EPA HEY!!!
quinta-feira, 12 de março de 2026
TBT INDICAÇÃO DE LEITURA: "A VERDADE SOBRE O CLITÓRIS"
TBT: AS 111 ADVOGADAS DE DÉBORA DINIZ
Publicado em 22.11.2019 no Blog EPA HEY!!!
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| Foto Internet: Antropóloga Débora Diniz |
quarta-feira, 11 de março de 2026
PENSAMENTO DO DIA
QUANDO A MISOGINIA FOR CRIMINALIZADA, OUVIREMOS DE ALGUNS HOMENS: "EU? MISÓGINO? IMAGINE, QUEM ME CONHECE SABE. TENHO ATÉ ESPOSA E FILHA MULHER."
LAURA BERQUÓ
EPISÓDIOS DE MISOGINIA NO IAB
Prezado@s,
Não é de agora que eu tenho sido vítima de tratamentos que defino como misóginos no IAB. Quando não são colegas mulheres que se identificam com a agressividade do patriarcado e reproduzem o bullying e violência institucionais, tenho que lidar com manifestações de desrespeito e tratamento incompatíveis de colegas em algumas comissões da Casa: mainterrupting, construção de falas para que eu pareça destituída de senso ou que me coloquem em "lugares" que não me pertencem, que não reconheço como meus, pronomes de tratamento incompatíveis com a profissão, que têm formas próprias de tratamento por tradição e deferência, com o objetivo doentio de me desmerecer.
São os mesmos colegas HOMENS de sempre que insistem em grosserias repetidas e o silêncio daqueles que com certeza concordam com esse tipo de violência, porque também se identificam com os agressores. Dirão: isso é só com você? A maioria das mulheres também está calada. Deixem se tornar cabeça de prego para verem se não levarão martelada.
Em tempos de masculinidades fragilizadas com a ocupação de espaços públicos de debate por mulheres, eu realmente me preocupo como a forma de violência contra a mulher, em cercear espaços de fala, tem escalado. Também ditar como devemos ser: alguma vez usei de xingamentos ou palavras de baixo calão? Fora as minhas discordâncias expressas e o gosto pela participação e debate, o que incomoda tanto? A minha existência?
Não vou mudar minha forma de ser para agradar, nem mesmo serei silenciada por homens truculentos que até outro dia eu não sabia da existência.
Chamo a atenção da Instituição e dos Confrades e Confreiras para que reflitam sobre a cultura que está sendo difundida na Casa de Montezuma. Inclusive a narrativa de que "problemas internos se resolvem internamente". Com quem? Com os agressores?
No mais, vou continuar a responder agressões com trabalho. Aguardando o dia de criminalizarem a misoginia. Já tivemos associado antissemita tendo que responder pelo seu desprezo e tratamento degradante, se essa cultura de tratar mal colegas mulheres não mudar, também teremos em breve colegas denunciados por misoginia.
Não sou depósito de lixo psicológico da misoginia de ninguém. Não é a primeira vez que há tentativas e provocação de colegas homens com o intuito de menosprezo ou invalidação da minha participação no espaço coletivo.
Cordialmente,
Laura Berquó
NOVO LIVRO ATÉ O FIM DE MARÇO
Até o dia 31 de março de 2026, o livro já estará disponível na plataforma Clube de Autores.
Porque depreciação alheia se responde com trabalho.
Um grande xêro!
Laura
domingo, 8 de março de 2026
PARTE 2 A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA NO 8 DE MARÇO: EXPERIÊNCIAS
Continuando as experiências com a mulheridade branca de mentalidade burguesa, perpetuadora e vítima do pior do patriarcado (sim, o patriarcado pode ter coisas boas como instituições, estruturas, Leis, etc), lembro de situações que presenciei como advogada. Nessa condição fui tanto advogada familiarista, acompanhando mulheres em processos de divórcio, como também na condição de Conselheira Estadual de Diretos Humanos , ao acompanhar familiares de vítimas de assassinatos, percebi algo comum na mulheridade branca burguesa: o comportamento ditado pela religião e o contexto de classe que ou é feito por pessoas brancas ou embranquece as mentalidades.
Lembro que uma das coisas que me chamavam a atenção em alguns divórcios era a dificuldade de algumas mulheres lidarem com a falta de retorno do investimento emocional e moral feitos no casamento. Depois de seguirem uma mocidade dentro dos limites impostos pela religião, guardarem seu bem mais precioso para a noite de núpcias, serem estritamente obedientes aos pais, e depois essa obediência ser repassada ao casamento, com renuncia de um próspero caminho profissional, o normal, como devia ser de se esperar, seria que fossem colocadas em um altar, um pedestal, pelo marido e filhos. Não era o que acontecia, obviamente, e o fato de muitas vezes serem demandadas pelos maridos em ações de divórcio fazia com essas mulheres, sem perceberem, questionassem o que saiu errado, já que seguiram corretamente o script. O que haviam prometido, em troca de serem tão obedientes, não existia ou não se consumou. Foram lesadas. O reconhecimento por serem mulheres virtuosas não chegou.
