EPA HEY!!!
domingo, 17 de maio de 2026
E O ED MOTTA?
O que Ed Motta destilou de insulto xenofóbo é uma realidade carioca. Quando me preparava para morar na Paraíba, aos 13 anos ouvi uma professora no Rio me dizer: "mas logo a Paraíba? Um lugar atrasado!", e sinceramente não entendia, porque meu pai falava maravilhas do Nordeste, ja que sempre viajava para cá. O Rio não admite, os cariocas não admitem que são xenófobos. Infelizmente essa é a realidade que tentam disfarçar, porque não pega bem assumir ser preconceituoso. Era comum quando eu retornava ao Rio antes, pessoas me mostrarwem lojas de O Boticário, CeA, etc, como se aqui não tivesse essas coisas. Mas essa xenofobia tem raiz em outro preconceito que o carioca também não admite que é a aporofobia. Mais do que aqui, há um preconceito maior com pobres. Um desprezo ate pelo bairro onde você mora. No Rio se vive mais de aparência que aqui. Como muitos nordestinos que migraram foram fugidos da seca, o carioca associou Nordeste à pobreza. Está na hora de se abrirem para o mundo da informação. Em todo lugar há coisas boas e ruins. E se soubessem que aqui os "paraíbas" amam seu próprio sotaque, sua cultura, sua culinária, sua família, seu artesanato sem desprestigiar outras origens, poderiam aprender muito com o povo da Paraíba.
Ed Motta, embora seja um homem negro e obeso que também pode ser vítima de racismo e lipofobia, exala xenofobia, porque se vê numa estrutura acima como nos ensina o feminismo insterseccional.
A INFIDELIDADE DO HOMEM POBRE
Infidelidade nenhuma é boa. Mas do homem pobre é pior, sem dúvidas, porque não permite nem que a mulher sofra com conforto. Não estou aqui defendendo monogamia ou poligamia. Em seus contextos sociais, organizados, cada cultura desenvolve sua forma de estruturar a sociedade a partir das uniões. Mas como seguimos a tradição cristã, somos convocados à monogamia. A monogamia foi, até certo ponto, a vitória das mulheres. Poder controlar a sexualidade do homem ofertando ou negando afeto/sexo e ainda poderem se vitimizar em caso de infidelidade masculina. Controlar também os rendimentos do marido para aplicarem à sua prole e não para a prole de outras mulheres. A monogamia do ponto de vista do controle do homem e da sobrevivência da prole, não foi tão ruim para as mulheres casadas, embora se diga que as mulheres também não possam ter diversidade de parceiros. Mas a poliandria ainda é exceção nas diversas culturas. Mas amtes que me acusem de aporofobia, não se trata de defender traição de homem rico e reclamar da traição de homem pobre. O que me irrita no homem pobre é a ingratidão. Se você casa com um homem pobre, ninguém duvida que foi por amor. Talvez sejam um dos poucos seres humanos que possam ter certeza de serem amados pelo que são. Certa vez um homem casado me cantou e eu realmente tive muita raiva e dentre os motivos era a pobreza dele, sem dúvidas. Como nunca dei cabimento ou espaço, ainda foi se vitimizar, porque se tem um homem pra ficar infernizando na sua cola é o tal do homem casado, seja rico ou pobre. Mas enfim. Foi logo dizendo que era casado (para que eu não esperasse nada sério, caso o quisesse), que não tinha posses (iria fazer minha casa de motel) e que era vasectomizado (iria querer ter relações sem preservativo). Deixei falando só muitas vezes, com um grande desprezo, até que um dia saiu se vitimizando em um grupo de whatsapp. E foram muitos pobres casados sem resposta ou me fazendo explodir com o assédio que só diminuiu com a criminalização do stalker. Vendo que a mulher mora só, o liso casado planeja fazer sua casa de motel para não mexer no orçamento da casa dele que já é contado. Mas foi a fala de uma feminista negra que me fez enxergar uma realidade mais triste da mulher traida pelo marido pobre: "enquanto a roupa do rico é lavada na máquina por empregadas, a do pobre é a própria esposa traida que esfrega para tirar o perfume da outra". Definitivamente, não tenho certas simpatias romantizadas para homens pobres.
