EPA HEY!!!
domingo, 7 de junho de 2026
AINDA SOBRE A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA E O ADULTOCENTRISMO
O medo de relacionamento nas mulheres é um dos sintomas da violência adultocêntrica. Certa vez, conversando com um colega muito estudioso de psicologia, perguntou-me: "o primeiro sentimento que você teve por seu pai foi medo? Você tinha medo do seu pai?". Eu disse: "sim, eu era criança e não tinha como não ter medo do que eu passava". E completei: "mas o medo passou quando adulta e vieram as brigas por exigência de respeito". Aí ele me disse: "seu "medo" de relacionamento está ligado ao "medo" de seu pai". Se na violência adultocêntrica contra meninos, vemos na fase adulta eles na busca por reafirmação de poder reproduzindo violência ou reconhecendo como privilégio masculino a violência que sofreram para continuarem reproduzindo como um status de poder, nas mulheres vemos a reação como medo de relacionamento disfarçado de "escolha", "liberdade", "independência", etc. Talvez haja um grande desencontro entre o que as mulheres reproduzam como sinônimo de "empoderamento" (entre aspas, porque para mim empoderamento sem aspas é sempre coletivo) e a tentativa de não encararem seus medos e traumas. Talvez isso explique a quantidade de mulheres que optam pela solidão nos tempos atuais, sem desconsiderar, claro, outros aspectos como a violência masculina, o aumento de homens escorões, etc. Adultos violentos esperam que os filhos tenham medo como sinônimo de respeito. Os filhos crescem, o medo passa, e a única colheita desses pais é a ausência de afeto e de respeito dos filhos, porque vencido o medo, não resta nada. As mulheres nem sempre são vítimas. Ahhh! O patriarcado! Sim, o patriarcado tem culpa. Tem culpa, porque as mulheres na ânsia de manterem uma relação afetiva, fazem da própria omissão uma garantia de permanecerem sendo escolhidas. Dependência emocional pelo agressor do filho, embora sirva de desculpa para a omissão, é também uma forma de dizer: "eu amo mais o pai/padrasto do meu filho, que a meu filho". O patriarcado coloca a validação de uma mulher pelo homem como status. A forma de validação maior é o casamento ou uma união estável. Mas em lares violentos, é uma forma de dizer ao filho que ele já nasceu em desvantagem e terá que se virar sozinho para sobreviver, melhor, para se defender. Se você passar perto do ninho de uma rata, ela avançará para cima de você. Não é natural não defender a cria. Há uma corrupção, por parte da mulher nesses casos: validação, poder, narcisismo, dependência emocional etc. Falo de mulheres independentes financeiramente, mulheres informadas, como também de mulheres que não são. Atualmente, temos visto a onda crescente de busca por ser esposa-troféu. É a nova forma de validação feminina. É a glória para as escolhidas no patriarcado. A tendência será agravar ainda mais a violência adultocêntrica e termos mais mulheres omissas. A violência adultocêntrica conta com a colaboração de homens e mulheres na mesma proporção. O patriarcado dá mais visibilidade ao homem. Mas sem a mulher, a violência adultocêntrica é difícil de ser sustentada. Falamos até agora da mulher omissa. Mas há diversos casos de mulheres violentas com crianças. O que me espanta é como homens lidam com isso, quando adultos, no patriarcado. Observo homens que foram agredidos por pai e outros por mãe. Quando a agressão parte da mãe, há uma ferida que não fecha, e esses homens tendem a promover comportamentos e falas misóginas, busca por companheiras independentes que precisam ser dominadas e diminuídas, como forma de dominarem a mãe. Quando esses homens sofrem violência do pai, tendem a seguir a vida, sem exposição das feridas, normalizando agressões contra crianças, como comportamento corretivo, porque vêem a violência, desde pequenos, como um privilégio masculino. A impressão que tenho é que se tornam solidários aos seus espancandores para manterem privilégios e o uso da violência é um deles. Mais sobre isso falarei em A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA que será lançado no início de 2027.