Outro ponto que percebi, bem específico da mulheridade branca burguesa, de um modo geral, é o extremo medo de aparentarem vulgaridade. Como advogada percebo colegas que renunciam à feminilidade e fazem disso o ponto central de sua personalidade: aparentarem ser profissionais, serem mínimas na aparência, porque maquiagem e enfeites não ficam bem (para quem?), precisam aparentar uma imagem assexuada. Afinal, precisam ser uma caricatura feminina do homem de negócios. Nada mais do que o feminismo liberal (e branco) parece pregar, que mulheres podem ascender profissionalmente, mas para isso precisam parecer como homens nos direitos de igualdade que somente a classe pode produzir: lugares de comando (nunca de quem obedece), serem suas próprias empreendedoras, serem competitivas, mesmo que tornem invisíveis outras mulheres. Daí minha inclinação ao feminismo decolonial. Não percebo, no entanto, esse comportamento de renúncia da própria feminilidade nas colegas da Paraíba. Aqui a feminilidade flui de forma harmoniosa, em paralelo com o desempenho profissional. Somos muito vaidosas aqui, sem que isso coloque em questionamento a nossa capacidade. Não aderimos 100% ao estilo minimalista assexuado ou à aparência imposta pelo feminismo liberal.
Outro acontecimento que me chamou a atenção foi como Conselheira Estadual de Direitos Humanos e advogada. Uma mulher branca de origem em grande colonizador do interior do Estado, muito católica, teve o filho assassinado a mando de um esquema político corrupto daqui. Numa palestra dada pelo mandante do assassinato, compareceu e peitou o sujeito, como em outras situações já havia demonstrado estar no limite emocional com aquela situação. Qual a surpresa que tive quando ela me contou que as irmãs e familiares chamaram a atenção dela, porque não ficava bem para uma mulher da origem dela, do nível dela (só faltou falar da cor dela), fazer barracos publicamente apontando o mandante do assassinato do filho? Quer dizer que você perde o filho assassinado e não pode extravasar a dor, porque não fica bem para uma mulher branca de origem social abastada ter explosões públicas de dor. Parece que chorar e gritar pelos filhos mortos só pode para mulheres pretas e pardas de periferia que perdem seus filhos para a violência estrutural e institucional.
A mulheridade branca marca seu lugar a partir de um pensamento de cor, mas também de classe, do qual trata com desprezo as demais mulheres, deixando para as "outras" o lado "sujo" da sensualidade que são ensinadas a reprimirem desde novas para conseguirem o grande prêmio que é a respeitabilidade, o reconhecimento, essa compensação secundária. Certa vez, no carro com duas amigas negras, eu comentei sobre um homem que estava me fazendo a corte, mas eu sabia que o intuito era só sexual, no que uma delas disse: "você ainda recebe a corte, porque é branca. Se fosse negra te chamariam logo para a cama". E é verdade. Nada mais certo do que diz Lélia Gonzalez (e nessa fala ela traduz a mentalidade da mulheridade branca burguesa e homens no trato com as mulheres a partir da cor): "negra para trabalhar, mulata para foder e branca para casar".
Em breve trarei resumos de livros que tratam da mulheridade branca de pensamento burguês , aqui entendido como um lugar de mentalidade e não propriamente de renda, patrimônio, etc.
Na foto, o livro que já está sendo elaborado, em que irei fundamentar as ideias trazidas com o pensamento de estudiosas/os sobre sexualidade, classe, cor/raça e feministas. Previsão de lançamento no segundo semestre de 2026.
O estudo da mulheridade branca burguesa, em específico, deve contribuir como um dos aspectos críticos da branquitude e perpetuadora das violências do patriarcado.
Laura Berquó
A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA NO 8 DE MARÇO: EXPERIÊNCIAS
Hoje, mais um dia oito de março. Não quero me colocar em um processo de revitinizacão, mas é bom lembrar que na vida de uma mulher isso acontece constantemente.
Hoje lembrei de como o dinheiro público serviu para patrocinar blogs que me difamaram com expressões pejorativas e deturpando fatos, para que eu fosse a "louca", "sem credibilidade", com as piores fotos descabelada, etc. Foi uma época de linchamento moral, sob o silêncio de feministas. Afinal, se eu não tivesse ferido o ego de um homem branco, hétero, cis e de sigla à esquerda, isso não teria acontecido. Porque entre mim e um homem com poder, não existe essa de sororidade.
Hoje lembrei também do dia que fui quase estuprada por um pedreiro quando entrei por engano em um prédio em reforma e pedi informações. Uma colega marcou comigo no escritório dela e deu como referência que o escritório dela estava em obras. Era uma casa (escritório) em obras. Só que na rua existia outro escritório em obras e perguntei na entrada se era o escritório dela. O pedreiro disse que sim e que me levaria até a sala dela. Ele estava me levando pra uma sala cheia de facões e me pegou pelo quadril e disse que eu entrasse. Eu corri e comecei a gritar na rua, a delegacia era próxima e eu e ele fomos levados. Na época foi tratado como importunação sexual, porque ele apenas teria colocado a mão no meu quadril e importunação sexual era contravenção penal naquele tempo. De modo que prescreveu. Mas lembro dos policiais rindo "com todo respeito" quando sai da Delegacia: "o cara viu uma Galega dessas e pensou que era o grande dia dele". Afinal, só quem paga pelo próprio equívoco é a mulher. E eu errei a casa....
