EPA HEY!!!
sexta-feira, 15 de maio de 2026
ANTÔNIO JOSÉ DA SILVA, O JUDEU: GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA MANJERONA
Prezad@s, enquanto não termino a leitura dessa obra-prima do teatro português, deixo o link para acessá-la:
https://archive.org/details/guerrasdoalecrim00silv/mode/1up
Trata da ópera joco-séria "Guerras do Alecrim e da Mangerona", do teatrólogo fluminense, morto na fogueira pela Inquisição, Antônio José da Silva, na primeira metade do século XVIII. É uma sátira sobre os costumes da alta sociedade em Portugal.
Também tem como baixar a obra "O Judeu" de Camilo Castelo Branco, romance histórico inspirado na tragédia de Antonio José da Silva, para aqueles que tenham interesse em conhecer mais sobre sua vida. Deixo abaixo o link.
https://archive.org/details/ojudeuromancehis00castuoft
Em breve trarei comentários sobre como Antônio José da Silva foi parar em Portugal para ser julgado pelo Tribunal do Santo Ofício. Para isso, preciso revisitar algumas leituras antigas de estudos disponíveis pelo Programa de Doutorado em História da UFF sobre a mãe de Antônio, Lourença Coutinho, que foi denunciada por criptojudaísmo por uma mulher escravizada a quem Lourença recusou conceder a carta de alforria. Há estudo também na Paraíba sobre cristãos -novos que explica como um cristão - novo paraibano contribuiu para a tragédia de Antônio José da Silva em Portugal, já que ele não respondeu apenas a 01 processo no Tribunal do Santo Ofício.
Laura Berquó
O QUE É WOLLYING? VIOLÊNCIA DE MULHERES CONTRA MULHERES
Ao abrir hoje o Instagram, aprendi mais uma expressão nova: "WollYing". No caso, uma expressão novíssima criada este ano por brasileiras na Comissão sobre a Situação da Mulher na ONU (CSW70). Se a expressão é novíssima, a prática não. É o bullying de mulheres contra mulheres. Sem hipocrisia e sem culpar eternamente o patriarcado, sabemos que mulheres conseguem destruir o psicológico, a imagem -atributo de outras mulheres, ajudando a espalhar difamações, promovendo assédios institucionais, agressões físicas e ameaças que remontam ao tempo da escola, etc. Não precisa do patriarcado para isso, mas da velha inveja que existe em todo ser humano, potencializada em situações em que o ultraje venha de quem se sente ameaçado ou ameaçada pela presença de outrem. A sororidade é um termo político recente criado nos anos 70 como proposta de pacto entre mulheres contra o sexismo. Só esquecemos de fazer um pacto contra o Wollying, e como sempre, dando a cartada de que o patriarcado é o culpado pela violência de mulheres contra mulheres, deletando e nos eximindo da nossa responsabilidade. Homens maltratam mulheres pelas razões já sabidas de misoginia, sexismo, etc. E mulheres? Além de atributos como competitividade no mercado de trabalho, há uma competitividade não revelada para que tenhamos acesso ao famoso mercado afetivo-sexual que fingimos, por discursos hipócritas, não ser a razão das nossas desavenças. Sim, queremos ter acesso aos homens, queremos que eles possam estar à nossa disposição. Uma mulher com capital erótico potencializado sempre será um convite para o Wolling. Ou porque ela terá mais oportunidades com os homens ou será mais favorecida pela sorte. Soma-se a isso a competitividade trazida pelo mercado de trabalho entre mulheres. Vi muitos casos de assédio moral de mulheres contra mulheres no mercado de trabalho. Já fui vítima inclusive de comentários depreciativos à boca-miúda de pseudo-feministas, quando perseguida aqui na Paraíba por político e seus capachos. Elas reforçaram discursos misóginos de homens sobre minha sanidade mental e deliberadamente sobre a minha vida pessoal. Tão "feministas", mas se ocupando da minha cama. Recentemente, também passei por assédio institucional vindo de mulheres advogadas e seus capachos em instituição de projeção nacional. Inclusive, soube em contato com um jornalista, que a "Wollying-Mor" andou com expressões e falas desabonadoras a meu respeito. O jornalista me conhecia já de nome, mesmo antes do meu contato, somente pela fala da figura. Portanto, seria hipocrisia da minha parte dizer que nunca fui vítima de "Wolling" e que isso é culpa do patriarcado, se em princípio, pelo discurso, não poderia esperar a mesma compreensão dos homens. Está na hora de pararmos de culpar sempre os homens pelos nossos comportamentos inadequados de falta de sororidade e empatia, porque na nossa humanidade podemos ser cruéis, invejosas, covardes e mal resolvidas entre nós mesmas.
