domingo, 10 de maio de 2026

LEOPOLDINA FRANCISCA MONTEIRO (BERQUÓ)

LEOPOLDINA FRANCISCA MONTEIRO Há 183 anos nascia minha trisavó Leopoldina Francisca Monteiro na antiga Freguesia (rural) de São Tiago de Inhaúma. Nascida em 10.05.1843, casou-se aos 14 anos com meu trisavô Augusto José Berquó em 15.02.1858. Augusto José Berquó era português, originário dos Açores, como todos os Berquós, sendo que não descendia do ramo do Ouvidor que nomeou a famosa rua, o rio que passa em Botafogo (onde hoje existe o Cemitério São João Batista) e nem o antigo nome da Avenida General Polidoro, antes conhecida como Caminho do Berquó. Meu trisavô era um imigrante do ramo humilde. São apenas primos muito, mas muito distantes, haja vista que todos os Berquós descendem de Maria del Rio e do francês Jacques Berquó, sendo o sobrenome ‘Berquó” relativamente recente (século XVII). Nascido em 1827, em 1858 desposou Leopoldina Francisca Monteiro, que aos 14 anos já havia dado a luz ao seu primeiro filho. Casaram-se em 1858 e tiveram muitos filhos, aproximadamente uns 10 ou mais, sendo que Leopoldina morreu em 05.03.1878, antes de completar 35 anos de idade, após dar à luz à última filha do casal, Georgiana, que também morreu com menos de dois meses de vida. A história de Leopoldina Francisca Monteiro (Berquó) está ligada à história dos lavradores do Rio de Janeiro e seu processo de deslocamento pelas zonas rurais cariocas. O bairro de Guaratiba, que existe desde fins do século XVI, foi o local de nascimento de sua mãe, e minha tataravó, Fortunata Joaquina, filha de meus pentavós cariocas Manoel José da Silva e Ignácia Joaquina da Conceição. Minha tataravó Fortunata se casou com o também carioca Francisco Antônio Monteiro, meu tataravô, filho de imigrantes portugueses (meus pentavós Antônio José Monteiro e Maria Angélica de Jesus). Todos os aqui citados eram de origem humilde, lavradores, sendo que Leopoldina nasceu em Inhaúma. Sua mãe era nascida em Guaratiba, como já informado e seu pai no Engenho Velho. Moravam na área próxima à atual Avenida Itaoca, mais precisamente próximo ao rio Faria-Timbó. Eram humildes trabalhadores rurais. Hoje o cenário é bem diferente. Naquele tempo era muito diferente de hoje, a paisagem, como também a Igreja de São Tiago (de Inhaúma), sendo a matriz daquele bairro. O antigo cemitério, desativado em 1905, para a instalação do atual Cemitério de Inhaúma, era na praça em frente à matriz. Se Leopoldina foi enterrada no antigo cemitério, ainda não sei dizer, porque morreu em casa, em Cascadura, após dar à luz sua última filha Georgina e porque aquela área de Cascadura era servida pela Freguesia (rural) de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. Na década de 1860, creio que já havia se mudado para Cascadura, após o nascimento do meu bisavô Augusto José Berquó, homônimo do pai, em 1864, ainda em Inhaúma. O pai de Leopoldina, meu tataravô Francisco Antônio Monteiro, embora de poucas posses, era compadre e amigo de um dos irmãos Rêgo, família riquíssima da cidade do Rio de Janeiro, que doou propriedades aos filhos de meu tataravô e entre elas, minha trisavó recebeu a propriedade em Cascadura, que em 1884, pelo menos parte dela, estava sendo vendida pelo meu trisavô Augusto José Berquó, já viúvo e que veio a falecer em 1887. Para maiores informações sobre essas doações de terras para os pais e irmãos de Leopoldina Francisca Monteiro, leiam a obra da Profª Dra. Rachel Gomes de Lima “Senhores e possuidores de Inhaúma: propriedades, famílias e negócios da terra no rural carioca 'oitocentista’ (1830-1870)”. Em breve traremos outras informações a partir de estudos genealógicos (FAMILY SEARCH) e que possam contribuir com o entendimento da formação do espaço urbano carioca de antigamente. Mas hoje, nesse dia das mães, queria falar de Leopoldina, que morreu após dar à luz, como muitas mulheres de seu tempo, carioca, lavradora, pobre de nascimento, rica pela sorte, assim como seus irmãos. Laura Berquó

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