Laura Berquó
O DIREITO ESTÁ ACABANDO
O Direito está acabando enquanto técnica. Como a gente vive numa época em que, infelizmente, até quando usamos a figura da ironia precisamos colocar entre parêntesis (contém ironia/é ironia), para não sermos linchados por quem tem problema de interpretação, registro que não estou contra o direito de grupos minoritários, mas para que esses direitos sejam devidamente assegurados pelo Direito, tem que se afastar a militância nas decisões e se manter realmente a técnica, a ciência do direito. A militância serve para mudar o Direito, a partir da insurreição da sociedade diante de um fato (uma fonte material) que dá origem à norma jurídica, à lei. Também sabemos que existem os mecanismos de integração das normas jurídicas em caso de lacunas. Mas nunca e simplesmente a militância poderá substituir a técnica, o caminho correto de se transformar o que é reivindicado em fonte formal do Direito. E falo disso, porque há um tempo me incomoda as discussões sobre o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero por dois fatores: de um lado, o feminismo no Judiciário que quer passar sobre a técnica e do outro a extrema-direita misógina que quer discutir militância e não a técnica também. São 2 forças contrapostas que buscam impor o poder de suas vontades, mas não discutem se do ponto de vista jurídico se atentou para a natureza jurídica das fontes e a sua aplicabilidade a partir disso. Se uma resolução só existe porque há lei anterior, qual a lei que trata da Resolução do CNJ para igualdade de gênero, perspectiva, etc? A Lei Maria da Penha seria a origem? Não. O caso que deu origem foi o Caso Márcia Barbosa x Brasil na Corte IDH. No caso, o Brasil foi obrigado a criar Protocolos de Julgamento conforme decisão da Corte IDH. Mas a Resolução, embora se alegue que se aplica à orientação interna do Judiciário, acaba produzindo efeito para toda a sociedade. A Resolução pura e simplesmente independe de uma lei que pudesse tratar da questão? Qual a dificuldade do Poder Judiciário ter a iniciativa em projeto de lei para tratar da questão e com a existência da Lei emitir resolução interna para o Poder Judiciário? Inclusive uma lei poderia estender seus efeitos para fora do Poder Judiciário e promover uma reeducação contra a misoginia estrutural. Laura Berquó
sexta-feira, 5 de junho de 2026
40° LIVRO DO PROFESSOR RICARDO LUCAS CAMARGO
O Professor Doutor Ricardo Lucas Camargo, Professor Associado da Faculdade de Direito da UFRGS, lançou seu 40° livro, intitulado ECONOMIA E DIREITO NO PENSAMENTO ÉTICO OCIDENTAL. Tive a honra de ter meu livro PARECERES JURÍDICOS citado na nova obra do Professor. Vamos à leitura.
Laura Berquó
AOS VOYEURS
No início, confesso que baixei por controle e proteção o aplicativo para visualizar quem entra no meu Instagram, sem me seguir, sem me curtir, só vampirizando a energia da bonitona aqui. Meu receio é porque começo a receber sugestãões de amizades de pessoas que eu realmente sei que me farão mal na primeira oportunidade, como resquícios das contendas daqui. Vi pessoas que eu nem imaginava me stalkeando. Acho o voyeurismo muito interessante. Aguça meu lado exibicionista. Realmente, está sendo maravilhosamente excitante o que começou como defesa e agora me permite relaxar. "Relaxe e Goze", mas vigiai, também, né minha filha? Porque o inimigo não dorme.
