quarta-feira, 13 de maio de 2026

O ESFORÇO PARA GOSTAR DE HOMEM

Eu assisto falas de mulheres da minha faixa etária, mulheres bonitas, dizendo que os homens não olham mais. Eu tenho interessados da faixa etária dos 28 aos 80 e poucos e estou com 47 anos. Eu acredito que algumas coisas determinam a procura nessa idade: menos críticas. As mulheres agora deram de criticar os homens comparando com os homens mais jovens, tal como os redpills fazem com as mulheres. Se as mulheres fizessem menos esforço para gostar de homem, talvez não estivessem reclamando. Há críticas aceitáveis como o medo de feminicídio e de homem escorão. Mas o envelhecimento do homem tem sido um ponto de crítica das mulheres 40+, como se os homens também não pudessem envelhecer com suas manias e experiências de vida. Estão fazendo o que muitos homens faziam: dizer que somente um novinho acompanha o ritmo delas, são dispostos, etc. Trazer revanchismo para o campo das relações afetivas nunca favoreceu ninguém. Ser vista também é se abrir para o outro con as especificidades de cada realidade. Laura Berquó

O PERFUME PARA DORMIR

Eu amo perfumes. Na Paraíba me chamou a atenção o hábito de dormir perfumada. Adotei esse hábito, ainda na juventude, vendo amigas usando perfumes para dormir em viagens ou dormindo na casa delas. Perfume para dormir, no caso, é body Splash, lavanda, colônia etc. Ninguém vai usar My Way para dormir. Mas o fato é que dormimos cheirosas aqui e usamos perfume em casa também, mesmo que seja só para ficarmos sozinhas. Tem o perfume para dormir, o perfume para ficar em casa e os mais concentrados para usar no trabalho, sair, etc. Mas o perfume para dormir, realmente, é algo muito local. Você dorme com a sensação de beleza. Uma coisa que também me agrada na Paraíba, além dos perfumes para dormir, ficar em casa, etc, é que a mulher paraibana é acolhedora e carinhosa. Você sempre é recebida com um "Minha Querida", "Flor", etc. Também me agrada os elogios sem inveja e o compartilhar entre as mulheres daqui: "Que perfume cheiroso!", "Que brinco lindo!", "Que cabelo lindo!", etc e você responde onde comprou, qual o produto e o preço para que a outra adquira também, algo normal, sem competição e sem inveja, mas sinônimo de admiração e aprovação do seu gosto e da sua aparência. É algo tão natural que se torna uma conversa agradável sobre trocas de experiências, conselhos de estética, etc. As paraibanas são muito amáveis e agradáveis de conviver, além de muito vaidosas. Laura Berquó

ORAIEIEU, MINHA MÃE OXUM!

Seja bem-vinda, Mamãe Oxum! Minha mãe Oxum é meu terceiro Orixá, minha Iabá ancestral que me acompanhará em todas as encarnações. Ela representa meu verdadeiro íntimo. Faz muito sentido com minha Lilith em Leão. Sua energia me dá tanta segurança que o mundo pode estar caindo ao meu redor, mas terei a certeza de que eu sou responsável somente pelo que me cabe. Ela é minha Paz e meu Conforto. Não pego nessa fase, peso dos outros. Ogum e Iansã dão passagem a Oxum para que eu possa ter descanso e olhar para mim mesma. A calmaria que esconde correntezas. Autoestima em paz. Foco e autocentrada. Consciência da própria importância. Sem tempo para o que não é meu. Oxum é bela, porque se prioriza. Oxum é força redirecionada. Não se demora onde querem apagar sua paz, brilho e beleza. Conhece o sentimento do outro, porque calada observa. E calada se vinga, se for preciso. E se alguém tiver algum problema comigo, que se resolva sozinho. Não me dêem porcaria, seja material ou comportamental, porque me recuso a receber. Vou deixar falando só. Oraieieu, Minha Mãe! Laura Berquó

