sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CAPACITISMO É A CONTINUIDADE DA AUTORIZAÇÃO PARA FALAS RACISTAS E MISÓGINAS DESDE 2018



O que tem levado muitas pessoas de Direita a declararem voto em Lula, não é apenas o risco à democracia e soberania, do entreguismo, de sermos governados por milicianos, etc, mas também a vulgaridade. Esse comportamento vulgar de bullying e grosseria apresentado no debate da Globo de ontem pelo candidato Flávio Bolsonaro contra o candidato Lula. A fala capacitista, tão estilo 5 série, não é apenas vulgar, como demonstra perversidade e falta de empatia. Não vamos tratar como imaturidade o comportamento de um homem de 45 anos que se propõe a ser Presidente da Republica. Mas, desde quando esse tipo de fala passou a ser autorizada? Manifestações racistas, xenofobas contra nordestinos, misóginas, homotransfóbicas, aporofóbicas, passaram a ser comuns depois que o ex-Presidente Bolsonaro Pai passou a fazer esses tipos de comentários/piadas e não ser punido por eles, ser tratado como autêntico e ter sua popularidade aumentada com um retorno coletivo do recalque.


Laura Berquõ

REFLEXÃO SOBRE O CASO ANA CLARA POR RICARDO LUCAS CAMARGO




Prezad@s,

Não procede o argumento de criminalização da advocacia alegado por defensores do candidato Flávio Bolsonaro no Caso Ana Clara (Niterói, 2021). Assistam à reflexão (vídeo) do Prof. Dr. Ricardo Antônio Lucas Camargo, no seu perfil público no Facebook:


 https://www.facebook.com/share/v/1CZDzgvNr3/


Laura Berquó

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O QUE SÃO ESTUDOS GLOBAIS?



