EPA HEY!!!
quarta-feira, 13 de maio de 2026
ORAIEIEU, MINHA MÃE OXUM!
Seja bem-vinda, Mamãe Oxum!
Minha mãe Oxum é meu terceiro Orixá, minha Iabá ancestral que me acompanhará em todas as encarnações. Ela representa meu verdadeiro íntimo. Faz muito sentido com minha Lilith em Leão. Sua energia me dá tanta segurança que o mundo pode estar caindo ao meu redor, mas terei a certeza de que eu sou responsável somente pelo que me cabe. Ela é minha Paz e meu Conforto. Não pego nessa fase, peso dos outros. Ogum e Iansã dão passagem a Oxum para que eu possa ter descanso e olhar para mim mesma. A calmaria que esconde correntezas. Autoestima em paz. Foco e autocentrada. Consciência da própria importância. Sem tempo para o que não é meu. Oxum é bela, porque se prioriza. Oxum é força redirecionada. Não se demora onde querem apagar sua paz, brilho e beleza. Conhece o sentimento do outro, porque calada observa. E calada se vinga, se for preciso. E se alguém tiver algum problema comigo, que se resolva sozinho. Não me dêem porcaria, seja material ou comportamental, porque me recuso a receber. Vou deixar falando só. Oraieieu, Minha Mãe!
Laura Berquó
terça-feira, 12 de maio de 2026
A CONTRIBUIÇÃO DE MANUEL QUERINO E AS JUNTAS DE EMPRÉSTIMO PARA ESCRAVIZADOS QUE ORIGINARAM AS CAIXAS ECONÔMICAS
Recentemente, tem chamado a atenção a seguinte notícia em jornais e no próprio site do Ministério Público Federal:
“MPF cobra aprofundamento de medidas em acervo da Caixa sobre contas de escravizados no século XIX. Relatório do banco sobre escravidão é considerado insuficiente, com inconsistências e críticas de historiadora à pesquisa. O Ministério Público Federal (MPF) classificou como insuficiente o relatório apresentado pela Caixa Econômica Federal sobre registros financeiros de pessoas escravizadas no século XIX e determinou a ampliação da apuração. O órgão apura o papel da instituição financeira na gestão de recursos de pessoas escravizadas e a destinação desses valores, especialmente no período de transição para o fim do regime escravista.
A investigação foi instaurada a partir de representação da entidade Quilombo Raça e Classe e integra a atuação do MPF na promoção do direito à memória e à verdade histórica. Apesar de a Caixa ter identificado 158 cadernetas de poupança em seu acervo histórico, o MPF concluiu que o levantamento é limitado e não responde a questões centrais sobre o destino dos recursos e o papel da instituição no período escravista. Existem no banco cerca de 14.000 documentos da época que não sofreram qualquer tratamento arquivístico.”
A iniciativa tanto da entidade Quilombo Raça e Classe e do próprio Ministério Público Federal é muito interessante não só do ponto de vista da proposta da reparação histórica, mas sobretudo pelo resgate da história de empreendedorismo dos africanos escravizados e seus descendentes e como estes colaboraram para a criação das caixas de mutuários a partir das chamadas Juntas de empréstimos para fins de aquisição de cartas de alforrias. Quem nos explica bem o funcionamento dessas Juntas é Manuel Querino em suas obras “O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira” (1918) e “A Raça Africana e os Seus Costumes” (1916)
O ensaio de Manuel Raimundo Querino "O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira" foi apresentado no VI Congresso Brasileiro de Geografia em 1918. Manuel Querino foi um dos maiores intelectuais do século XIX e início do século XX, precursor de estudos antropológicos no país, folclorista, professor e opositor às ideias eugenistas de Nina Rodrigues, traçando a contribuição africana, nesse texto, na formação da sociedade brasileira, mas do ponto vista da livre iniciativa, da empresariedade, como culturalmente já preparado na África para atividades empreendedoras, de garimpo, organizacional, que no Brasil foram apropriadas pelas relações abusivas de exploração pela elite colonizadora que passou a desenvolver na sua descendência a aversão ao trabalho, considerado indigno e ultrajante, que seriam próprios para pessoas colocadas em condições de exploração e subalternidade em oposição a uma elite parasitária.
Ressalta que apesar da facilidade da conquista, pela indolência característica dos descendentes que se acomodaram na exploração do trabalho alheio, os portugueses da elite não conseguiram manter suas colônias na Ásia, partindo assim para o Brasil. Já conhecedores da qualificação de etnias africanas para a agricultura, garimpo, comércio em vários setores, o tráfico de pessoas escravizadas da África teve início para o continente americano.