Laura Berquó
SITÔNIO PINTO E O SAIR: DOM SERTÃO, DONA SECA
E em pleno solstício de inverno de 2022 nos deixava o grande amigo Otávio Sitônio Pinto. Um ótimo escritor, foi um historiador que buscava entender o passado para transformar o ambiente que o cercava, oferecendo respostas para o desenvolvimento do semiárido nordestino. Sitônio foi um dos verdadeiros comunistas que conheci, com base teórica e com estilo de vida compatível com suas crenças ideológicas e morais. A obra 'Dom Sertão, Dona Seca' traz não somente informações históricas do município de Princesa Isabel (Sitônio era um saudosista e sobrinho-neto do Coronel Zé Pereira), mas sugere alternativas econômicas para o semiárido de uma sacada sem igual, respeitando o bioma da caating e, dentro justamente das limitações do clima semiárido irregular nordestino, trouxe propostas de solução para o antigo problema da seca. Cria a expressão SAIR para designar o Semi-Árido Irregular nordestino. Também foi um grande amigo que contamos, tendo nos ajudado financiando a passagem para o Rio de Janeiro de Felícia Aurora, angolana vítima de tráfico internacional de pessoas para a Paraíba, que eu representei na condição de advogada. Sitônio financiou os custos para que pudéssemos ir ao Rio até o Consulado Angolano, porque o Consulado só forneceu a passagem de ida do Rio para Angola para Felícia. Foi um grande amigo e sua memória deve ser lembrada pela sua produção e pelo seu estilo de vida compatível com o que pregava. (Foto Internet)
Laura Berquó
ABIKUNIDADE E O FIM DA DINASTIA DE AVIS
Dom Sebastião, o Desejado (Gravura Internet)
Para nós, integrantes do Candomblé, existe um fenômeno chamado Abikunidade ou abikuidade. Existem sociedades no plano espiritual chamadas Egbé Orum. No plano material vivemos em Egbé Aiyé. Egbé significa comunidade. Os abikus também têm sua própria comunidade em Egbé Orum. Ressalte-se que no Orum também não existe um único Egbé como dito, tendo Egbé-abikú e outros. Uma pessoa abikú tem seu destino marcado por mortes no parto (da criança ou da mãe), abortos, mortes ainda em tenra idade, e não raro mortes trágicas na vida adulta às vésperas de grandes eventos ou sem maiores explicações até verificarmos esses históricos familiares. O que para alguns já seria uma característica para abikús que sobrevivem à idade infantil, provocando sofrimento aos que ficam. No caso da Dinastia de Avis é facilmente verificável a existência da abikunidade ou abikuidade. Na verdade o fim da Dinastia de Avis chega com o desaparecimento de Dom Sebastião, o Desejado, aos 24 anos na Batalha de Alcácer Qibir em 1578. Após esse fato, seu tio Arcebispo governa por 2 anos Portugal até cair nas mãos de Dom Felipe da Espanha a Coroa Portuguesa. Dom Sebastião era o único fio de esperança da Dinastia de Avis. Por isso, ao nascer recebeu o apelido de "O Desejado". Seu pai, João Manuel, filho de Dom João III, morreu na fase adulta antes mesmo de conhecer o filho. Mas e os outros possíveis herdeiros de Dom João III? Por que não vingou a Dinastia de Avis, tendo fim no século XVI? A Dinastia de Avis esteve por um fio até Dom João II de Portugal decidir fazer seu sucessor seu primo e cunhado Dom Manuel, o Venturoso em 1595. Dom João III é filho de Dom Manuel. Ocorre que os filhos de Dom João III morriam em tenra idade ou no parto ou antes dos 2 anos. Os que sobreviveram na fase adulta, morreram cedo também (com exceção do Arcebispo), restando apenas Dom Sebastião como depositário da Dinastia de Avis, tendo morrido aos 24 anos, pondo fim aos quase 200 anos de uma história iniciada por 1383 após o fim da Dinastia de Borgonha. O único ramo de descendentes da Dinastia de Avis é o ramo ilegítimo de Dom João III. Ultra católico, sua filha judia tida antes do casamento, teve que se exilar nas Ilhas Madeiras, local de destino de muitos judeus antes de imigrarem para o Brasil.