Os Estudos Globais, ou Globalogia, são uma área interdisciplinar do conhecimento que têm como proposta a análise de fenômenos que não se limitam apenas a serem transnacionais ou internacionais, mas que tenham impactos globalizantes, fenômenos resultantes do processo de globalização. Os Estudos Globais são uma área de estudo recente, tendo começado a se desenvolver a partir da década de 1990 em universidades europeias, asiáticas, no Egito e americanas. No Brasil, a Universidade de Brasília possui um Centro de Estudos Globais vinculado ao Instituto de Relações Internacionais (IREL). Segundo José Eduardo Franco e João Relvão Caetano, houve um surgimento recente de programas dedicados aos Estudos Globais em países de língua e cultura anglo-saxônicas. Ressaltam também, a natureza de interconexão dos fenômenos globais entre culturas, povos, religiões, territórios. Conforme Mark Juergensmeyer, no verbete Global Studies disponível em The Encyclopedia of Global Studies, as ciências que concorrem para essa nova área interdisciplinar, que tem como foco o fenômeno da globalização, são: a sociologia, economia (considerando os sistemas econômicos e as economias mundiais), a ciência política (sistemas políticos) e sistemas culturais. Essas áreas são analisadas de forma interligada, pois não é possível entendermos o processo de mundialização ou globalização sem interculturalidade, sem trocas, sem entendermos a conexão entre esses diversos sistemas diferenciados em escala global. Ainda, segundo Mark Juergensmeyer, embora a área do conhecimento denominada Estudos Globais seja recente, o estudo do fenômeno da interculturalidade, da mundialização de sistemas econômicos, políticos, etc, não é recente, remontando à Weber e Durkheim, por exemplo, quando do estudo da análise comparada de sistemas religiosos e da expansão do modelo burocrático de gestão estatal, respectivamente. Também cita Marx que ao explicar o funcionamento do capitalismo, demonstrou a sua força globalizante. Ressaltamos que nosso entendimento é que a globalização e o capitalismo não podem ser dissociados, haja vista sua origem nas Grandes Navegações do século XIV. Os Estudos Globais, pela sua interconexão com o conhecimento da história, da economia, ciência política e sociologia, estão voltados para o entendimento das estruturas que se fazem hegemônicas e entendo que seja nessa perspectiva de mundialização e não de simplesmente transnacionalização, que devemos entender a globalização como produto do capitalismo e colonialismo, bem como de natureza contestatória a eles: regimes políticos que ascendem, como a (re)ascensão da extrema-direita na América do Sul, EUA, Israel e Europa; expansão de um modelo hegemônico do próprio capitalismo, no caso o neoliberalismo que ressurgiu com força a partir de 2015; imposição do modelo gerencial de Administração Pública a partir dos anos 80, substituindo gradativamente o modelo burocrático weberiano; os movimentos identitários; movimentos sociais e crescimento do Terceiro Setor em nível mundial; o reconhecimento das epistemologias do Sul Global, a partir da contribuição dos estudos de Boaventura de Sousa Santos. Inclusive, a partir disso, pode ser contestado o conceito de Globalização, como sendo na verdade um projeto hegemônico de Ocidentalização do Mundo, mais precisamente, de hegemonia eurocêntrica. Ocorre que outros atores têm se consolidado no cenário mundial desde o século XX, falando-se atualmente em “globalizações” e não somente no modelo de globalização hegemônica eurocêntrica. Ninguém poderá, nos dias atuais, subestimar a China, por exemplo, e que o fenômeno chinês repercute globalmente na economia e na ciência política. Culturalmente, vemos também a expansão dos Doramas e artistas pops sul-coreanos, bem como de seus produtos para o mercado de consumo da área de estética, assim como outros países asiáticos. Importante ressaltarmos que são diferentes os conceitos de mundialização, transnacionalização e internacionalização, sendo o de mundialização mais adequado à ideia de globalização, haja vista que alguns acontecimentos podem ser internacionais ou transnacionais, porém, não atingirem uma escala global. Os Estudos Globais, e a partir disso que é desenvolvida a sua epistemologia, cuidam da análise dos fenômenos hegemônicos globalizantes, sejam eles sob o aspecto econômico, sociológico, político e cultural, porém, sempre interligados. O estudioso do processo da globalização ou globalizações foca na interseção, naquilo que se torna comum, compartilhado, ainda que sob uma força irresistível, por serem processos hegemônicos, mas que encontra um ponto de diálogo comum entre o local e o global. Nesse sentido, nasce o novo conceito de cidadão global, de cidadania global que é justamente aquela que permite, justamente, desenvolver essa competência e habilidade de diálogo e “leitura” das diversas identidades, culturas, realidades, estruturas compartilhadas em nível global. Pedro Abrantes e Elsa Lechner, na introdução da obra “Nós Globais. Investigações em Curso sobre Questões da Globalização” trazem o aspecto humano do fenômeno globalizante, a partir da necessidade do cientista em Estudos Globais ser capaz de “ler” experiências com potencial globalizante, mas que revelem ao mesmo tempo as desigualdades sociais e populações vulneráveis dentro desses processos, e traz algo recente, que foi a pandemia do novo Coronavírus, que teve essa dimensão, que ao mesmo tempo que foi um evento global, expôs ao mesmo tempo as desigualdades existentes na forma que diversas realidades tiveram que lidar com a doença, fazendo com que eu me reporte mais uma vez a Boaventura de Sousa Santos e seu ensaio ‘A Cruel Pedagogia do Vírus’. Estudar como fenômenos globais podem ampliar fossos entre realidades diversas e populações vulneráveis é um campo interessante e que requer, apesar do distanciamento pessoal que se exige do cientista, o sentimento de alteridade, do ver o outro e posto, por isso, a citação indígena maia feita por Pedro Abrantes e Elsa Lechner: “In lak’hesh. Hala k’in./Eu sou outro tu. Tu és outro eu.” E nesse mesmo diapasão, prosseguem, citando Achille Mbembe, quando mais uma vez, em virtude dessa falta de alteridade, são criados os “indesejáveis”, pessoas que são invisibilizadas e expropriadas da própria existência. Bom ressaltar ainda, fazendo inferências da leitura de Abrantes e Lechner, que essa nova etapa do processo de globalização que se viu a partir da expansão dos meios de comunicação e transportes no século XX e XXI, aumentou os fluxos imigratórios entre populações vulnerabilizadas, e, ao mesmo tempo que houve um avanço das comunicações virtuais, em que vivemos em um mundo cada vez mais digital, existem populações marginalizadas, em áreas de conflitos transnacionais ou nacionais que não têm acesso ainda a esses avanços tecnológicos, às redes, à uma vida digital e de integração ao mundo global. José Eduardo Franco e João Relvão Caetano, ao citarem o conceito de ‘Aldeia Global’ de Marshal McLuhan, apontam para a necessidade de uma leitura do mundo que não se concentre a partir da própria realidade nacional, voltada para o próprio umbigo, mas que seja feita a partir de uma metodologia heteronômica e heteróclita, ou seja, uma metodologia que possa dialogar com o que está além da própria realidade imediata, local, nacional, analisando a partir de um aspecto externalizante, diferente, estranho a si mesmo. Nesse movimento de se voltar para fora, não há como nos dissociarmos tanto da “leitura” do outro no mundo, como do meio-ambiente sustentável para o próximo e demais espécies, a partir dos fenômenos globalizantes. Lembro, agora, do conceito de “Oikoumene” tratado por Toynbee em ‘A Humanidade e a Mãe Terra”. A Globalogia (Estudos Globais) requer de seu cientista uma abertura para o outro, uma alteridade necessária para saber ler o que acontece, a partir de uma experiência hegemônica com potencial globalizante, e a repercussão que esses fenômenos podem ter em vidas e territórios locais. Partindo sempre de uma análise interdisciplinar e interconectada, o Globalista tem a possibilidade de ler o “mundo” a partir de experiências que partem de um determinado ponto e que podem se tornar experiências globais. Saber “ler” de forma além da própria realidade imediata, regional, nacional. Conseguir conectar as diversas realidades e como elas podem interagir entre si, de forma que ocupem espaços materiais e imateriais, além do que consideramos acontecimentos transnacionais, mas de fato mundiais, que atinjam todo o globo, é a habilidade e competência que se exige em Estudos Globais.