Fala das formas de resistência, desde revoltas contra senhores de engenho, ao processo de formação de quilombos, bem como a criação de Juntas, estas demonstrando a capacidade de organização e eficiência das pessoas escravizadas para que seus mutuários pudessem tomar empréstimos para conseguirem a própria alforria, sempre organizando-se de forma coletiva, pensando no coletivo, administrando valores que eram depositados por pessoas negras para um objetivo comum. E sobre as Juntas criadas como forma de organização coletiva entre mutuários negros é que temos os embriões das chamadas Caixas Econômicas.
Mas é na obra “A Raça Africana e os Seus Costumes” de 1916 que Manuel Querino explica mais detalhadamente sobre o funcionamento das juntas antes do surgimento da primeira Caixa Econômica fundada na Bahia em 1834, citando a experiência dos africanos escravizados que em Minas Gerais, liderados por Chico Rei. A experiência das juntas são anteriores, portanto, que as primeiras caixas econômicas:
“Praticavam aqui na Bahia, quase o mesmo, os africanos. Ainda não existiam as caixas econômicas, pois que a primeira fundada na Bahia data de 1834, não se cogitava ainda das caixas de emancipação e das sociedades abolicionistas, antes mesmo de se tornar tão larga como depois se tornou a generosidade dos senhorios, concedendo cartas de alforria ao festejarem datas íntimas, e já havia as caixas de empréstimo, destinadas pelos africanos à conquista de sua liberdade e de seus descendentes, caixas a que se denominavam — «Juntas». Com êsse nobilíssimo intuito reuniam-se sob a chefia de um deles, o de mais respeito e confiança, e, constituíam a caixa de empréstimos. Tinha o encarregado da guarda dos dinheiros um modo particular de notações das quantias recebidas por amortização e prêmios. Não havia escrituração alguma; mas, à proporção que os tomadores realizavam as suas entradas, o prestamista ia assinalando o recebimento das quantias ou quotas combinadas, por meio de incisões feitas num bastonete de madeira para cada um. Outro africano se encarregava da coleta das quantias para fazer entrega ao chefe, quando o devedor não ia levar, espontaneamente, ao prestamista a quota ajustada. De ordinário, reuniam-se aos domingos para o recebimento e contagem das quantias arrecadadas, comumente em cobre, e tratarem de assuntos relativos aos empréstimos realizados. Si o associado precisava de qualquer importância, assistia-lhe o direito de retirá-la, descontando-se-lhe, todavia, os juros correspondentes ao tempo. Se a retirada do capital era integral, neste caso, o gerente era logo embolsado de certa percentagem que lhe era devida, pela guarda dos dinheiros depositados. Como era natural, a falta de escrituração proporcionava enganos prejudiciais às partes. Às vezes, o mutuário retirava o dinheiro preciso para sua alforria, e, diante os cálculos do gerente o tomador pagava pelo dôbro a quantia emprestada.”
Manuel Querino trata ainda das relações abusivas de afeto, em que vemos a figura da mulher preta que desenvolve afeto pelas crianças brancas que estavam sob seus cuidados, dentre outros exemplos. Lutou contra a ideia negativa da miscigenação como sinônimo de atraso, mostrando a contribuição do "mestiço", sendo importante para desconstrução da imagem negativa do elemento africano desenvolvido pelo racismo científico.
Laura Berquó
segunda-feira, 11 de maio de 2026
A VELHA TELEFUNKENM
Se eu pudesse retornar à minha infância, nos anos 80, estaria brincando de boneca, refazendo lições da escola e, com certeza, vendo TV. A propósito, minha avó Laura morreu em 1986 e deixou, dentre os bens da herança, uma geladeira GE dos anos 70, que eu gostava de me divertir, porque na porta havia um portão para apertar e pegar água, e o outro bem foi uma TV colorida TELEFUNKENM, também dos anos 70. Hoje em dia os jovens são muito chatos. Muitas facilidades e muitas reclamações. Hoje, toda modernidade vem sem nenhuma exclamação de surpresa da geração pós-90. Alcancei as TVs preto e branco. Horrível quando os botões da TV engrossavam com a gordura dos dedos e os canais trocavam sozinhos. Assepsia constante desses botões. Ou a imagem começava a rolar e você tinha que dar um soco na lateral da TV para a imagem parar. A TELEFUNKENM fez sucesso lá em casa. Assistíamos TV animado após o almoço para fazermos digestão e irmos estudar. A geração de hoje não sabe o que é uma TV que servia de móvel pelo tamanho e porque era revestida de madeira. Um dia a TELEFUNKENM lá em casa resolveu dar problema, o que não era incomum para as TVs daquela época. Só que a imagem foi diminuindo, diminuindo e as crianças hipnotizadas com aquele fenômeno olhavam fixamente até que a TELEFUNKENM explodiu. Eu e meus irmãos saímos correndo e nunca mais chegamos perto de uma TV antiga por um bom tempo.
