terça-feira, 22 de setembro de 2026

SOBRE A MATERNIDADE

 




SOBRE A MATERNIDADE


Uma coisa que observo nos genitores, em geral, é que eles acreditam que o amor dos filhos é incondicional, quase que um imperativo categórico e reconhecimento da grande importância do arquétipo da mãe e do pai, que acreditam encarnar na matéria, sem a exigência de respeitar para serem respeitados, como se fosse um direito congênito ao amor e respeito filiais, em detrimento de relações psíquicas sadias. As relações entre pais e filhos são as primeiras relações desproporcionais. Freud dizia que os filhos deveriam matar os pais no sentido psíquico. Um dos grandes tabús, de fato. Mas ao transpô-lo morre um pouco a vontade de estar nesse lugar, de adoração, de maternidade no sentido de pedestal, e aceitando a possibilidade real de não ser amada, em reconhecimento aos limites e autodeterminação do outro, morre a vontade de ser mãe, de continuar a espécie dentro dos mesmos parâmetros. 


Laura Berquó

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