segunda-feira, 20 de abril de 2026
LAURA DE OGUM XOROQUÊ
Nasceu em 24 de janeiro de 1979, na cidade do Rio de Janeiro, aos 14 anos em 31 de janeiro de 1993 chegou para residir em João Pessoa, capital da Paraíba, com seus pais e irmãos. Em 05 de junho de 2011 foi confirmada como Ekede de Oxóssi do Ilê Asé Ojú Ofá Dana Dana (Ilê Tata do Axé), tendo como responsável pelo Ilê a Yalorixá Mãe (Doné) Renilda de Oxóssi (Aguê). Filha de Ogum Xoroquê, começou desde criança seu amor aos cultos de matriz africana. Aos 29 anos de idade, no ano de 2008, foi suspensa como Ekedi, tendo se confirmado somente em 2011. Na Paraíba, o Ilê Asé Ojú Ofá Dana Dana é o primeiro terreiro da nação Jeje Savalú, sendo neta de santo da Doné Florianita de Jesus (vodum Gu), chamada carinhosamente de Mãe Flor, falecida em 27 de fevereiro de 2020.
Desde o ano de 2009, após começar a frequentar, no ano anterior, na condição de cliente e depois já na condição de Ekedi (suspensa) do Ilê Asé Ojú Ofá Dana Dana (Ilê Tata do Axé), passou na condição de advogada a participar da militância em favor do respeito da diversidade religiosa e antirracista no estado da Paraíba, tendo participado das discussões com representantes de movimentos sociais paraibanos da elaboração da lei de criação do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (2009) e comissão da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional da Paraíba, de promoção da igualdade racial e diversidade religiosa (2012) com a participação de integrantes do FOPPIR (Fórum de Paraibano de Promoção da Igualdade Racial) na reivindicação pela sua criação (2012).
No período de 2012 a 2015 integrou na condição de representante da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional da Paraíba, o Conselho Estadual de Direitos Humanos (Paraíba). Em 2014, na condição de presidente da então Comissão de Promoção da Igualdade Racial e Diversidade Religiosa da OAB-PB, juntamente com várias entidades da sociedade civil organizada e lideranças religiosas, foi encaminhado para o Poder Executivo o projeto de lei que criou em 2017 a Delegacia da Polícia Civil que hoje atende as vítimas de racismo e intolerância religiosa.
Ainda no ano de 2012, a referida Comissão de Promoção da Igualdade Racial e Diversidade Religiosa da OAB-PB, juntamente com a Professora Doutora Janine Coelho (UFPB), o Promotor de Justiça Marinho Mendes Machado (e então membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos) e Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo da OAB-PB, todos em co-autoria e com a colaboração do Professor Doutor Carlos André Cavalcanti (UFPB/Grupo Videlicet), Casa de Cultura Ilê Asé Osaguiã, Fórum de Paraibano de Promoção de Igualdade Racial – FOPPIR e Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias – ASPPAH, foi encaminhado ao Ministério Público do Estado da Paraíba o projeto de criação de uma Promotoria de Crimes Raciais e Diversidade Religiosa e Sexual. O projeto foi recebido com pouco interesse, alegando-se que não havia necessidade de criação de uma promotoria especializada nesses assuntos porque não haveria demanda suficiente.
Ao ingressar no Candomblé percebeu como é destinado pelo imaginário popular de pessoas que buscam na espiritualidade afro o terreiro como espaço para que pessoas apenas limpem suas sujidades mundanas, acreditando que Orixás e que entidades de Umbanda e da Jurema Sagrada são empregadas no mundo espiritual. O tempo do Orixá no Aiyé não é o tempo individual e individualista, mas um tempo de colheita na própria espiritualidade em conformidade com Egbé Orum. Ainda é comum a mentalidade autoritária de mando e de consumidor de pessoas que buscam religiões afro-brasileiras, como se estivessem para servir somente e não proporcionar um caminho iniciático e de autoconhecimento, de comunhão com a ancestralidade e de vida em comunidade.
Ekedis são mães, são acolhidas e acolhedoras pelos respectivos Voduns que as iniciam, mas também são proativas na vida em sociedade, para lutarem em comum em favor da diminuição de distâncias e contra preconceitos e discriminações que ferem a dignidade humana, perpetuando conhecimentos de povos que sofreram com a diáspora e que sofrem tentativas de silenciamento e apagamento por uma agenda de políticas públicas negativa em face da crescente violência contra templos de religiões de matrizes africanas, sacerdotes e sacerdotisas. As Ekedis são aquelas que fora do seu Ilê também colaboram politicamente e dentro das suas atividades cotidianas com seu ativismo para a defesa da liberdade de pensamento.
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