Laura Berquó
quinta-feira, 14 de maio de 2026
OS CANGACEIROS DE CARLOS DIAS FERNANDES
Começando postagens sobre Carlos Dias Fernandes. Um ano após me mudar para a Paraíba, aos 15 anos de idade, ouvi falar em Carlos Dias Fernandes. Vi a imagem dele de homem maduro e bonitão e me despertou a curiosidade sobre a sua vida. O texto abaixo já foi publicado no Ambiente de Leitura Carlos Romero. Iremos trazer outros sobre suas obras e vida. Carlos Dias Fernandes é mais comentado do que lido. A obra Os Cangaceiros pode ser baixada no endereço virtual https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/600882. Publicada em 1922 pela Editora Monteiro Lobato, é uma obra do pré-modernismo e que não consigo compreender o porquê não ter tido uma repercussão maior. Não é trabalhada e divulgada nem mesmo na Paraíba. Os Cangaceiros descreve com riqueza de detalhes a natureza e estilo de vida sertanejos, bem como é uma obra rica em crítica aos costumes e à violência institucional. Nesse contexto crítica a moral sexual burguesa sobre a sexualidade feminina, fazendo jus ao fato de que Carlos Dias Fernandes era um defensor dos direitos das mulheres. O grande paraibano de Mamanguape inclusive era um defensor do voto feminino. Os Cangaceiros narra o destino de Minervino, um rapaz ingênuo e de boa índole que se transforma em justiceiro fora da lei, após uma sucessão de tragédias em sua vida e a revolta contra os abusos das autoridades de seu tempo. Na verdade, a obra tem como mérito fazer uma crítica ao aparelho de Justiça e da força policial, aos rígidos costumes sexuais e à falta de compensação aos que seguem rigidamente uma vida digna e irrepreensível, mas não estão livres das arbitrariedades do Estado. A história se passa na Paraíba e é fácil o leitor paraibano se identificar com os costumes e hábitos sertanejos, embora o enredo se passe alguns anos após a Proclamação da República. Laura Berquó
quarta-feira, 13 de maio de 2026
O ESFORÇO PARA GOSTAR DE HOMEM
Eu assisto falas de mulheres da minha faixa etária, mulheres bonitas, dizendo que os homens não olham mais. Eu tenho interessados da faixa etária dos 28 aos 80 e poucos e estou com 47 anos. Eu acredito que algumas coisas determinam a procura nessa idade: menos críticas. As mulheres agora deram de criticar os homens comparando com os homens mais jovens, tal como os redpills fazem com as mulheres. Se as mulheres fizessem menos esforço para gostar de homem, talvez não estivessem reclamando. Há críticas aceitáveis como o medo de feminicídio e de homem escorão. Mas o envelhecimento do homem tem sido um ponto de crítica das mulheres 40+, como se os homens também não pudessem envelhecer com suas manias e experiências de vida. Estão fazendo o que muitos homens faziam: dizer que somente um novinho acompanha o ritmo delas, são dispostos, etc. Trazer revanchismo para o campo das relações afetivas nunca favoreceu ninguém. Ser vista também é se abrir para o outro con as especificidades de cada realidade.
Laura Berquó
O PERFUME PARA DORMIR
Eu amo perfumes. Na Paraíba me chamou a atenção o hábito de dormir perfumada. Adotei esse hábito, ainda na juventude, vendo amigas usando perfumes para dormir em viagens ou dormindo na casa delas. Perfume para dormir, no caso, é body Splash, lavanda, colônia etc. Ninguém vai usar My Way para dormir. Mas o fato é que dormimos cheirosas aqui e usamos perfume em casa também, mesmo que seja só para ficarmos sozinhas. Tem o perfume para dormir, o perfume para ficar em casa e os mais concentrados para usar no trabalho, sair, etc. Mas o perfume para dormir, realmente, é algo muito local. Você dorme com a sensação de beleza. Uma coisa que também me agrada na Paraíba, além dos perfumes para dormir, ficar em casa, etc, é que a mulher paraibana é acolhedora e carinhosa. Você sempre é recebida com um "Minha Querida", "Flor", etc. Também me agrada os elogios sem inveja e o compartilhar entre as mulheres daqui: "Que perfume cheiroso!", "Que brinco lindo!", "Que cabelo lindo!", etc e você responde onde comprou, qual o produto e o preço para que a outra adquira também, algo normal, sem competição e sem inveja, mas sinônimo de admiração e aprovação do seu gosto e da sua aparência. É algo tão natural que se torna uma conversa agradável sobre trocas de experiências, conselhos de estética, etc. As paraibanas são muito amáveis e agradáveis de conviver, além de muito vaidosas.
