domingo, 25 de outubro de 2026

A QUINTA SÉRIE PERDEU A ELEIÇÃO




Uma coisa que sempre achei grotesca é o tal do bullying: bullying, wollying, e todas as variações. Pegou muito mal a piada capacitista do debate do dia 23, feita pelo candidato Flávio Bolsonaro. Pensou que estava numa eleição para Presidente de turma da quinta série. Perdeu feio e ainda, foi fazer vergonha no discurso de derrota, pedindo anulação das eleições, porque além de não saber perder, não faz autocrítica. Só faltou ir se queixar com o pai ou com a mãe, como fazíamos aos 11 anos de idade. Lidar com frustrações é algo que exige amadurecimento. O PT fez autocrítica e Lula principalmente. O 13 mereceu, por isso, virar a eleição. Não adianta  vociferar, porque a diferença foi de mais de 4 milhões de votos. O 13 acertou, porque mudou estratégias e fez uma campanha no segundo turno com mais humildade. Já o 22, tinha gente dando entrevista como se já estivesse ocupando Ministério. Eu sempre achei o Bolsonarismo vulgar pelo nível das falas e debates de seus políticos e da maioria dos seus defensores. Mas candidato que desce para o play e não sabe brincar é a primeira vez. O Brasil tem Constituição. O Presidente Lula teve que falar que o país tem uma Constituição. Parece óbvio, mas isso demonstra o quanto a Democracia estava vulnerável. 


Laura Berquó

A VITÓRIA DE LULA E O NOVO ESTADO SOCIETAL

 

Foto Internet


O segundo turno, além de trazer a vitória para o Presidente Lula e seus eleitores, demonstra que parece ter havido um crescimento pessoal do candidato e também uma mudança de leitura da realidade. Houve uma troca valiosa entre gerações. Devemos ter paciência com nossos idosos que não cresceram em ambientes virtuais. A velha guarda da esquerda aprendeu o poder da cyber militância. Boas intenções e conexão com o presente farão com certeza do quarto mandato do Presidente Lula, e sexto do PT, um terreno fértil para o fortalecimento da participação popular, como o próprio Presidente reeleito afirmou em discurso: aumentar a participação popular. Há dois fatores positivos para que isso aconteça : o gestor reeleito disse que passada a eleição, não haverá mais adversários , pois, governará para todos. Como ele mesmo afirmou, não precisam gostar do Lula, mas o Brasil tem uma Constituição. Quer reunificar o país sob os ditames constitucionais. O segundo fator é o povo. O brasileiro queria votar. O povo queria participar. O direito fundamental de ir e vir dos cidadãos precisa ser garantido para que o povo participe mais de assembleias, de plenárias, de audiências públicas. O sistema/plataforma do Portal Gov.br poderia ser melhor ajustado nesse Estado Societal. Um Estado Societal e Digital. Para quem sabe , no futuro, a população possa votar pelo Portal Gov.br e automaticamente ser comunicado ao TSE que aquele eleitor já votou. Algo a ser pensado para que o cidadão tenha oportunidade de escolher se vota presencialmente na seção ou virtualmente.

Precisamos  ampliar a democracia e o exercício dela, adaptando aos novos tempos.


Laura Berquó

O QUE TEREMOS DE BOM SE O 22 GANHAR?





O único lado bom se Flávio ganhar é que não vai ter aquele povo amundiçado fazendo número 2 na mesa de Ministro, tentando golpe de Estado como se fosse algo normal e inocente. Em um instante, descobriram os Direitos Humanos e começaram a denunciar "ditaduras", porque de fato, brancos desocupados, com tempo livre para quebrarem e depredaram patrimônio público, porque não ganharam eleição, não cometem crimes. Enfim! Nunca vi tanta vulgaridade normalizada. Como dizemos na Paraíba: tudo mundiça! Qualquer pessoa com um pouco de recato evita fazer o número 2 na rua, na casa dos outros, e até o número 1 é rapidinho e abafado para ninguém ouvir, mas para os "patriotas", isso não foi um problema. Mudaram o "ouro" da bandeira do Brasil para cor de amarelo-bufa! Bufa é pum. Imaginem o estado da mesa do Ministro. Foi a confirmação de que são escatológicos em todos os sentidos, porque já marchamos para o fim do mundo: a transição para a terra plana e oração para pneus. Confundiram até quartel com igreja.  Mas o Golpe Militar não veio. Tudo porque perderam em 2022. Isso tudo já vimos e por ser degradante , creio que será o único lado positivo de uma possível vitória do 22, já que o que vimos da primeira vez, não é possível "desver". 

Espero que Lula vença! No momento, estamos lutando para que não haja um retrocesso civilizacional. A juventude está muito narcisista. Acha que as políticas públicas de que foram beneficiárias desde a primeira gestão do PT não passam de obrigação! E o dever? Qual o dever de vocês? Cuidar dos idosos que terão aposentadorias congeladas, mas que com 1 salário-mìnimo ainda conseguem compor a renda de muitas famílias que lidam com o subemprego dos mais novos!

Vamos aguardar a apuração!