Uma das piores fases da minha vida foi a infância. Como herdeira de um forma de pensar típica da mulheridade branca burguesa (e aqui falo de mentalidade, e não de condição financeira propriamente dita ou cor de pele), crescemos educadas a tratarmos de questões em que somos vítimas, internamente ou discretamente nos espaços de adoecimento, para não escandalizar algo maior que nossa individualidade, porque nossa identidade é de grupo: o nome dos outros, o nome dos espaços, o nome da família, etc. Você segue inominada e como extensão de algo estranho ao seu corpo, sendo que nunca nos sentamos à mesa com os agressores e quando isso acontece é com desigualdade de armas. Falo tudo por experiência própria. Falar do pensamento da mulheridade branca burguesa e o adoecimento que causa e apoio na manutenção de violência contra mulheres (todas) é meu lugar de fala. A mulheridade branca burguesa vive para os outros, nunca para si: regras de repressão sexual desde cedo apreendidas. Cautela ao se expressar sexualmente, para não ser confundida com "outras". Cautela ao se expressar em tudo. O apontamento da estrutura da sociedade que diz que você saiu do script e por isso, será castigada. O rótulo de louca, etc. E o grande prêmio para a mulheridade branca burguesa é depois de ter seguido todas as regras, ter o reconhecimento social de respeitabilidade e ser escolhida por um homem que a transformará na Sra Fulano. Não estou criticando mulheres casadas. Mas na mulheridade branca burguesa há uma ferida narcísica quando percebe que toda essa repressão aceita não foi o suficiente para o reconhecimento. É como quem diz: "sou merecedora, mas meu prêmio não chegou. Como? É meu de direito. Eu segui o script e não fui santificada e nem posta em um pedestal". Mas voltando à violência adultocêntrica e infantilização, a violência adultocêntrica é apontada como produto do patriarcado. Não sei se no matriarcado seria diferente. Vocês já viram mulheres autoritárias? Mas Saffioti diz que a violência contra crianças não deixa de ser uma delegação do patriarcado às mulheres e por isso mulheres podem sim, serem cúmplices do patriarcado. E aqui uso isso como analogia para a infantilização em espaços institucionais, espaços de participação pública de mulheres, embora a Convenção de Belém do Pará de 1994 diga que o Direito de Associação seja um direito humano das mulheres e aqui falo do direito de não ser perseguida nesses espaços.
Essa infantilização e violência adultocêntrica perpassam espaços em que minorias precisam ser infantilizadas para terem "salvadores" ou simplesmente são esmagadas. O mundo Ocidental trouxe, inclusive, a institucionalização simbólica de quem tem o direito de gládio sobre quem e o Estado permanece exercendo esse Direito de Gládio.
No mundo adultocêntrico branco, sustentado pela mulheridade branca de mentalidade burguesa, não existe violência contra crianças, porque o importante é viver com a imagem "em conserva" ou como propaganda de margarina, até que aparecem já mortas as vítimas como Leandros, Isabelas, Henrys, etc. A hipocrisia social vai dizer "Ohhhhh" para uma situação que todos sabem existir, porque no mundo branco a violência é sempre institucionalizada ou na família ou em assédios institucionais, da porta para dentro, onde se particulariza espaços públicos ou no caso das famílias, onde se tenta esconder a disfuncionalidade. O mundo adultocêntrico branco é racista, por tentar fazer acreditar que lares não-brancos são disfuncionais, quando na verdade, crianças brancas sofrem da porta para dentro e crianças não-brancas, mesmo amadas pela família serão vítimas em potencial da porta da rua pra fora pelas mãos do Estado. A mulheridade branca burguesa é uma das maiores contribuições e cúmplice do patriarcado e me refiro aqui à mentalidade. Porque como assimilação, após ascenção de classe, outros grupos adotam o modo de pensar da mulheridade branca burguesa, porque na verdade é uma extensão do patriarcado.
Prosseguindo sobre hoje, Dia Internacional da Mulher. O sempre previsível dia de parabenizações, mesmo em espaços em que algumas mulheres são mais mulheres ou menos mulheres para fins de assédio institucional e desrespeito como o que passei na Comissão de Direitos Humanos no IAB com constante mainterrupting e na própria instituição. Não existe isso de tratar violência institucional "em casa" e com seus agressores. Parece uma extensão da mentalidade patriarcal perpetuada pela forma de pensar da mulheridade branca burguesa.
Fica o registro, para não cair no esquecimento que há acepcão de mulheres quando elas incomodam. As flores de hoje são para as que não desagradam. No patriarcado, o primeiro silenciamento é o da fala. O segundo é o do corpo.
Laura Berquó