Laura Berquó
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO EM ECONOMIA DOMÉSTICA
No sebo consegui um exemplar de um manual da década de 1960 sobre a disciplina Economia Doméstica e apesar das críticas que ouvimos hoje a esse tipo de conteúdo por ter sido no Brasil direcionado às mulheres em algumas escolas, o que se alega ser uma forma de estigmatizar funções para cada gênero, é sem dúvida um conteúdo de extrema importância para nossas vidas e que em uma sociedade cada vez mais consumista e com péssima alimentação, deveria retornar à escola ensinando a todas as pessoas. Não tenho nada contra mulheres que gostam dos papéis de maternagem e cuidados com a casa, porque hoje podemos ter mais escolhas, como refutarmos esse lugar, ou somar esses papéis a outros desempenhados. Existe uma ética do cuidado que muitas de nós também apreciamos. Assim, o que tem de tão interessante em Economia Doméstica que podemos aplicar na nossa realidade e fazermos dela um estilo de vida? Primeiramente, a Economia Doméstica nos ensina a ter noção de orçamento. A vivermos dentro da própria realidade financeira e aprendermos a fazer escolhas inteligentes e acessíveis. Também educa para um comportamento moral. Ora, se seu marido ou companheiro ganha R$ 5.000,00 por mês e vive como se ganhasse R$ 20.000,00, ou ele está se endividando ou está fazendo coisas ilícitas. Da mesma forma se ele ganha R$20.000,00 por mês, e sem dar maiores satisfações, apenas disponibiliza para as despesas do lar R$ 5.000,00, ou está gastando com outra família ou com vícios ou guardando e investindo dinheiro sem o seu conhecimento. Conheci casos de senhoras que no divórcio não faziam a mínima ideia de quanto seus maridos realmente percebiam e geralmente estavam afastadas da administração econômica da casa. O segundo aspecto interessante da Economia Doméstica é que ensina a inventariar todos os itens de vestuário, de acessórios, etc. Isso evita consumismo desnecessário ao você ter ideia do que já possui e refletir sobre a necessidade de nova aquisição. Terceiro, você pode aplicar o procedimento de inventariar para outros itens da casa, assim como produtos estocados na sua dispensa. Quarto, a Economia Doméstica permite você fazer trocas inteligentes de alimentos que possam caber no orçamento: você aprende desde calorias, nutrientes e formas de conservação e preparo dos alimentos que te levam à escolhas mais saudáveis e otimizadas. Quinto, ao planejar, a partir das escolhas dos alimentos, o cardápio da semana de sua casa, você consegue também economizar e não comprar em excesso alimentos que venham a se estragar. Logicamente, não podemos esquecer de pessoas que vivem com o mínimo onde a adoção dos ensinamentos da Economia Doméstica se torna difícil, porque todas as necessidades são urgentes. Mas acredito que mesmo assim seja de valia, especialmente para a classe média cada vez mais endividada.
Laura Berquó
CARTA PARA A SEMANA
A Pombagira Cigana passou e deixou o recado da carta número 7 do Lenormand (Baralho Cigano): A Serpente. Há uma diferença entre cobra e serpente. Salvo engano os répteis que temos aqui na América do Sul são serpentes e não cobras. Mas o que a Pombagira Cigana quer dizer é que tanto cobra como serpente trocam de pele, então podemos estar diante de uma fase de mudanças ou passando por mudanças internas. A Carta da Serpente ainda indica forte desejo sexual. No sentido negativo a Carta da Serpente nos orienta a tomarmos cuidado com falsidades, traições e invejas dos outros ou que esses sentimentos não venham fazer morada dentro de nós. A Serpente indica a necessidade ainda de renovação, já que ela troca de pele, e iniciar novos ciclos. Esse é seu lado positivo: a transformação.
Laura Berquó
domingo, 10 de maio de 2026
OS OLHARES SILENCIOSOS....
...DAQUELES QUE NÃO COMENTAM, FINGEM NÃO SEIMPORTAR, MAS DÃO AUDIÊNCIA. PARA QUEM SEMPRE FOI SUBESTIMADA PELA APARÊNCIA E DEPOIS PELOS COMPORTAMENTOS XENÓFOBOS FORA DA PARAÍBA, ACHO UM FEITO CURIOSO SER LIDA. MAS, GOSTARÍA MUITO DE SABER O QUE AGRADA NAS POSTAGENS PARA PRODUZIR MAIS CONTEÚDO. CASO ALGUÉM QUEIRA SE MANIFESTAR, SOMOS TODA OUVIDOS.
