segunda-feira, 5 de outubro de 2026

TEREMOS UMA NOVA CONSTITUIÇÃO SE A EXTREMA-DIREITA CONFIRMAR A VITÓRIA NO SEGUNDO TURNO


 Ontem, acompanhei a apuração. Feliz, porque minha candidata à deputada estadual (Jô Oliveira/65000) foi eleita. Mas, precisamos entender o movimento atual. Como sempre, a esquerda brasileira não acompanha ainda a cyber militância e continua subestimando a capacidade do adversario. Embora, em termos acadêmicos a extrema-direita seja um tanto fraca nas suas argumentações, Meichu Sama falava que os políticos têm um tipo de inteligência diferenciada chamada "ardilosa". A esquerda aparenta não ter se apropriado disso. Já a extrema-esquerda, cito o PCO, parece fazer uma análise mais realista da esquerda e da extrema-direita no Brasil. A esquerda investe numa campanha emocional. Mas a extrema-direita também, quando alimenta o ódio aos grupos minoritários que começaram a ter projeção política, como mulheres negras, indígenas, trans e lésbicas, pessoas negras e pobres nas universidades, etc. Na coletiva do candidato do PL, após a apuração, só havia pessoas brancas e a maioria homens com aparência de 60-. Creio que os homens idosos começarão a amargar o etarismo que nós mulheres convivemos diariamente. Afinal, com o crescimento do Quarto Setor e uma previdência que não se sustentará, seremos idosos-estorvos para as famílias. Os votos dos Bolsonaristas envergonhados, em Cury, sairão do esconderijo. Lula cometeu o mesmo erro que José Maranhão (Paraíba) cometeu em 2010, que foi faltar ao último debate às vésperas das eleições. Deu a impressão de desprezo aos adversários. 

Eu creio que teremos em breve uma nova Constituição.

O Plano intitulado Para o Brasil Vencer o Atraso, de Flávio Bolsonaro, a parte que trata sobre Segurança Pública é muito parecida com a de seu pai quando em 2018 foi candidato e apresentou propostas que feriam cláusulas pétreas, direitos fundamentais. Mais uma vez se fala em castração química, porque a extrema-direita não  acredita que estupros não possam ser mais pela demonstração de poder sobre as vítimas do que propriamente incontinência de conduta. Em um governo de extrema-direita, a violência contra mulheres crescerá, devido à misoginia. Um tipo de misoginia específica irá se consolidar que é a misoginia estética de viés racista. Outra proposta discutível é a redução da menoridade, do ponto de vista constitucional, embora reconheçamos que a criminalidade tenha aumentado, principalmente com relação aos estupros coletivos envolvendo menores, haja vista que os adolescentes de hoje não são os mesmos de 1990. Mas o correto é buscar soluções que não firam a Constituição. Na verdade, creio que teremos outra Constituição em breve, caso concretizada a vitória de Flávio no segundo turno, porque em 2018 se falava em Constituição outorgada. Outro aspecto interessante é que as propostas do candidato são de quem vai passar a maior parte do seu mandato legislando, porque tudo passa pela reforma da LEP.  Também quer reprimir a criminalidade evocando Bukele para o Brasil. Os casos de tortura irão aumentar. A OEA já se manifestou diversas vezes contra as violações de Direitos Humanos em El Salvador e sobre o regime atual que caracteriza um verdadeiro Estado de Exceção. É esse tipo de modelo que o candidato do PL está querendo instaurar aqui. Mas a população está cansada da insegurança e não tem condições de fazer outra leitura que não seja radical. Somada à personalidade anal da maioria do eleitorado de extrema-direita que quer exercer controle sobre a sexualidade, sobre a estética, religião, sobre o comportamento particular dos outros. O PT, assim como a esquerda de um modo geral, é autofágica. Deram Ministérios impopulares ou apagados para Haddad e Tebet (direita, mas lida como esquerda nas eleições). A associação de ministros do STF à esquerda, lidos dessa forma, embora sejam neoliberais (víde como votam contra os direitos trabalhistas) alavancou campanhas da extrema-direita nos estados e ao Senado. Candidatos aos Governos estaduais fazendo corpo-mole com o nome de Lula em campanha e o PT não soube ler isso. O PT não trabalha a juventude conservadora que não se identifica com as pautas identitárias. Não conscientiza jovens que se beneficiaram de políticas públicas sociais desmercantilizadoras, que se beneficiaram do PROUNI e do REUNI. São jovens que assumem a identidade de jovem pobre de direita que quer ascender por mérito, esquecendo que houve políticas nesse sentido. Porque para esses jovens o ideal identitário é o de classe mesmo. E se de grupos identitários como feministas brancas liberais apontamos o suicídio de classe como o único meio para lerem corretamente a situação de mulheres de grupos sociais vulnerabilizados, o que podemos esperar de jovens que não estão em condições de privilégio, mas  se identificam com uma realidade que não é a deles? Há muito que o brasileiro se vê branco e burguês. Não há problema se os direitos trabalhistas estão acabando e no futuro não terão previdencia, porque o que importa é poder demonstrar a grande capacidade empreendedora que crêem ter. Em breve falaremos dos EUA, das terras indígenas e terras raras e o que podemos esperar.


Laura Berquó

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