quinta-feira, 28 de maio de 2026

POR QUE AO INVÉS DE PERSEGUIREM MULHERES TRANS, NÃO SE PREOCUPAM COM O FEMINICÍDIO?

Essa semana, uma mulher sobreviveu à tentativa de feminicídio do ex-companheiro. Ela 41, ele 53. O caso aconteceu na Grande Belo Horizonte. Ela foi estuprada e, em seguida,jogada de um penhasco. O TJPR entendeu que um homem que ateou fogo na ex-companheira não teve a intenção de matar. São dois casos que me chamaram a atenção essa semana, além de mais um transfeminicidio em João Pessoa. E, realmente, a grande preocupação da extrema -direita tem sido o uso dos banheiros femininos por mulheres trans e travestis. Nunca vi uma mulher trans ou travesti ficar nua ou estuprar mulheres cis em banheiros públicos. O grande medo dos homens é que as filhas entrem no banheiro e vejam uma mulher trans ou travesti. Como se ao entrar fossem se deparar com um pênis exposto ou fossem ser automaticamente estupradas. Claro que casos de homens que não são travestis e mulheres trans que possam se aproveitar da ocasião poderão ocorrer. Da mesma forma que muitas crianças e adolescentes têm sido estuprados por meninos mais velhos nos banheiros escolares ou meninas que sofrem estupro coletivo de colegas nas escolas e esse tipo de violência não têm sido debatida. O negócio é atacar trans, porque tem crescido a representatividade delas na política. O aumento real de violência de gênero, seja política ou não, não é atacada pela extrema-direita. Essa semana a parlamentar gaúcha Luciana Genro recebeu ameaças de estupro e de morte, o que tem sido uma constante na atuação das parlamentares de esquerda do país. O problema das mulheres trans e travestis usarem banheiros em conformidade com a identidade de gênero mexe com a imaginação erótica e fetichista de muitas pessoas. E talvez esse seja o grande problema. Porque, sinceramente, se cada cabine no banheiro é individualizada, não sei onde está o problema. O que existe nesse caso é uma falofobia. Homens talvez tenham medo de terem seus pênis comparados por suas companheiras, talvez queiram controlar o desejo das filhas em um contato imaginario com um pênis, mulheres talvez tenham medo de sentir desejo por pênis anônimos de mulheres trans e travestis. Ou, recusar entrada de mulheres trans em banheiros públicos seja uma forma de exercer de forma "segura" sua transfobia. O fato é que enquanto implicam com mulheres trans e travestis, não há nenhum movimento na mesma proporção de combate ao feminicídio. Não há algo errado? Usarem as mulheres trans e travestis como cortina para não debaterem e atacarem assuntos mais complexos? Ou realmente a preocupação dessas pessoas está somente em reprimir expressividade e sexualidade alheias como fazem misóginos em geral? Laura Berquó

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