-se vários sítios e espaços que serviriam para manter viva a memória e incentivar a discussão em torno da cultura afro-ameríndia, da diversidade e igualdade religiosa.
Vimos que até hoje nenhum dos gestores municipais em Alhandra se ocuparam e se preocuparam com essa herança cultural deixada por índios e negros, que perdura até hoje em diversos municípios do litoral sul paraibano. Vejam o caso da Praia de Tambaba no município do Conde, onde @s antig@s juremeir@s, desde o tempo d@s noss@s ancestrais indígenas, muito antes da chegada dos portugueses, acreditavam ser ali um portal espiritual, a sétima cidade espiritual da Jurema Sagrada e até a década de 1970 era um ponto de comemorações e liturgia para os adeptos da Jurema Sagrada em nosso estado.
O potencial turístico do município de Alhandra também poderia ser melhor explorado através de projetos que promovessem o turismo religioso na região. São ideias fáceis de se ter, mas que infelizmente ainda não foram pensadas ou colocadas em prática pelos gestores de Alhandra.
Por essa razão, esta Comissão resolveu dar voz e divulgar a carta escrita por Mestre Joana Juremeira, escrita para o senhor, e se coloca desde já para quaisquer orientações e apoios que por ventura se façam necessários. Solicita ainda, audiência com V. Exa., para discutirmos estas questões, bem como a necessidade de uma cultura de respeito à diversidade religiosa.
“ILMº SR. PREFEITO DE ALHANDRA
MARCELO RODRIGUES
Sendo sabedor(a) que um descaso com nossa tradição e cultura de Alhandra, estou lhe informando e solicitando suas providencias...
1- O senhor deve ter conhecido a Mãe Rita (orô) já falecida que tinha um centro de umbanda e jurema ai na sua cidade, casa essa muito antiga e bem conceituada no Brasil e fora dele, uma referencia da tradição cultural dessa cidade.
2- Com o falecimento de Mãe Rita o terreiro que já era de responsabilidade de mãe Judite, continuou assim até que com a necessidade de alguns consertos no telhado o pessoal que compõe a Associação Espirita de Juremeiros de Alhandra uniram-se e começaram os consertos.
3- Um dos descendentes da nossa saudosa Mãe Rita chegou e mandou parar pois iria ser demolido o terreiro e as firmezas e assentamentos dos mestres dela seria jogados ao rio. Enfim embarbaram a restauração do terreiro, um casa centenária , referencia de jurema na cidade, casa essa que abrigou e ajudou muitos filhos de Alhandra, super conhecida no Brasil e em outros países, não pode ser demolida, seria até uma ato de crime cultural, pois faz parte da historia da cidade.
Venho por meio deste solicitar de Vossa Senhoria uma providencia que coíba esse ato de desumanidade e crime cultural, sabendo que a prefeitura de Alhandra pode pelo menos inicialmente impedir a demolição, enquanto estamos tomando medidas para um tombamento do referido.
Contando com sua compreensão e empenho coloco-me a sua disposição e desde já agradeço.
ASSINEM E ENVIEM”
João Pessoa, 30 de junho de 2013.