Laura Berquó


Referências:


FRANCO, José Eduardo Franco e CAETANO, João Relvão (Coordenadores). Globalização como Problema. Temas de Estudos Globais. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2020.


JUERGENSMEYER, Mark e ANHEIER, Helmut K. The Encyclopedia of Global Studies. Vol. 2. SAGE Publications, 2012.


ABRANTES, Pedro e LECHNER, Elsa (Coordenadores). Nós Globais. Investigações em Curso sobre Questões da Globalização. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2022.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

DO ACHADO DO TESOURO NA PARAÍBA

 

DO ACHADO DO TESOURO NA PARAÍBA Uma das formas de aquisição da propriedade móvel é o que chamamos de "ACHADO DO TESOURO". Essa forma de aquisição é muito comum na Paraíba, pelo incrível que pareça, tanto no litoral norte paraibano e cidades próximas, desde o tempo das incursões francesas como das invasões holandesas, bem como no semiárido, em virtude da necessidade de esconder riquezas dos cangaceiros que invadiam propriedades rurais e cidades. Os tesouros estão geralmente escondidos em área de propriedade rural e pelo conhecimento popular, você sempre encontra o tesouro após um sonho que revela a localização, geralmente com a alma do antigo proprietário ou proprietária do lugar, dando início à "caça " das botijas. O tesouro é uma "fortuna" enterrada em algum local, seja no subsolo ou emparedada em antigas propriedades com paredes falsas, sendo que não se consegue mais identificar o antigo dono e muitas vezes o período histórico, quando consiste em ouro e joias. A forma de apropriação do tesouro está descrita no Código Civil, sendo que o tesouro deve ser dividido igualmente entre o proprietário do lugar e o descobridor, salvo quando o descobridor também é o proprietário ou se a busca do tesouro foi patrocinada pelo proprietário do imóvel onde está escondido o tesouro justamente com essa finalidade. Em terras onde pisaram piratas europeus e cangaceiros como a Paraíba, é corrente entre a população ter conhecimento de alguém que encontrou algum tesouro revelado por algum espírito atormentado. O fato é que eu ainda não encontrei um. Mas, independentemente do valor da fortuna, seria muito interessante me deparar um dia com uma botija de séculos atrás. Laura Berquó