Laura Berquó
ORAIEIEU, MINHA MÃE OXUM!
Seja bem-vinda, Mamãe Oxum!
Minha mãe Oxum é meu terceiro Orixá, minha Iabá ancestral que me acompanhará em todas as encarnações. Ela representa meu verdadeiro íntimo. Faz muito sentido com minha Lilith em Leão. Sua energia me dá tanta segurança que o mundo pode estar caindo ao meu redor, mas terei a certeza de que eu sou responsável somente pelo que me cabe. Ela é minha Paz e meu Conforto. Não pego nessa fase, peso dos outros. Ogum e Iansã dão passagem a Oxum para que eu possa ter descanso e olhar para mim mesma. A calmaria que esconde correntezas. Autoestima em paz. Foco e autocentrada. Consciência da própria importância. Sem tempo para o que não é meu. Oxum é bela, porque se prioriza. Oxum é força redirecionada. Não se demora onde querem apagar sua paz, brilho e beleza. Conhece o sentimento do outro, porque calada observa. E calada se vinga, se for preciso. E se alguém tiver algum problema comigo, que se resolva sozinho. Não me dêem porcaria, seja material ou comportamental, porque me recuso a receber. Vou deixar falando só. Oraieieu, Minha Mãe!
Laura Berquó
terça-feira, 12 de maio de 2026
A CONTRIBUIÇÃO DE MANUEL QUERINO E AS JUNTAS DE EMPRÉSTIMO PARA ESCRAVIZADOS QUE ORIGINARAM AS CAIXAS ECONÔMICAS
Recentemente, tem chamado a atenção a seguinte notícia em jornais e no próprio site do Ministério Público Federal:
“MPF cobra aprofundamento de medidas em acervo da Caixa sobre contas de escravizados no século XIX. Relatório do banco sobre escravidão é considerado insuficiente, com inconsistências e críticas de historiadora à pesquisa. O Ministério Público Federal (MPF) classificou como insuficiente o relatório apresentado pela Caixa Econômica Federal sobre registros financeiros de pessoas escravizadas no século XIX e determinou a ampliação da apuração. O órgão apura o papel da instituição financeira na gestão de recursos de pessoas escravizadas e a destinação desses valores, especialmente no período de transição para o fim do regime escravista.
A investigação foi instaurada a partir de representação da entidade Quilombo Raça e Classe e integra a atuação do MPF na promoção do direito à memória e à verdade histórica. Apesar de a Caixa ter identificado 158 cadernetas de poupança em seu acervo histórico, o MPF concluiu que o levantamento é limitado e não responde a questões centrais sobre o destino dos recursos e o papel da instituição no período escravista. Existem no banco cerca de 14.000 documentos da época que não sofreram qualquer tratamento arquivístico.”
A iniciativa tanto da entidade Quilombo Raça e Classe e do próprio Ministério Público Federal é muito interessante não só do ponto de vista da proposta da reparação histórica, mas sobretudo pelo resgate da história de empreendedorismo dos africanos escravizados e seus descendentes e como estes colaboraram para a criação das caixas de mutuários a partir das chamadas Juntas de empréstimos para fins de aquisição de cartas de alforrias. Quem nos explica bem o funcionamento dessas Juntas é Manuel Querino em suas obras “O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira” (1918) e “A Raça Africana e os Seus Costumes” (1916)
O ensaio de Manuel Raimundo Querino "O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira" foi apresentado no VI Congresso Brasileiro de Geografia em 1918. Manuel Querino foi um dos maiores intelectuais do século XIX e início do século XX, precursor de estudos antropológicos no país, folclorista, professor e opositor às ideias eugenistas de Nina Rodrigues, traçando a contribuição africana, nesse texto, na formação da sociedade brasileira, mas do ponto vista da livre iniciativa, da empresariedade, como culturalmente já preparado na África para atividades empreendedoras, de garimpo, organizacional, que no Brasil foram apropriadas pelas relações abusivas de exploração pela elite colonizadora que passou a desenvolver na sua descendência a aversão ao trabalho, considerado indigno e ultrajante, que seriam próprios para pessoas colocadas em condições de exploração e subalternidade em oposição a uma elite parasitária.