Laura Taddei Alves Pereira Pinto Berquó
Presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial e da Diversidade Religiosa da OAB/PB"
terça-feira, 14 de julho de 2026
AS MATRIARCAS DO POVO BRASILEIRO: ANTÔNIA RODRIGUES E O TRÁGICO FIM DE SEUS DESCENDENTES
Getúlio Vargas - Foto da Internet
As três Matriarcas do Povo Brasileiro são consideradas Bartira, Catarina Paraguaçu e Muirã Ubi (Maria do Espírito Santo Arcoverde), segundo o Dicionário das Mulheres do Brasil. Assú Piquerobi (Antônia Rodrigues) filha do Morubixaba Piquerobi, apesar de ter deixado ilustre descendência, não teve a mesma projeção de seu nome, como sua prima Bartira. De Antônia, a historia do Brasil nos traz 3 ilustres descendentes. As chamadas matriarcas do povo brasileiro foram assim denominadas pelos casamentos que fizeram com portugueses e pelo fato de seus pais terem sido Morubixabas. A partir desses casamentos houve a facilitação do projeto de colonização do país. A irmã de Antônia se chamava Terebê (filha de Piquerobi e homônima da prima, filha de Tibiriçá). O marido de Terebê foi o cristão-novo, possivelmente degredado de Portugal, Cosme Fernandes Pessoa, que seria o verdadeiro fundador de São Vicente, pois se encontrava no Brasil juntamente com João Ramalho e Antonio Rodrigues, todos também de origem cristã-nova, muito antes do início oficial da colonização. O certo é que quando Martim Afonso de Sousa chegou em janeiro de 1532, o núcleo de São Vicente já existia (Diário de Navegação de autoria de Pero Lopes de Sousa), assim como Cananéa. Antônia Rodrigues casou com Antonio Rodrigues. Descendiam de Antônia Rodrigues: 1. Amador Bueno de Ribeira, o Aclamado, descendente tanto de Antônia Rodrigues e de sua irmã Terebê, sendo assim duaa vezes descendente de Piquerobi. Amador se recusou a ser Rei e talvez por isso, tenha escapado da triste sina de outros descendentes. 2. Por sua vez, descende de Amador Bueno de Ribeira, o Aclamado, o ex Presidente Getúlio Vargas. Getúlio Vargas descende mais uma vez de Piquerobi pela neta Maria Gardete Fernandes, filha de Terebê, descendendo três vezes de Piquerobi. Também descende de Tibiriçá pela filha Bartira. Por fim, o descendente mártir de Antônia Rodrigues foi o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Todos descendentes do Morubixaba Piquerobi. A aldeia principal sob o domínio de Piquerobi ficava onde hoje é o distrito de São Miguel Paulista na cidade de São Paulo. Na Paraíba, analisando árvores genealógicas, verifiquei que o Interventor da Paraíba Antenor Navarro também descendia do casal Antônia Rodrigues e Antônio Rodrigues. Morreu tragicamente de um acidente aéreo em 1932. As árvores genealógicas podem ser consultadas no site FamilySearch. Descendo de Antônia Rodrigues (Assú Piquerobi) com Antônio Rodrigues, de João Ramalho e Bartira, de Terebê Piquerobi e Cosme Fernandes Pessoa, justamente da filha Maria Gardete, de Terebê (filha de Tibiriça) e de Pero Dias e depois de viúvo, de Pero Dias com Maria Gomes da Silva,sendo todos minhas décimas-quintas avós e décimo quinto- avôs. Enquanto, no Nordeste as matriarcas são de origem cristã-nova comprovada e indígena (Muirã Ubi e Catarina Paraguaçu), no ramo genealógico luso-brasileiro de São Vicente, tudo indica que são os patriarcas crsitãos-novos e as matriarcas de origem indígena. Piquerobi, Tibiriçá e Martim Afonso de Sousa são meus décimo -sextos avôs.