Laura Berquó
SOBRE O BOTAFOGO
BOTAFOGO, BOTAFOGO, CAMPEÃO..."Apesar do texto iniciar com o hino do clube de Futebol, quero falar da figura histórica controversa que deu nome ao bairro e consequentemente ao time. João Pereira de Sousa, o Botafogo, foi um grande artilheiro do Galeão São João Batista, o maior de seu tempo, recebendo portanto, o apelido de "Botafogo". Washington Luis em sua obra Capitania de São Vicente resolveu escrever para descendentes de Botafogo no Rio para saber se foi o mesmo Capitão -Mor homônimo e judeu que governou a Capitania em fins do século XVI início e do século XVII. O interessante é que analisando a árvore genealógica de Washington Luiz percebemos que ele descendia de Botafogo, mas talvez não soubesse. Segundo Pedro Dória, trata-se da mesma pessoa. Botafogo era judeu e veio fugido de Portugal por perseguições políticas e dividas. Era meu décimo -segundo avô, daí meu interesse na figura e em sua segunda esposa Maria da Luz Escorcia Drummond, também judia por uma via e descendente de escoceses por outra via. Descendo da já carioca Úrsula Pereira, filha caçula do casal. Botafogo tinha ancestrais comuns com sua esposa, porque também descendia de escoceses. O bairro de Botafogo corresponde, a partir de 1590, à sesmaria concedida a Botafogo, que se iniciava próxima à Urca e se dirigia até próxima à rua Paysandu no Flamengo. Não sei se por medo da invasão dos franceses, mas no século XVIII sua descendência já se encontrava quase completamente instalada nas freguesias rurais de Irajá e Inhaúma, dando origem a vários ramos entrelaçados com cristãos-novos como os que descendiam do advogado judeu Jorge Fernandes da Fonseca, também meu décimo-segundo avô. As terras na atual praia de Botafogo obteve do sesmeiro Francisco Velho, meu décimo quarto avô, que foi refém dos Tamoios e ergueu a primeira igreja de São Sebastião na Urca, antes de ser transferida anos depois para o Morro do Castelo. As sesmarias em Irajá, ocorrendo no século XVIII a divisão na freguesia rural e criando a de Inhaúma, adquiriu aprisionando tamoios em Cabo Frio, quando houve a rendição total deles. Chegou pobre, processado e endividado ao Brasil, teve filhos perseguidos por serem judeus em Portugal, mas desposou Maria da Luz em São Vicente e migrou para o Rio onde lutou ao lado de Estácio de Sá. Morreu em torno dos 80 anos e antes serviu como testemunha no processo de beatificação de Padre Anchieta não tendo prestado grandes informações a respeito.
Laura Berquó
sábado, 16 de maio de 2026
O QUE NÃO FALAM PARA AS MULHERES SOBRE A ADVOCACIA
Podem não falar, mas muitas devem sentir. Comecei a estagiar aos 21 anos junto ao escritório de Prática da Universidade que tinha convênio com a Defensoria Pública. Adorava, porque inclusive no meu teste vocacional deu grande inclinação para Serviço Social e Letras empatados. Direito veio em terceiro lugar. Como era algo que eu fazia por prazer, não me sentia mal. Somente a velha enxaqueca quando adentrava no Fórum, devido à energia de conflito no lugar. Depois fui me adaptando. Aos 23 me inscrevi na Ordem e comecei a advogar mesmo com mais causas aos 25 anos, porque antes me tornei bolsista no Mestrado e não poderia me dedicar a outras atividades. O fato é que após os 30 anos eu passei por momentos delicados e de perseguições aqui que me fizeram viver em alerta constante, correndo atrás de resolver problemas dos outros, entrando finais de semana com prazos e percebi que aquela rotina não me agradava, que o dinheiro não era condizente com meu desgaste, que as pessoas nem sempre respeitavam o meu trabalho e o cortisol foi se acumulando no meu corpo. Só consegui recuperar a estética perdida nesse período denso após me afastar de lugares de conflito, de pessoas tóxicas, de colegas agressivos, a quem eu tinha que revidar para não perder o respeito, próximo ao período da pandemia. Descobri uma paz tão grande que não quero retornar ao inferno que ninguém diz que a advocacia é, dependendo da área, tirando sim a energia da leveza, a energia da beleza, tirando o resto da saúde mental. Ninguém quer falar sobre isso e continuam avaliando a vida das advogadas que recém entraram na profissão ou ainda são muito jovens, que não tiveram tempo de ver o saldo do desgaste como um estilo de vida maravilhoso. Com os homens não é muito diferente. Entravam magros na advocacia, com menos de 40 já acumulavam a calvície, a barriga de cortisol e o ganho de peso. Mas o problema da mulher é que muitas de nós precisamos renunciar à vaidade se quisermos ser respeitadas. Não tenho como não dizer que a advocacia de litígio não me trouxe prejuízos na energia, na aparência, na falta de leveza, etc. Estou dando outro rumo para fora do contencioso e buscando me dedicar aos estudos, à consultoria, livros e pareceres, porque me dá paz e já passei da idade de querer provar algo a alguém. Não preciso provar nada a ninguém e isso é paz. Não preciso provar que sou boa, corajosa, competente, etc. Já provei e já cansei. Na juventude nos incomodamos com o que os outros pensam. Depois vemos que é besteira, porque nosso autoconceito surge mais das crenças limitantes de familiares e da sociedade. Como também muitos discordarão de mim e dirão que sou limitada em dizer que certos ramos da advocacia nos tiram a feminilidade e leveza se quisermos nos fazer respeitar e estaremos lá sempre de terno ou de jeans com uma blusa feminina, mas negociando entre o minimalismo e o feminino, porque morremos de medo de sermos mulheres em um meio de estética masculinizada. Você é nova na profissão ou jovem advogada? Crie estratégias para não se desgastar antes do tempo e cobre bons honorários para poder se cuidar. Essa parte ninguém avisa de como a vida nos ressente da paz, da feminilidade que perdemos tentando ser heroínas o tempo todo. Eu realmente não estou mais disposta a me masculinizar para caber, perder minha saúde mental e leveza como fiz na casa dos 30. Essa parada da pandemia me obrigou a olhar para dentro.