terça-feira, 12 de maio de 2026

A CONTRIBUIÇÃO DE MANUEL QUERINO E AS JUNTAS DE EMPRÉSTIMO PARA ESCRAVIZADOS QUE ORIGINARAM AS CAIXAS ECONÔMICAS

Recentemente, tem chamado a atenção a seguinte notícia em jornais e no próprio site do Ministério Público Federal: “MPF cobra aprofundamento de medidas em acervo da Caixa sobre contas de escravizados no século XIX. Relatório do banco sobre escravidão é considerado insuficiente, com inconsistências e críticas de historiadora à pesquisa. O Ministério Público Federal (MPF) classificou como insuficiente o relatório apresentado pela Caixa Econômica Federal sobre registros financeiros de pessoas escravizadas no século XIX e determinou a ampliação da apuração. O órgão apura o papel da instituição financeira na gestão de recursos de pessoas escravizadas e a destinação desses valores, especialmente no período de transição para o fim do regime escravista. A investigação foi instaurada a partir de representação da entidade Quilombo Raça e Classe e integra a atuação do MPF na promoção do direito à memória e à verdade histórica. Apesar de a Caixa ter identificado 158 cadernetas de poupança em seu acervo histórico, o MPF concluiu que o levantamento é limitado e não responde a questões centrais sobre o destino dos recursos e o papel da instituição no período escravista. Existem no banco cerca de 14.000 documentos da época que não sofreram qualquer tratamento arquivístico.” A iniciativa tanto da entidade Quilombo Raça e Classe e do próprio Ministério Público Federal é muito interessante não só do ponto de vista da proposta da reparação histórica, mas sobretudo pelo resgate da história de empreendedorismo dos africanos escravizados e seus descendentes e como estes colaboraram para a criação das caixas de mutuários a partir das chamadas Juntas de empréstimos para fins de aquisição de cartas de alforrias. Quem nos explica bem o funcionamento dessas Juntas é Manuel Querino em suas obras “O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira” (1918) e “A Raça Africana e os Seus Costumes” (1916) O ensaio de Manuel Raimundo Querino "O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira" foi apresentado no VI Congresso Brasileiro de Geografia em 1918. Manuel Querino foi um dos maiores intelectuais do século XIX e início do século XX, precursor de estudos antropológicos no país, folclorista, professor e opositor às ideias eugenistas de Nina Rodrigues, traçando a contribuição africana, nesse texto, na formação da sociedade brasileira, mas do ponto vista da livre iniciativa, da empresariedade, como culturalmente já preparado na África para atividades empreendedoras, de garimpo, organizacional, que no Brasil foram apropriadas pelas relações abusivas de exploração pela elite colonizadora que passou a desenvolver na sua descendência a aversão ao trabalho, considerado indigno e ultrajante, que seriam próprios para pessoas colocadas em condições de exploração e subalternidade em oposição a uma elite parasitária. Ressalta que apesar da facilidade da conquista, pela indolência característica dos descendentes que se acomodaram na exploração do trabalho alheio, os portugueses da elite não conseguiram manter suas colônias na Ásia, partindo assim para o Brasil. Já conhecedores da qualificação de etnias africanas para a agricultura, garimpo, comércio em vários setores, o tráfico de pessoas escravizadas da África teve início para o continente americano. Fala das formas de resistência, desde revoltas contra senhores de engenho, ao processo de formação de quilombos, bem como a criação de Juntas, estas demonstrando a capacidade de organização e eficiência das pessoas escravizadas para que seus mutuários pudessem tomar empréstimos para conseguirem a própria alforria, sempre organizando-se de forma coletiva, pensando no coletivo, administrando valores que eram depositados por pessoas negras para um objetivo comum. E sobre as Juntas criadas como forma de organização coletiva entre mutuários negros é que temos os embriões das chamadas Caixas Econômicas. Mas é na obra “A Raça Africana e os Seus Costumes” de 1916 que Manuel Querino explica mais detalhadamente sobre o funcionamento das juntas antes do surgimento da primeira Caixa Econômica fundada na Bahia em 1834, citando a experiência dos africanos escravizados que em Minas Gerais, liderados por Chico Rei. A experiência das juntas são anteriores, portanto, que as primeiras caixas econômicas: “Praticavam aqui na Bahia, quase o mesmo, os africanos. Ainda não existiam as caixas econômicas, pois que a primeira fundada na Bahia data de 1834, não se cogitava ainda das caixas de emancipação e das sociedades abolicionistas, antes mesmo de se tornar tão larga como depois se tornou a generosidade dos senhorios, concedendo cartas de alforria ao festejarem datas íntimas, e já havia as caixas de empréstimo, destinadas pelos africanos à conquista de sua liberdade e de seus descendentes, caixas a que se denominavam — «Juntas». Com êsse nobilíssimo intuito reuniam-se sob a chefia de um deles, o de mais respeito e confiança, e, constituíam a caixa de empréstimos. Tinha o encarregado da guarda dos dinheiros um modo particular de notações das quantias recebidas por amortização e prêmios. Não havia escrituração alguma; mas, à proporção que os tomadores realizavam as suas entradas, o prestamista ia assinalando o recebimento das quantias ou quotas combinadas, por meio de incisões feitas num bastonete de madeira para cada um. Outro africano se encarregava da coleta das quantias para fazer entrega ao chefe, quando o devedor não ia levar, espontaneamente, ao prestamista a quota ajustada. De ordinário, reuniam-se aos domingos para o recebimento e contagem das quantias arrecadadas, comumente em cobre, e tratarem de assuntos relativos aos empréstimos realizados. Si o associado precisava de qualquer importância, assistia-lhe o direito de retirá-la, descontando-se-lhe, todavia, os juros correspondentes ao tempo. Se a retirada do capital era integral, neste caso, o gerente era logo embolsado de certa percentagem que lhe era devida, pela guarda dos dinheiros depositados. Como era natural, a falta de escrituração proporcionava enganos prejudiciais às partes. Às vezes, o mutuário retirava o dinheiro preciso para sua alforria, e, diante os cálculos do gerente o tomador pagava pelo dôbro a quantia emprestada.” Manuel Querino trata ainda das relações abusivas de afeto, em que vemos a figura da mulher preta que desenvolve afeto pelas crianças brancas que estavam sob seus cuidados, dentre outros exemplos. Lutou contra a ideia negativa da miscigenação como sinônimo de atraso, mostrando a contribuição do "mestiço", sendo importante para desconstrução da imagem negativa do elemento africano desenvolvido pelo racismo científico. Laura Berquó

