sábado, 30 de maio de 2026
A COLHEITA
Estou muito orgulhosa de mim. Cheguei satisfeita aos 47 anos, colhendo o bem a mim mesma, que eu plantei a vida inteira: vida sem álcool, sem vícios, sem cigarro, sem deogas, sem promiscuidade e também, sem anticoncepcional. Sim, anticoncepcional, que a maioria das mulheres toma em excesso, pode acarretar vários prejuízos. Também só bebo água mineral e a fonte tem que ser de Santa Rita-PB. É meu mérito chegar bem, porque fiz escolhas certas. A colheita tem sido me semtir bem na minha pele. Sem doenças físicas. O pouco que aparece, corrijo com alimentação e acordando tarde, se não tiver compromisso pela manhã. Já se foi o tempo em que o problema dos outros era prioridade. Hoje deixo falando só ou nem respondo. Não interajo. Praticamente só saio para trabalhar no que gosto que é lecionar. Para sair, tem que haver uma finalidade: comprar um livro, ir ao salão, terreiro, etc. Não me chamem para festas, porque eu digo que vou, mas sempre desisto, porque gosto de dormir de madrugada. Não gosto de compartilhar minha energia e de me sentir drenada. A idade trouxe essa maravilhosa sensação de desprezo. A frieza faz parte da colheita de quem já foi boa demais, besta demais e mesmo assim, não prestou.
Laura Berquó
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