sexta-feira, 5 de junho de 2026
VIOLÊNCIA ADULTOCÊNTRICA E A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA COMO GARANTIDORA
Ainda sobre a fala da Magistrada Elizabeth Louro, que foi assunto do post anterior, o "feminismo" acionado para invisibilizar a violência adultocêntrica e mais uma vez comprovar o criticado narcisismo de discursos identitaristas vazios é, sem dúvidas, um dos alimentos da mulheridade branca burguesa na manutenção do seu exercício paralelo de estruturas de opressões. Nada mais romano e patriarcal que violência adultocêntrica. Basta dar uma lida ligeira na Lei das XII Tábuas. Esse discurso feminista liberal, em que mulheres querem as mesmas igualdades dos homens, ainda que interpretado de forma equivocada, ainda que criem outras opressões, é o que feministas decoloniais como Nancy Fraser, Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya afirmam que só representa simbolicamente 1% das mulheres que são brancas, burguesas, hetero, cis, sem deficiências, cristãs, etc etc. Eu não sou chegada ao feminismo liberal. Sou uma apreciadora do anarcofeminismo na busca por igualdade de direitos com os homens e dos feminismos negro, interseccional e decolonial que se insurgem contra estruturas de opressão mantidas por outras mulheres. Não eximo mulheres de suas responsabilidades, embora possam ser vítimas de misoginia e morrerem por isso. Não sou a favor do aborto indiscriminado, defendido por feministas, porque vejo como a primeira violência adultocêntrica, em que mulheres querem disputar com o patriarcado o antigo direito de gládio sobre corpos mais frágeis. Nós, mulheres, podemos ser violentas e devemos responder por isso. Nós,mulheres, podemos nos omitir de fazer o bem ou evitar o mal e devemos responder por isso. Não há como discursos feministas liberais se suportarem sem críticas. Vejam que hoje já se reconhece os efeitos nefastos do "protagonismo" feminino de perseguição e opressão de mulheres contra mulheres chamado Wollying. Desde Medeia, em que houve naquele mundo mítico grego e patriarcal a subversão da ordem, porque somente homens tinham o direito de gládio sobre filhos e disposição da vida das mulheres, temos atualmente não a subversão da ordem, mas manutenção da ordem, manutenção de estruturas de opressões praticadas por mulheres de grupos priviligiados. Vemos a reafirmação de poder da mulheridade branca burguesa, com o auxilio do feminismo liberal combinado com o narcisismo próprio dos discursos identitaristas sem crítica séria.
Até o fim do ano finalizo o livro A MULHERIDADE BRANCA BURGUESA onde aprofundaremos eses pontos, com lançamento para 2027.
Laura Berquó
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