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A VELHA TELEFUNKENM

Se eu pudesse retornar à minha infância, nos anos 80, estaria brincando de boneca, refazendo lições da escola e, com certeza, vendo TV. A propósito, minha avó Laura morreu em 1986 e deixou, dentre os bens da herança, uma geladeira GE dos anos 70, que eu gostava de me divertir, porque na porta havia um portão para apertar e pegar água, e o outro bem foi uma TV colorida TELEFUNKENM, também dos anos 70. Hoje em dia os jovens são muito chatos. Muitas facilidades e muitas reclamações. Hoje, toda modernidade vem sem nenhuma exclamação de surpresa da geração pós-90. Alcancei as TVs preto e branco. Horrível quando os botões da TV engrossavam com a gordura dos dedos e os canais trocavam sozinhos. Assepsia constante desses botões. Ou a imagem começava a rolar e você tinha que dar um soco na lateral da TV para a imagem parar. A TELEFUNKENM fez sucesso lá em casa. Assistíamos TV animado após o almoço para fazermos digestão e irmos estudar. A geração de hoje não sabe o que é uma TV que servia de móvel pelo tamanho e porque era revestida de madeira. Um dia a TELEFUNKENM lá em casa resolveu dar problema, o que não era incomum para as TVs daquela época. Só que a imagem foi diminuindo, diminuindo e as crianças hipnotizadas com aquele fenômeno olhavam fixamente até que a TELEFUNKENM explodiu. Eu e meus irmãos saímos correndo e nunca mais chegamos perto de uma TV antiga por um bom tempo. Laura Berquó