TBT 2018: MESTRE MOA DO KATENDÊ: A CARNE NEGRA É A MAIS BARATA DESSAS ELEIÇÕES

MESTRE MOA (Foto do Facebook)
O MESTRE DE CAPOEIRA, MOA DO KATENDÊ, OGÃ, 63 ANOS, FOI ASSASSINADO NA MADRUGADA DO DIA 08.10.2018, POR PAULO SÉRGIO FERREIRA DE SANTANA, 36 ANOS. O MOTIVO: MOA VOTOU EM HADDAD E DECLAROU SEU VOTO, O QUE DESAGRADOU O AGRESSOR QUE VOTOU EM BOLSONARO. POR CONTA DESSE MOTIVO FÚTIL, O AGRESSOR DESFERIU 12 FACADAS. O QUE IMPRESSIONA A MIM SÃO AS DECLARAÇÕES REPRODUZIDAS NA MÍDIA ATRIBUÍDAS AO CANDIDATO A PRESIDENTE PELO PSL, TAMBÉM VÍTIMA DE 01 FACADA EM 06.09.2018. LAMENTANDO O OCORRIDO, DISSE NÃO TER CONTROLE SOBRE O COMPORTAMENTO DE SEUS ELEITORES. O QUE NÃO DEIXA DE SER VERDADE, PORQUE NÃO HÁ COMO SERMOS RESPONSABILIZADOS PELO COMPORTAMENTO ALHEIO ATÉ O MOMENTO EM QUE NÃO FAZEMOS CERTAS APOLOGIAS. A QUESTÃO QUE PONHO AQUI SÃO CERTAS CONSIDERAÇÕES FEITAS PELO CANDIDATO QUE INTERPRETO COMO DESPREZO AO PRÓXIMO: CONSIDEROU APENAS EXCESSO O OCORRIDO QUANDO NA VERDADE HOUVE UM ASSASSINATO POR MOTIVO FÚTIL COM O AGRAVANTE DA VÍTIMA SER PESSOA IDOSA. SEGUNDO LI NO G1, O CANDIDATO TERIA DITO AINDA, QUE O AGRESSOR DE MOA TERIA PRATICADO UM EXCESSO, COMO DITO, E QUEM TOMOU A FACADA FOI ELE, BOLSONARO. QUEM PRATICARIA A INTOLERÂNCIA E O ÓDIO SERIA O ADVERSÁRIO, NO CASO HADDAD E SIMPATIZANTES, CONFORME SE EXTRAI DA LEITURA. E AINDA DIRIA QUE É PROVA VIVA DISSO. FUI VERIFICAR EM OUTRAS FONTES E LI A NARRATIVA DE FAMILIARES DE MESTRE MOA E VI QUE A DISCUSSÃO SE DEU PORQUE O AGRESSOR CHEGOU E SE INTROMETEU NUMA CONVERSA DE FAMÍLIA SOBRE AS ELEIÇÕES. O GRUPO FAMILIAR SE ENCONTRAVA REUNIDO NO CENTRO DE SALVADOR. O MOTIVO REALMENTE FOI POR DISCORDÂNCIA POLÍTICA. MAS O QUE IMPRESSIONA É A BANALIZAÇÃO DO CASO E A FORMA COMO O CANDIDATO TRATA A QUESTÃO SÓ ENXERGANDO O PRÓPRIO PROBLEMA. A FACADA QUE ELE LEVOU NÃO LHE DEU O MÍNIMO SENTIDO DE ALTERIDADE E ISSO ME ASSUSTA.


LAURA

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/10/10/bolsonaro-comenta-morte-de-capoeirista-na-bahia-lamento-um-excesso.ghtml

sábado, 17 de outubro de 2026

TBT 2020: IARAS E PAGUS: ARAPONGAGEM E FASCISMO


 

A BANDEIRA É NOSSA




A bandeira brasileira é nossa, a camisa da seleção brasileira é nossa, tudo é nosso, inclusive nossas terras raras. Tudo é do povo brasileiro. De onde vem agora essa mania de Bolsonarista dizer que os demais brasileiros abandonaram a bandeira? Na verdade, o nosso símbolo nacional foi praticamente sequestrado por uma onda pseudo-chauvinista da extrema -direita. "Pseudo" porque se de fato fossem nacionalistas, não votariam em candidatos dispostos a entregar o Brasil para os EUA  ou, como disse o ex-Presidente Bolsonaro, ao criticar a autonomia e altivez do Presidente Lula, diante de Trump: "___ Eu sei o meu lugar!". O fato é que o chauvinismo, segundo Leandro Konder é um dos aspectos do fascismo e o que vimos foi justamente isso com a ascensão da extrema-direita. Uma outra característica interessante do fascismo é o controle exercido por pessoas comuns sobre as pessoas que não estão nesse tipo de projeto neofascista. Eu me recordo que em 2020, no Programa Iaras e Pagus (https://www.youtube.com/live/zfGbo3MH0wQ?is=eyth3en4g-4UVJ_i), denunciamos arapongagem feita contra colegas professores no Campus IV da UFPB. De fato, muitas pessoas da sociedade civil estavam vigiando nossas redes sociais, pois os projetos de extensão de muitos colegas tomaram o formato virtual durante a pandemia. Mas, enfim, a bandeira brasileira é de todos os brasileiros, inclusive de quem vai votar 13 no dia 25.


Laura Berquó