terça-feira, 27 de outubro de 2026

DO CASAMENTO MORGANÁTICO ÀS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS: POR QUE A MONARQUIA NÃO CONTEMPLA OS BRASILEIROS?

 




Há pouco tempo, saiu na mídia, mais lida no Sudeste do que no restante do país, sobre o possível futuro casamento morganático,  de um possível futuro reinado, de um possível futuro trono, e a negativa na autorização para o enlace, como se estivéssemos falando de um Império que ainda existisse, ou que possa existir. Isso fez com que eu pensasse que realmente há grupos que vivem em mundos paralelos e vou explicar o porquê, após ver o novo vídeo de Dom Rafael, sobre o resultado das eleições, vídeo este que só tomei conhecimento, porque sigo O Diário do Rio. Mas, antes, quero falar de algumas impressões correlacionadas. Certa vez, um colega advogado, educado pela TFP nos anos 70 em São Paulo, ao comentar comigo sobre os colegas advogados e a pretensão dele ser uma liderança no meio, referia-se aos colegas causídicos como "a massa". Nunca me esqueci do desprezo à maioria e às minorias, literalmente. Era monarquista. Por que falo isso? Porque às vezes sinto que essa seria a vibe de uma possível monarquia em um futuro imaginário. Vocês já pararam para pensar em um país governado pela mentalidade TFP? Mas, eu penso que seria muito fora da nossa realidade, retornarem ao poder os herdeiros de uma Coroa que vive do saudosismo dos que eram queridos no século XIX, como nossas Imperatrizes, porque hoje vivemos outros tempos em que se exige mais que assistencialismo ou uma participação feminina ativa, mas de bastidores. Somos protagonistas hoje. Todas as classes podem participar do processo político. Do ponto de vista da liberdade de pensamento, o Brasil retomaria uma fase ante-positivista. Porque também se exalta o elemento religioso. Não vejo muita diferença na forma como os próprios Bolsonaros crêem serem aptos a criarem uma dinastia, só que nesse caso, plebeia e vulgar, além de outros fatores. No caso dos Bolsonaros há uma confusão clara entre os limites do público e do privado, porque era o que se via da interferência dos filhos na gestão do pai e a forma como vão para o exterior para incendiarem o país, como se o Brasil fosse a Casa da Mãe Joana de titularidade deles. Isso é o despotismo. Somente lendo A Pedagogia da Indignação de Paulo Freire, para entendermos o resultado da falta de limites. Mas quanto à Monarquia de sangue azul, embora, não pudesse se retomar um Estado oficialmente católico, por exemplo, haveria pressão de forma inoficiosa, em um cenário diferente do século XIX, porque naquele tempo, também de forma clandestina, segundo Pereira Barreto as pessoas eram oficialmente católicas, mas toleravam e aceitavam outras práticas. Só que isso não combina com o Brasil atual e a liberdade de expressão religiosa das pessoas.  Também é bom destacar que seria uma Casa que manteria laços com Casas europeias, obviamente, embora a população brasileira, em sua maioria seja parda (negra). Uma continuidade do que restou do colonialismo em pleno século XXI. Acho um mundo paralelo. Em um país que inventaram desculpa para retirarem uma Presidente do poder, dar um golpe em um rei para colocar outro não seria problema. E isso, Dom Rafael parece ignorar, apontando defeito no jogo democrático de candidatos serem oponentes e promoverem a escolha pública. Ele chama isso de instabilidade, e como solução para a instabilidade, só a Monarquia com ele no trono,  com a legitimidade de apenas 183 mil seguidores dele do Instagram, em detrimento dos 4,5 milhões a mais de brasileiros que confirmaram Lula. Alega que a Monarquia seria Constitucional e Parlamentarista, é óbvio, mas, como se o Gabinete não pudesse trazer instabilidade. Alguns sugeriram um plebiscito para 2026. Inconstitucional, porque já houve o de 1993 para essa finalidade e a população não quis Monarquia Parlamentarista. Simples. Muito estranho imaginar que se tem direito congênito a alguma coisa que não existe mais, em detrimento da maioria. E o mais interessante, é que as Constituições só mudam com grandes mudanças políticas como: fins de regimes políticos, queda de formas de Governo, etc, o que exigiria no cenário atual, no mínimo, um novo Golpe de Estado. Laura Berquó

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