segunda-feira, 29 de junho de 2026
AMARRAÇÃO EUROPEIA
Sobre Streghoneria e outras bruxarias europeias, a exemplo da grega, minha avó contava muitas histórias sobre bruxas, porque os camponeses italianos realmente acreditavam que algumas mulheres eram bruxas, respeitavam seus conhecimentos e manifestações, que inclusive hoje chamamos de paranormais. Os italianos antigos eram ótimos em praguejar, amaldiçoar etc. Mas, o que chama atenção aqui é o racismo religioso do brasileiro que desconhece o paganismo de povos europeus e atribui práticas exclusivamente aos povos étnicos africanos, sempre no sentido pejorativo. Um exemplo é o das chamadas amarrações. O livro exposto na foto explica como gregos e romanos faziam suas amarrações afetivas, sendo interessante como homens héteros rejeitados por mulheres recorriam a essa prática com mais frequência, bem como para vencer inimigos. Geralmente, utilizavam-se de túmulos de pessoas com mortes violentas para seus trabalhos espirituais. Conforme minha uma familiar me dizia, ela teria visto na Itália algo semelhante ao que chamaríamos de vodu, feito por italianas de idade que seguem a Vecchia Religione. Aqui no Brasil atribuímos essa prática como maldições, de forma racista e pejorativa às religiões afro-brasileiras. A Europa que todos buscam descender e ostentar é a cristã, capitalista que movimentou a imigração e tráfico de pessoas para colônias, extermínio, ainda atual, esquecendo que o conhecimento ancestral entre os povos um dia não era dividido por raças, ainda que houvessem disputas e proto-racismos, mas antes de tudo, era assimilado.
Laura Berquó
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