terça-feira, 6 de outubro de 2026

EMPODERAMENTO ESTÉTICO: AUMENTO DA MISOGINIA ESTÉTICA DE VIÉS RACISTA NO PÓS-ELEIÇÃO

  


A urbanista e escritora Joice Berth nos traz o conceito de empoderamento em sua obra ‘Empoderamento’, da coleção Feminismos Plurais. E nessa obra ela trata justamente da relação de estética e empoderamento. E mais, como a construção de padrões podem ser ‘desestimulantes da autoestima de grupos historicamente oprimidos’, senão vejamos:

 

“Discussões apaixonadas se formam em torno da pergunta: estética é empoderamento? Talvez essas discussões pudessem ser reduzidas se entendêssemos os valores que circulam em torno da estética que é inerente à imagem e em que medida a forma com que padrões criados no cerne de uma sociedade plurirracial e patriarcal podem ser fatalmente excludentes e desestimulantes da autoestima de grupos historicamente oprimidos (...)Temos, então, nesse campo, um elemento importante nos processos de dominação de grupos historicamente oprimidos, pois, uma vez que se criam padrões estéticos pautados pela hierarquização das raças ou do gênero, concomitantemente criamos dois grupos: o que é aceito e o que não é aceito e, portanto, deve ser excluído para garantir a prevalência do que é socialmente desejado. E, assim se deu com o fenótipo da raça negra, desde o período colonial, que, de acordo com Grada Kilomba, é “a máscara que não pode ser esquecida. Ela foi uma peça muito concreta, um instrumento real, que se tornou parte do projeto colonial europeu por mais de 300 anos”” (BERTH: 2019, P.70).

 

O que se anuncia com a vitória da extrema-direita nas Eleições 2026 para o Congresso Nacional, e uma grande chance de vitória do candidato Flávio Bolsonaro, é o aumento da misoginia estética, com viés racista e moralista. Estamos vendo uma estética branca feminina, há algum tempo, para mulheres de vida pública, com procedimentos estéticos para reforçar a estética clean girl, que faz parecer minimalista e sem a necessidade de maquiagem, mas branca. Além disso, observem a padronização de rostos, inclusive de mulheres da extrema-direita, que reforçaram traços étnicos considerados brancos, com exceção dos lábios preenchidos. Já para mulheres que vivem na sombra de homens da extrema-direita ou que são influencers transfóbicas e anti-feministas, vivemos um momento de exaltação da mulher de presença estética apagada, sem maquiagens e acessórios chamativos, mas brancas. Sem liberdade na forma de se vestirem em estilos mais despojados e de livre movimento dos cabelos, usando suas cores pastéis e de tonalidade clara, porque da mulher na extrema-direita o que se espera é a figura insossa mesmo, no seu “devido lugar”, de passar a imagem de mulher santa, sem ambições de aparecer, discreta, controlada e sem libido. É a estética ideal da mulheridade branca burguesa.

Com o fortalecimento da extrema-direita, a estética e suas formas de expressão serão formas de resistência, como têm sido já há algum tempo com movimentos identitários minoritários, mas agora com o sentido de enfrentar o aumento da misoginia, com recorte estético, que deverá se tornar mais visível nos embates, a partir de 2027, no Congresso Nacional e Assembleias Legislativas, haja vista a eleição também de mulheres negras, indígenas, obesas e trans para assembleias estaduais e para a Câmara dos Deputados.

 

Laura Berquó

 

A ORFANDADE NA DIREITA MODERADA: NÃO É SÓ A ESQUERDA QUE DEVE REAGIR À EXTREMA-DIREITA

  


A extrema-direita ascendeu por ausência de lideranças na direita. Costumamos apontar o vazio de líderes na esquerda, tão competitivos quanto Lula, mas a verdade é que na direita o último nome competitivo foi o de Aécio Neves em 2014, que, envolvido em escândalos, deixou de ser competitivo e ainda apagou o brilho do PSDB no cenário nacional. Mesmo com todos os inquéritos arquivados e rejeição de denúncias pelo STF, e absolvições no TRF3, amargou em 2026, o 7º lugar na disputa pelo Senado em Minas Gerais. A direita moderada ainda é uma opção entre a extrema-direita e a esquerda, na falta de candidatos competitivos da esquerda. Tem sido assim em eleições anteriores para prefeituras no país, mas agora o que vemos são lideranças de direita cooptadas pela esquerda e afundando com ela no cenário nacional. Tenho visto muitos eleitores da direita moderada votando em Lula com medo do horror do Bolsonarismo. A ascenção de Bolsonaro começou nesses programas de PodCast e foi subestimada. No início um tipo que falava o que dava na telha, que espelhava o preconceito das pessoas em suas falas. E no meu detector da falta de empatia pelo próximo, que se confirmou na pandemia, eu já havia percebido nesses programas de entrevista e entretenimento, hoje Bolsonaristas, o desprezo por vidas, quando fez pouco caso de civis que morrem em guerras. Para vencer a extrema-direita, não serão somente lideranças da esquerda que deverão surgir, mas da direita também. Não é certo colocar exclusivamente esse peso na esquerda. Porém, a esquerda autofágica se juntou aos movimentos da Jornada de Junho de 2013, início da mobilização popular contra o Governo Haddad em São Paulo (capital), contra os 0,20 centavos da passagem de ônibus, ampliando para o movimento nacional “Não são só 0,20 centavos” liderados pelo Movimento Passe Livre de caráter dito suprapartidário. Em junho de 2013 estive na mobilização representando o Conselho Estadual de Direitos Humanos, abrindo a caminhada com discurso preparado e em nome do Conselho, pedindo paz, calma e serenidade aos manifestantes. Fui recepcionada no trio elétrico por algumas lideranças do PSOL de João Pessoa. Para completar o início do vácuo político que ocorreu a partir de 2014, sepultando a força da esquerda e da direita moderada no pais e início da ascensão da extrema-direita, a Operação Lava Jato foi direcionada para essa finalidade seguindo à risca o manuscrito, do agora eleito Governador do Paraná, Sérgio Moro, “Considerações Sobre a Operação Mani Pulite”, (https://revistacej.cjf.jus.br/cej/index.php/revcej/article/view/625), com distorções sobre o processo penal italiano para justificar um modelo de sistema inquisitorial que não é adotado no Brasil. Somando-se a isso, nem a direita, nem a esquerda dominam a cyber militância, que desde 2016 prolifera no mundo, pela extrema-direita, divulgando Fake News, racismo e misoginia. Não é somente a esquerda que deverá repensar sua forma de fazer política, mas a direita moderada também.