Laura Berquó
AS MATRIARCAS JUDIAS DO NORDESTE
A casa da foto é atualmente um centro de artesanato em Olinda-PE, mas no século XVI teria funcionado a primeira escola para moças no Brasil e também sido uma Sinagoga clandestina. A propriedade teria pertencido à Branca Dias Coronel e ao seu marido Diogo Fernandes Santiago, ambos judeus. Ela chegou aos 27 anos no Brasil. Antes, passou uma década em Portugal presa e se defendendo das acusações do Santo Ofício. Conseguiu fugir para cá, onde o marido já se encontrava, mas sua mãe e irmã foram mortas pela Inquisição. Ela é o símbolo do judaísmo no Nordeste, um tipo de matriarca dos cristãos-novos nordestinos. Branca Dias Coronel teve vários filhos e criou a filha do marido nascida aqui na sua ausência. A menina se chamava Briolanja, um nome que se popularizou em fins da Idade Média na Península Ibérica. Muitos filhos de Branca Dias Coronel foram enviados para Lisboa, porque após a morte dela e do marido, no período entre 1591-1595 houve a primeira Visitação do Santo Ofício nas Capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Parahyba. Em breve, trarei em outra postagem o nome das denunciantes e o que consta dos relatórios feitos pelo Inquisidor Heitor Mendonça de Furtado. Os filhos de Branca Dias foram, então, perseguidos e muitos terminaram na indigência em Lisboa como uma filha deficiente física, chamada Beatriz (Brites), que virou mendiga em Portugal. Uma filha que conseguiu ter uma sorte diferente e deixou vasta descendência no Nordeste (sobretudo de Pernambuco ao Ceará) foi Inês. Mas, analisando árvores genealógicas, descobri outra filha. Dificilmente uma família da elite política nordestina não descende de Branca Dias quando chegamos, sobretudo, no sertão da Paraíba, sertão e seridó do Rio Grande do Norte e Sobral e adjacências (no Ceará). Porém, embora Branca Dias seja a matriarca judia mais famosa do Nordeste, todas as famílias que têm origem no início da colonização luso-brasileira nordestina (a partir de Pernambuco com a vinda de Duarte Coelho em 1535) e criaram uma elite política regional, têm sua origem em outras mulheres judias que tiveram casamentos com holandeses que aqui chegaram mais de meio século antes das Invasão Holandesa do início século XVII. É assim que teremos os ramos da família Hollanda ou Holanda (de Alagoas ao Ceará) que descendem de Brites Mendes de Vasconcellos Góes, que apesar de neta de Dom Manuel, o Venturoso (avô paterno), perseguidor de cristãos-novos, era judia porque sua mãe Joana Góis de Vasconcellos era judia, filha de pai e mãe judeus sefarditas. Os filhos de Brites com o holandês Arnaud Florentz Boyens van Holland que mais aparecem em árvores genealógicas, para citarmos os mais conhecidos e que deram origem às famílias de diversos sobrenomes da política e cultura locais são as filhas Anna e Adriana Holanda e o filho Arnau de Holanda. Todas as colonizadoras judias citadas também eram senhoras de engenho a partir do século XVI e foram contemporâneas de outras matriarcas nordestinas como Muirã Ubí (Maria do Espírito Santo Arcoverde), Mércia e Felippa de Mello, todas com vasta descendência com o Adão Pernambucano, o Capitão- Mor Jerónimo de Albuquerque. Falaremos das esposas e descendentes de Jerónimo de Albuquerque em outra oportunidade.
As árvores genealógicas podem ser consultadas no FamiliySearch.
Em outro post irei disponibilizar fontes de consulta sobre Branca Dias Coronel. O conteúdo citado se refere a fontes que li há algum tempo disponíveis no Family Search.
Laura Berquó
INÊS DE SOUSA (RIO) ANTECEDE À CLARA CAMARÃO (TEJUCUPAPO)
(Rio, século XVI. Internet. Portal da Prefeitura do Rio de Janeiro)
INÊS DE SOUSA É ANTERIOR À CLARA CAMARÃO
Resolvi fazer a postagem sobre Inês de Sousa, porque vi na internet (Instagram) postagem que dá conta que Clara Camarão foi a primeira mulher no Brasil a liderar outras mulheres contra invasões europeias, citando a Batalha de Tejucupapo em Goiana, Pernambuco, no ano de 1646. A heroína da nação potiguara teve intensa luta contra os holandeses, sendo importante para a história da Paraíba, Rio Grande do Norte e de todo o Nordeste. Mas a primazia coube à Inês de Sousa, esposa do segundo Governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, que liderou bravamente mulheres contra a invasão de franceses na cidade carioca no final do século XVI. Foi tão bem sucedida que os franceses só retornaram ao Rio nos anos de 1710/1711. A primazia cabe à Inês e não à Clara. Mas, talvez seja apagada por ser colonizadora. Clara Camarão em breve será homenageada aqui.
Laura Berquó
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