Laura Berquó
VIOLÊNCIA ADULTOCÊNTRICA E A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA COMO GARANTIDORA
Ainda sobre a fala da Magistrada Elizabeth Louro, que foi assunto do post anterior, o "feminismo" acionado para invisibilizar a violência adultocêntrica e mais uma vez comprovar o criticado narcisismo de discursos identitaristas vazios é, sem dúvidas, um dos alimentos da mulheridade branca burguesa na manutenção do seu exercício paralelo de estruturas de opressões. Nada mais romano e patriarcal que violência adultocêntrica. Basta dar uma lida ligeira na Lei das XII Tábuas. Esse discurso feminista liberal, em que mulheres querem as mesmas igualdades dos homens, ainda que interpretado de forma equivocada, ainda que criem outras opressões, é o que feministas decoloniais como Nancy Fraser, Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya afirmam que só representa simbolicamente 1% das mulheres que são brancas, burguesas, hetero, cis, sem deficiências, cristãs, etc etc. Eu não sou chegada ao feminismo liberal. Sou uma apreciadora do anarcofeminismo na busca por igualdade de direitos com os homens e dos feminismos negro, interseccional e decolonial que se insurgem contra estruturas de opressão mantidas por outras mulheres. Não eximo mulheres de suas responsabilidades, embora possam ser vítimas de misoginia e morrerem por isso. Não sou a favor do aborto indiscriminado, defendido por feministas, porque vejo como a primeira violência adultocêntrica, em que mulheres querem disputar com o patriarcado o antigo direito de gládio sobre corpos mais frágeis. Nós, mulheres, podemos ser violentas e devemos responder por isso. Nós,mulheres, podemos nos omitir de fazer o bem ou evitar o mal e devemos responder por isso. Não há como discursos feministas liberais se suportarem sem críticas. Vejam que hoje já se reconhece os efeitos nefastos do "protagonismo" feminino de perseguição e opressão de mulheres contra mulheres chamado Wollying. Desde Medeia, em que houve naquele mundo mítico grego e patriarcal a subversão da ordem, porque somente homens tinham o direito de gládio sobre filhos e disposição da vida das mulheres, temos atualmente não a subversão da ordem, mas manutenção da ordem, manutenção de estruturas de opressões praticadas por mulheres de grupos priviligiados. Vemos a reafirmação de poder da mulheridade branca burguesa, com o auxilio do feminismo liberal combinado com o narcisismo próprio dos discursos identitaristas sem crítica séria.
Até o fim do ano finalizo o livro A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA onde aprofundaremos eses pontos, com lançamento para 2027.
Laura Berquó
quinta-feira, 4 de junho de 2026
VIOLÊNCIA ADULTOCÊNTRICA X VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Muitas críticas estão sendo feitas à Magistrada Elizabeth Louro, devido à sua fala sobre "misoginia", "vitima" ,"massacre midiático", "patriarcado" etc ao justificar a concessão do perdão judicial à mãe de Henry Borel, no julgamento que se encerrou em 04.06.2026 no 2° Tribunal do Júri da Comarca do Rio. Eu vou me ater ao seguinte: o Judiciário brasileiro está preparado para debater violência adultocêntrica? Tendo a criança como foco dessa violência e não como um apêndice da mãe? A revolta que a fala da Magistrada causa está em repetir a mesma violência do patriarcado, que diz condenar, que é a violência adultocêntrica, tão recorrente e escondida em lares brancos e só trazida à tona quando tragédias desse tipo acontecem. A violência adultocêntrica precede a violência de gênero. A violência capacitista também. Nem sempre a violência exclusivamente de gênero existirá numa sobreposição de estruturas de opressão. Eu realmente não suporto o feminismo liberal, em que devemos ter direitos supostamente iguais aos dos homens brancos e burgueses, para criarmos privilégios paralelos de opressão sobre outros grupos coomo crianças, mulheres negras, pobres etc. Mas, se fosse a partir de uma análise interseccional, em que a violência adultocêntrica também pode ser referenciada nas discussões de gênero, classe e raça, essa fala não seria possível. Nada mais branco, burguês e patriarcal que falar equivocadamente em misoginia em detrimento de violência adultocêntrica.
Laura Berquó
PARCERIA JURÍDICA NA ÁREA DE DIREITOS HUMANOS
PARCERIA PROFISSIONAL NA ÁREA DE DIREITOS HUMANOS
Em dezembro de 2025, Dra Talitha Camargo, Dra Izabela e eu protocolamos (PROTOCOLO DA PETIÇÃO - CIDH - 0000106558 ) junto à CIDH, denúncia de torturas e a morte da presa no Caso Adriana de Paiva Rodrigues que ocorreram na Penitenciária Feminina Maria Júlia Maranhão, bem como o assédio judicial sistemático que sofri patrocinado pelo Governo do Estado da Paraíba e pessoas ligadas àquela gestão. Agora, anunciamos que eu e Dra Talitha Camargo @talithacamargo.adv estamos formando parceria para trabalharmos juntas em outros casos perante à CIDH-OEA. Dra Talitha Camargo é advogada e Jornalista, com Mestrado em Ciência, Tecnologia e Sociedade. Advoga em outros casos junto à CIDH. Trago, para nosso compartilhamento nessa empreitada, a minha experiência aguerrida enquanto militante de Direitos Humanos e advogada. Laura Berquó
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