Laura Berquó
"SEXUALIDADE DA MULHER BRASILEIRA" DE MURARO: PARTE 1
Lendo "Sexualidade da Mulher Brasileira. Corpo e Classe Social no Brasil", estudos organizados por Rose Marie Muraro há umas décadas (foto da capa do livro tirada da internet). Lendo ainda a sexualidade da burguesia carioca, mais precisamente das mulheres entrevistadas. Estou no início praticamente. Mas analisando o resultado da pesquisa com falas que tenho visto de diversas artistas sobre o climatério e menopausa antes dos 50, cada vez me convenço que a grande mídia acha realmente que o Rio representa todo o Brasil. E como sou carioca de nascimento e paraibana de coração, as comparações são inevitáveis. Aqui as mulheres entram no climatério e na menopausa em torno dos 52 anos ou mais. Comum ver aqui mulheres de 53 e 54 anos começando o climatério. Independente se são paraibanas ou não, reparei que as nascidas em outros estados aqui são mulheres que migraram para cá muito jovens, crianças ou adolescentes e também retardam o processo do climatério. Creio que a resposta esteja na qualidade da água. É intuição de leiga, mas aqui as fontes de água mineral são muito boas e a água do reservatório daqui cai fina do chuveiro. Há também o fator stress, pois aqui a qualidade de vida é muito melhor, até pouco tempo não se ouvia falar inclusive em poluição das praias, o consumo era mais natural dos alimentos e também se andava mais a pé, como se anda sem medo de toda hora sermos assaltadas, permitindo que a gente se movimente mais. Vendo as entrevistas dessas mulheres percebi o luto que muitas sentem ao passar por essa fase do climatério/menopausa e como isso virou uma indústria que as mulheres aqui não dão muita importância, porque seguem somente o que a ginecologista prescreve e porque aqui há um visão natural das fases da vida da mulher. Aqui ninguém se constrange em dizer que está menstruada, que precisa de um absorvente porque esqueceu em casa alguma unidade, etc. Há uma naturalidade da mulher paraibana em tratar de certos assuntos entre mulheres. Também tratam com naturalidade a chegada do fim da vida reprodutiva como uma nova fase, sem o sentimento de luto que se vê na grande mídia. E lendo a obra acima de Muraro entendi que o luto inconsciente dessas mulheres, no caso, como lido sobre a chamada burguesia carioca, seja o fato de associarem menopausa ao fim da vida sexual, como se a mulher perdesse um grande predicado com o fim da vida reprodutiva. Antes não havia tanta acessibilidade ou informações sobre reposição hormonal e essas crenças limitantes são passadas de geração para geração e como modelo para outras classes sociais. Se considerarmos que a pesquisa tem em torno de 50 anos, não é tanto tempo para mudanças significativas em comportamentos repassados dentro de classes sociais que buscam ser referência. Outro aspecto relevante da pesquisa é o dado da beleza para acesso ao mercado matrimonial e por isso uma ênfase à estética do corpo (que passa por transformações no climatério). Aqui o critério até pouco tempo para casamento na burguesia local tinha a ver com a origem familiar, as relações entre famílias na sociedade, a necessidade de alguns pais casarem virgens suas filhas, não sendo a beleza o ponto central para acesso ao mercado matrimonial. A beleza deveria ser acompanhada desses critérios citados. Não era a isca para contrair casamento. Essas diferenças talvez expliquem o sentimento de luto de muitas mulheres famosas do Sudeste quando dão entrevista sobre a chegada do climatério. Como se realmente fossem perder parte de seu capital erótico e acesso ao mercado afetivo, o que de fato não acontece, porque cresci vendo minhas avós sendo cortejadas mesmo após os 65+.
Lerei o capítulo sobre os homens da burguesia -RJ e a influência disso na sexualidade das mulheres para passarmos à parte da pesquisa sobre o campesinato pernambucano.
Laura Berquó
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