domingo, 28 de junho de 2026

O SUICÍDIO DE CLASSE QUE O FEMINISMO BRANCO LIBERAL NÃO FAZ É O CAMINHO DO DIÁLOGO

Feminismo liberal branco é feminismo de classe e de raça, mas no sentido de raça e classe que compactuaM com as demais formas de exploração de outras mulheres. Em que sentido? O feminismo liberal e branco ele não discute sobre estruturas de opressões. Ele não questiona "quem limpa a sujeira do mundo?" como no feminismo decolonial de Françoise Vergés. Ele também é glorificado na prática por mulheres da extrema-direita, que embora não queiram o rótulo de feministas, têm acesso à política, ao mercado de trabalho, aos postos de chefia, mas não querem o rótulo de feministas. Apenas querem manter os mesmos sistemas de privilégios de raça e gênero. Dizem não combater os homens e realmente não o combatem, diferentemente de feministas liberais que realmente querem competir com homens brancos e de classe média/média alta por espaços de poder, independentemente se precisarão oprimir outras mulheres. As não-autodeclaradas feministas brancas liberais da extrema-direita reforçam tanto o poder sobre estruturas de opressão sobre outras mulheres e homens não-brancos, como também reforçam o poder do homem branco. É a única diferença. O feminismo é complexo, porque existe mais de um, embora a ignorância queira reduzí-lo ao único movimento de algumas feministas liberais e/ou radicais de ódio aos homens ou de eterna competição. Para que essas mulheres possam de fato aderir à promoção e debate de melhoria de vida de outras mulheres dentro de um debate interseccional, deveriam primeiramente promover o que Amilcar Cabral chamou de suicídio de classe. Não há como haver diálogo entre os diversos tipos de feminismos se não houver por parte das feministas liberais brancas o chamado suicídio de classe. Suicídio de classe é a primeira condição para que todas as mulheres possam de fato exercer o que Vilma Piedade nomeou de "dororidade". Enquanto isso, o feminismo liberal alçara mulheres a cargos de poder e chefia, sem o diálogo necessário com outras camadas como mulheres subalternizadas por classe e raça e, também, sem reconhecer outras vulnerabilidades existentes como na nossa cultura ocidental adultocêntrica. Suicídio de Classe é o caminho para o diálogo entre os feminismos. Laura Berquó

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