Ressalta que apesar da facilidade da conquista, pela indolência característica dos descendentes que se acomodaram na exploração do trabalho alheio, os portugueses da elite não conseguiram manter suas colônias na Ásia, partindo assim para o Brasil. Já conhecedores da qualificação de etnias africanas para a agricultura, garimpo, comércio em vários setores, o tráfico de pessoas escravizadas da África teve início para o continente americano.
Fala das formas de resistência, desde revoltas contra senhores de engenho, ao processo de formação de quilombos, bem como a criação de Juntas, estas demonstrando a capacidade de organização e eficiência das pessoas escravizadas para que seus mutuários pudessem tomar empréstimos para conseguirem a própria alforria, sempre organizando-se de forma coletiva, pensando no coletivo, administrando valores que eram depositados por pessoas negras para um objetivo comum. E sobre as Juntas criadas como forma de organização coletiva entre mutuários negros é que temos os embriões das chamadas Caixas Econômicas.
Mas é na obra “A Raça Africana e os Seus Costumes” de 1916 que Manuel Querino explica mais detalhadamente sobre o funcionamento das juntas antes do surgimento da primeira Caixa Econômica fundada na Bahia em 1834, citando a experiência dos africanos escravizados que em Minas Gerais, liderados por Chico Rei. A experiência das juntas são anteriores, portanto, que as primeiras caixas econômicas:
“Praticavam aqui na Bahia, quase o mesmo, os africanos. Ainda não existiam as caixas econômicas, pois que a primeira fundada na Bahia data de 1834, não se cogitava ainda das caixas de emancipação e das sociedades abolicionistas, antes mesmo de se tornar tão larga como depois se tornou a generosidade dos senhorios, concedendo cartas de alforria ao festejarem datas íntimas, e já havia as caixas de empréstimo, destinadas pelos africanos à conquista de sua liberdade e de seus descendentes, caixas a que se denominavam — «Juntas». Com êsse nobilíssimo intuito reuniam-se sob a chefia de um deles, o de mais respeito e confiança, e, constituíam a caixa de empréstimos. Tinha o encarregado da guarda dos dinheiros um modo particular de notações das quantias recebidas por amortização e prêmios. Não havia escrituração alguma; mas, à proporção que os tomadores realizavam as suas entradas, o prestamista ia assinalando o recebimento das quantias ou quotas combinadas, por meio de incisões feitas num bastonete de madeira para cada um. Outro africano se encarregava da coleta das quantias para fazer entrega ao chefe, quando o devedor não ia levar, espontaneamente, ao prestamista a quota ajustada. De ordinário, reuniam-se aos domingos para o recebimento e contagem das quantias arrecadadas, comumente em cobre, e tratarem de assuntos relativos aos empréstimos realizados. Si o associado precisava de qualquer importância, assistia-lhe o direito de retirá-la, descontando-se-lhe, todavia, os juros correspondentes ao tempo. Se a retirada do capital era integral, neste caso, o gerente era logo embolsado de certa percentagem que lhe era devida, pela guarda dos dinheiros depositados. Como era natural, a falta de escrituração proporcionava enganos prejudiciais às partes. Às vezes, o mutuário retirava o dinheiro preciso para sua alforria, e, diante os cálculos do gerente o tomador pagava pelo dôbro a quantia emprestada.”
Manuel Querino trata ainda das relações abusivas de afeto, em que vemos a figura da mulher preta que desenvolve afeto pelas crianças brancas que estavam sob seus cuidados, dentre outros exemplos. Lutou contra a ideia negativa da miscigenação como sinônimo de atraso, mostrando a contribuição do "mestiço", sendo importante para desconstrução da imagem negativa do elemento africano desenvolvido pelo racismo científico.
Laura Berquó
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