 

Laura Berquó

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O QUE É O ÍNDICE DE GINI? E O QUE ELE INFORMA SOBRE OS GOVERNOS LULA E BOLSONARO?

  Lendo o PROGRAMA DE TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL: UM PAÍS SOBERANO, DEMOCRÁTICO, DESENVOLVIDO SUSTENTÁVEL E CRIATIVO (https://static.poder360.com.br/uploads/2026/08/Programa-Governo-LULA-2026.pdf), Plano de Governo do Presidente Lula apresentado para as eleições de 2026, verifiquei a informação de que no 3º Governo Lula o Coeficiente de Gini atingiu o patamar mais baixo da história do Brasil. Criado pelo sociólogo Corrado Gini na década de 1910, passou a ser adotado oficialmente no Brasil em fins dos anos 70. O Coeficiente de Gini ou Índice de Gini serve para marcar a desigualdade social de um país, a concentração de renda, numa escala que varia de 0 (Zero) a 1 (Um). Quanto mais perto de Zero, menor a desigualdade social em um país. No Plano citado, informa que no terceiro mandato, o Índice de Gini alcançou o ponto mais baixo da história brasileira nessa escala estatística em 0,504. Fui confirmar e isso ocorreu no ano de 2024. Vejamos o que nos informa o IPEADATA com o quadro abaixo sobre a variação do Coeficiente de Gini (https://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=2096727571&module=M):

 

Data

 (Ascending)

Coeficiente de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes

 

1995

61,5

1996

61,6

1997

61,6

1998

61,4

1999

60,8

2001

61,0

2002

60,3

2003

59,6

2004

58,5

2005

58,2

2006

57,5

2007

56,8

2008

55,8

2009

55,4

2011

54,3

2012

54,0

2013

53,2

2014

52,6

2015

52,4

2016

53,7

2017

53,9

2018

54,5

2019

54,3

2020

52,3

2021

54,4

2022

51,7

2023

51,7

2024

50,4

2025

51,1

||Hide

 O Brasil saiu de 61,5 ou 6,15 em 1995 para 60,3 ou 6,03 no Governo FHC, governo este que implantou políticas públicas sociais desmercantilizadoras aprimoradas pelo Governo Lula e unificado no Bolsa Família. No período de 2003 a 2009, porque o período de 2010 não consta, saímos de 6,03 do Governo FHC e reduzimos para 5,54. No Governo Dilma, em seu primeiro mandato, saímos de 5,46 (2011) para 5,26 (2014). No período de instabilidade que seguiu houve um aumento para 5,37 (2016) e encerrou com 5,39 (2017) já sob a gestão de Michel Temer. No período pós- Golpe, de 2017, o coeficiente de Gini continua aumentando e chega em 2019 a54,3, reduzindo para 52,3 em 2020. No Governo Bolsonaro atinge 54,4 no período pós-pandemia e depois reduz para 5,17 em 2022. No terceiro Governo Lula se mantém em 5,17 no primeiro ano (2023), atingindo o ponto mais baixo do Coeficiente de Gini até então no ano de 2024 com 5,04. Aumento breve em 2025 com 5,11.

Não pode ser desprezado que o PT construiu uma política sólida de redistribuição de renda, bem como criou políticas habitacionais, permitiu que mais pessoas ascendessem às universidades. Estamos longe do ideal de países europeus. Mas estamos em um caminho que não permite mais retrocessos. Houve em 30 anos (1995-2025) uma queda de 1 ponto ou 10 pontos (numa escala de 0 a 100) no Coeficiente de Gini demonstrando que políticas públicas sociais de inclusão deram certo a partir do Governo de Lula, desde o primeiro mandato, sendo o que foi recebido por Temer e Bolsonaro foi a estrutura deixada pelos Governos anteriores.

 

Laura Berquó