LAURA BERQUÓ
LEOPOLDINA FRANCISCA MONTEIRO (BERQUÓ)
LEOPOLDINA FRANCISCA MONTEIRO
Há 183 anos nascia minha trisavó Leopoldina Francisca Monteiro na antiga Freguesia (rural) de São Tiago de Inhaúma. Nascida em 10.05.1843, casou-se aos 14 anos com meu trisavô Augusto José Berquó em 15.02.1858. Augusto José Berquó era português, originário dos Açores, como todos os Berquós, sendo que não descendia do ramo do Ouvidor que nomeou a famosa rua, o rio que passa em Botafogo (onde hoje existe o Cemitério São João Batista) e nem o antigo nome da Avenida General Polidoro, antes conhecida como Caminho do Berquó. Meu trisavô era um imigrante do ramo humilde. São apenas primos muito, mas muito distantes, haja vista que todos os Berquós descendem de Maria del Rio e do francês Jacques Berquó, sendo o sobrenome ‘Berquó” relativamente recente (século XVII). Nascido em 1827, em 1858 desposou Leopoldina Francisca Monteiro, que aos 14 anos já havia dado a luz ao seu primeiro filho. Casaram-se em 1858 e tiveram muitos filhos, aproximadamente uns 10 ou mais, sendo que Leopoldina morreu em 05.03.1878, antes de completar 35 anos de idade, após dar à luz à última filha do casal, Georgiana, que também morreu com menos de dois meses de vida. A história de Leopoldina Francisca Monteiro (Berquó) está ligada à história dos lavradores do Rio de Janeiro e seu processo de deslocamento pelas zonas rurais cariocas. O bairro de Guaratiba, que existe desde fins do século XVI, foi o local de nascimento de sua mãe, e minha tataravó, Fortunata Joaquina, filha de meus pentavós cariocas Manoel José da Silva e Ignácia Joaquina da Conceição. Minha tataravó Fortunata se casou com o também carioca Francisco Antônio Monteiro, meu tataravô, filho de imigrantes portugueses (meus pentavós Antônio José Monteiro e Maria Angélica de Jesus). Todos os aqui citados eram de origem humilde, lavradores, sendo que Leopoldina nasceu em Inhaúma. Sua mãe era nascida em Guaratiba, como já informado e seu pai no Engenho Velho. Moravam na área próxima à atual Avenida Itaoca, mais precisamente próximo ao rio Faria-Timbó. Eram humildes trabalhadores rurais. Hoje o cenário é bem diferente. Naquele tempo era muito diferente de hoje, a paisagem, como também a Igreja de São Tiago (de Inhaúma), sendo a matriz daquele bairro. O antigo cemitério, desativado em 1905, para a instalação do atual Cemitério de Inhaúma, era na praça em frente à matriz. Se Leopoldina foi enterrada no antigo cemitério, ainda não sei dizer, porque morreu em casa, em Cascadura, após dar à luz sua última filha Georgina e porque aquela área de Cascadura era servida pela Freguesia (rural) de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. Na década de 1860, creio que já havia se mudado para Cascadura, após o nascimento do meu bisavô Augusto José Berquó, homônimo do pai, em 1864, ainda em Inhaúma. O pai de Leopoldina, meu tataravô Francisco Antônio Monteiro, embora de poucas posses, era compadre e amigo de um dos irmãos Rêgo, família riquíssima da cidade do Rio de Janeiro, que doou propriedades aos filhos de meu tataravô e entre elas, minha trisavó recebeu a propriedade em Cascadura, que em 1884, pelo menos parte dela, estava sendo vendida pelo meu trisavô Augusto José Berquó, já viúvo e que veio a falecer em 1887. Para maiores informações sobre essas doações de terras para os pais e irmãos de Leopoldina Francisca Monteiro, leiam a obra da Profª Dra. Rachel Gomes de Lima “Senhores e possuidores de Inhaúma: propriedades, famílias e negócios da terra no rural carioca 'oitocentista’ (1830-1870)”. Em breve traremos outras informações a partir de estudos genealógicos (FAMILY SEARCH) e que possam contribuir com o entendimento da formação do espaço urbano carioca de antigamente. Mas hoje, nesse dia das mães, queria falar de Leopoldina, que morreu após dar à luz, como muitas mulheres de seu tempo, carioca, lavradora, pobre de nascimento, rica pela sorte, assim como seus irmãos.
Laura Berquó
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