quinta-feira, 4 de junho de 2026
VIOLÊNCIA ADULTOCÊNTRICA X VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Muitas críticas estão sendo feitas à Magistrada Elizabeth Louro, devido à sua fala sobre "misoginia", "vitima" ,"massacre midiático", "patriarcado" etc ao justificar a concessão do perdão judicial à mãe de Henry Borel, no julgamento que se encerrou em 04.06.2026 no 2° Tribunal do Júri da Comarca do Rio. Eu vou me ater ao seguinte: o Judiciário brasileiro está preparado para debater violência adultocêntrica? Tendo a criança como foco dessa violência e não como um apêndice da mãe? A revolta que a fala da Magistrada causa está em repetir a mesma violência do patriarcado, que diz condenar, que é a violência adultocêntrica, tão recorrente e escondida em lares brancos e só trazida à tona quando tragédias desse tipo acontecem. A violência adultocêntrica precede a violência de gênero. A violência capacitista também. Nem sempre a violência exclusivamente de gênero existirá numa sobreposição de estruturas de opressão. Eu realmente não suporto o feminismo liberal, em que devemos ter direitos supostamente iguais aos dos homens brancos e burgueses, para criarmos privilégios paralelos de opressão sobre outros grupos coomo crianças, mulheres negras, pobres etc. Mas, se fosse a partir de uma análise interseccional, em que a violência adultocêntrica também pode ser referenciada nas discussões de gênero, classe e raça, essa fala não seria possível. Nada mais branco, burguês e patriarcal que falar equivocadamente em misoginia em detrimento de violência adultocêntrica.
Laura Berquó
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