Laura Berquó

sábado, 24 de outubro de 2026

POR QUE ANA CLARA NÃO COMOVE QUEM VOTA 22? O PACTO NARCÍSICO E A NECROPOLÍTICA




 Uma coisa que sempre pontuo é que há uma questão no mundo branco adultocêntrico, que não é verbalizado, porque faz parte do pacto narcísico da branquitude. Este pacto existe, como bem colocado por Cida Bento, e tem aparecido em algumas manifestações políticas, conforme irei expor. Enquanto crianças negras (pretas e pardas), periféricas, pobres, etc, são vítimas do mundo adultocêntrico, independente de terem lares disfuncionais ou não, pois sofrem com a violência estrutural ou institucional, no mundo branco adulcêntrico e burguês, essas violências acontecem da porta pra dentro das casas. Se omite, por conta do pacto narcísico, a violência branca e de classe contra crianças, até Leandros, Isabelas e Henrys serem assassinadas por seu próprio círculo. Aí, há em parte essa comoção de todos,  como se não soubéssemos que existem lares brancos disfuncionais, porque o racismo e o classismo querem passar a ideia que somente lares não-brancos e periféricos, ou humildes, são necessariamente disfuncionais. Como me lembrou bem o Prof. Ricardo Lucas Camargo, certos criminosos brancos, burgueses, são dados com algum tipo de transtorno. O pobre seria criminoso mesmo. E é esse pensamento que faz, provavelmente, com que candidatos que perderam seus filhos e foram eleitos, apóiem candidato que se alinha, pelo discurso, à necropolítica, à defesa e honrarias a milicianos. Não estou aqui para revitimizar pessoas que perderam filhos. Estou chamando a atenção que Anas Claras existem, mas não causam comoção na classe média burguesa que votará 22, porque para que isso aconteça, precisa ocorrer um processo de conscientização, de reconhecimento de privilégios e promover o chamado suicídio de classe, cujo conceito nos legou Amilcar Cabral. A dor precisa ser decolonizada. E nesse sentido, acabo por me acostar à ideia de Dororidade de Vilma Piedade, porque não basta ser mãe, mulher, irmã , filha , etc se a dor de outras mulheres não desperta em você alteridade fora da sua realidade.

Como diz Judith Butler, algumas vidas não se choram, não se permite o luto, não importam.


Laura Berquó

PROJETO DE LEI ANA CLARA E NECESSIDADE DE REFLEXÃO DO PT

 



 Há algo me preocupando, independente de resultados eleitorais, mas que pode transformar o candidato da extrema-direita em "vítima" e a menina Ana Clara ser colocada como coadjuvante na própria tragédia.

Foi protocolado, há 2 dias, pelo Senador Camilo Santana (PT-CE) o PL n °. 5638/2026, apelidada de Lei Ana Clara, que altera o Estatuto da Advocacia, visando proibir parlamentares (senadores, deputados federais, estaduais e vereadores) de advogarem em processos de crimes contra a vida, na condição tanto de defesa como pela assistência de acusação. O PT tem que tomar cuidado para não dar outro tiro no pé. Igual aquele que o projeto de Serys Slhessarenko (PT-MT) deu e regulou a colaboração premiada, acabando sendo usado contra o próprio PT na Lava-Jato.  Por conta do Caso Ana Clara, vão querer impedir parlamentares de advogarem pra acusados de homicídios, mas também de representarem familiares das vítimas.

 Se o PT quer pressionar o caso contra Flávio, já foi levado para a CIDH, por exemplo. E a esquerda consegue se mobilizar internacionalmente, como fez com o Caso Marielle Franco, para tomar a devida projeção e pressão. Mas, um PL desses do Camilo Santana dá combustível pra advogados extremistas dizerem que a advocacia está sendo criminalizada, como já estão dizendo, quando na verdade, o acusado não se encontrava indefeso para que o Senador advogasse, ao que tudo indica, de graça.  Sem falar que esse tipo de projeto de lei, conduzido para uma questão em específico, não seria autorizado. Fere a impessoalidade própria que deve  existir, porque não é exatamente justiça contra Ana Clara, mas rechaçar e impedir a atuação profissional discutível do Senador. A Lei é voltada contra ele, infelizmente, e mesmo que se alegue que ele, perdendo, deixará o Senado e não o atingiria, o projeto de lei continuaria ferindo a impessoalidade.


Laura Berquó

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CAPACITISMO É A CONTINUIDADE DA AUTORIZAÇÃO PARA FALAS RACISTAS E MISÓGINAS DESDE 2018



O que tem levado muitas pessoas de Direita a declararem voto em Lula, não é apenas o risco à democracia e soberania, do entreguismo, de sermos governados por milicianos, etc, mas também a vulgaridade. Esse comportamento vulgar de bullying e grosseria apresentado no debate da Globo de ontem pelo candidato Flávio Bolsonaro contra o candidato Lula. A fala capacitista, tão estilo 5 série, não é apenas vulgar, como demonstra perversidade e falta de empatia. Não vamos tratar como imaturidade o comportamento de um homem de 45 anos que se propõe a ser Presidente da Republica. Mas, desde quando esse tipo de fala passou a ser autorizada? Manifestações racistas, xenofobas contra nordestinos, misóginas, homotransfóbicas, aporofóbicas, passaram a ser comuns depois que o ex-Presidente Bolsonaro Pai passou a fazer esses tipos de comentários/piadas e não ser punido por eles, ser tratado como autêntico e ter sua popularidade aumentada com um retorno coletivo do recalque.


Laura Berquõ

REFLEXÃO SOBRE O CASO ANA CLARA POR RICARDO LUCAS CAMARGO




Prezad@s,

Não procede o argumento de criminalização da advocacia alegado por defensores do candidato Flávio Bolsonaro no Caso Ana Clara (Niterói, 2021). Assistam à reflexão (vídeo) do Prof. Dr. Ricardo Antônio Lucas Camargo, no seu perfil público no Facebook:


 https://www.facebook.com/share/v/1CZDzgvNr3/


Laura Berquó