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO EM ECONOMIA DOMÉSTICA

No sebo consegui um exemplar de um manual da década de 1960 sobre a disciplina Economia Doméstica e apesar das críticas que ouvimos hoje a esse tipo de conteúdo por ter sido no Brasil direcionado às mulheres em algumas escolas, o que se alega ser uma forma de estigmatizar funções para cada gênero, é sem dúvida um conteúdo de extrema importância para nossas vidas e que em uma sociedade cada vez mais consumista e com péssima alimentação, deveria retornar à escola ensinando a todas as pessoas. Não tenho nada contra mulheres que gostam dos papéis de maternagem e cuidados com a casa, porque hoje podemos ter mais escolhas, como refutarmos esse lugar, ou somar esses papéis a outros desempenhados. Existe uma ética do cuidado que muitas de nós também apreciamos. Assim, o que tem de tão interessante em Economia Doméstica que podemos aplicar na nossa realidade e fazermos dela um estilo de vida? Primeiramente, a Economia Doméstica nos ensina a ter noção de orçamento. A vivermos dentro da própria realidade financeira e aprendermos a fazer escolhas inteligentes e acessíveis. Também educa para um comportamento moral. Ora, se seu marido ou companheiro ganha R$ 5.000,00 por mês e vive como se ganhasse R$ 20.000,00, ou ele está se endividando ou está fazendo coisas ilícitas. Da mesma forma se ele ganha R$20.000,00 por mês, e sem dar maiores satisfações, apenas disponibiliza para as despesas do lar R$ 5.000,00, ou está gastando com outra família ou com vícios ou guardando e investindo dinheiro sem o seu conhecimento. Conheci casos de senhoras que no divórcio não faziam a mínima ideia de quanto seus maridos realmente percebiam e geralmente estavam afastadas da administração econômica da casa. O segundo aspecto interessante da Economia Doméstica é que ensina a inventariar todos os itens de vestuário, de acessórios, etc. Isso evita consumismo desnecessário ao você ter ideia do que já possui e refletir sobre a necessidade de nova aquisição. Terceiro, você pode aplicar o procedimento de inventariar para outros itens da casa, assim como produtos estocados na sua dispensa. Quarto, a Economia Doméstica permite você fazer trocas inteligentes de alimentos que possam caber no orçamento: você aprende desde calorias, nutrientes e formas de conservação e preparo dos alimentos que te levam à escolhas mais saudáveis e otimizadas. Quinto, ao planejar, a partir das escolhas dos alimentos, o cardápio da semana de sua casa, você consegue também economizar e não comprar em excesso alimentos que venham a se estragar. Logicamente, não podemos esquecer de pessoas que vivem com o mínimo onde a adoção dos ensinamentos da Economia Doméstica se torna difícil, porque todas as necessidades são urgentes. Mas acredito que mesmo assim seja de valia, especialmente para a classe média cada vez mais endividada. Laura Berquó

CARTA PARA A SEMANA

A Pombagira Cigana passou e deixou o recado da carta número 7 do Lenormand (Baralho Cigano): A Serpente. Há uma diferença entre cobra e serpente. Salvo engano os répteis que temos aqui na América do Sul são serpentes e não cobras. Mas o que a Pombagira Cigana quer dizer é que tanto cobra como serpente trocam de pele, então podemos estar diante de uma fase de mudanças ou passando por mudanças internas. A Carta da Serpente ainda indica forte desejo sexual. No sentido negativo a Carta da Serpente nos orienta a tomarmos cuidado com falsidades, traições e invejas dos outros ou que esses sentimentos não venham fazer morada dentro de nós. A Serpente indica a necessidade ainda de renovação, já que ela troca de pele, e iniciar novos ciclos. Esse é seu lado positivo: a transformação. Laura Berquó