sábado, 23 de maio de 2026
A LEI N° 14.986/2024 QUE ALTEROU A LDB
A Lei n° 14.986, 25 de setembro de 2024 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e está sendo pouco divulgado. Nos mesmos moldes de leis anteriores como a Lei n° 10.639/2003, busca corrigir omissões curriculares, porém , desta vez, com relação à contribuição, conquistas, perspectivas femininas nas áreas científica, política, social, econômica, artística e cultural. Em vigor desde 2025, a lei ainda instituiu a campanha Semana de Valorização de Mulheres Que Fizeram História a ser realizada sempre no mês de março nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio.
Laura Berquó
CARTOMANTES E MÉTODO PESSOAL
Todas/os as/os cartomantes possuem seu método de leitura. E há a adoção de leituras pessoais para as quais usamos baralhos específicos, só para nosso uso, como é o meu caso, e outros para leitura do público. É comum ainda fazermos leituras semanais, de como será nossa semana, sabermos a energia predominante, e outra leitura geral para o público, para quem pressentir que aquela informação se encaixa na sua energia, possa recebê-la. Não substitui leituras individualizadas, pois estas são direcionadas para a energia do/a consulente. Também, costumamos fazer leituras diárias para nós mesmas/os utilizando até três cartas do baralho Lenormand ou outro baralho que sirva de oráculo. No caso, o Lenormand é satisfatório, pod trazer informações mais rápidas dos acontecimentos.
Laura Berquó
sexta-feira, 22 de maio de 2026
O TBT DE ONTEM FOI ESSA RECORDAÇÃO
O reconhecimento e carinho de Pai José Erivaldo de Oxum. Apenas uma correção ma convordância: "tragam". Sua benção sempre!
Laura Berquó
quinta-feira, 21 de maio de 2026
CAMPANHA LIBERE MEU XIXI: SOBRE O PL MUNICIPAL Nº 222/2026 PARTE 1
Tenho analisado, atualmente, diversos projetos de leis que simplesmente gritam nos nossos ouvidos pelas suas inconstitucionalidades. Recentemente, tivemos o PL nº 753/2025 aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (de iniciativa do Deputado Estadual Alex Brasil/PL-SC) que visa extinguir cotas raciais em Universidades e instituições mantidas pelo Estado. O que causa espanto é a insistência da extrema-direita em projetos de leis inconstitucionais e o Executivo Barriga Verde ter sancionado o referido projeto. A Convenção Interamericana contra o Racismo, Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (Guatemala, 2013) tem status de emenda constitucional em nosso ordenamento. Abolir ações afirmativas, como cotas, é inconstitucional. Está exposto no artigo 5° da referida Convenção. As cotas surgem como forma de reparação. Surgiram primeiramente na ex-URSS com Lênin, a partir de reivindicação de feministas socialistas, tendo naquele momento recorte de gênero para combater o machismo estrututal, cujas práticas foram retomadas por Stálin. É o que nos informa Ana Isabel Álvares Gonzáles.
Também é inconstitucional com base no artigo 5° da Convenção Interamericana Contra o Racismo, Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (Guatemala, 2013) o Projeto de Lei nº 1007/2025, de autoria da Deputada Federal Clarissa Tércio (PP-PE), propondo revogar a Lei 10.639/2003. As legislações com recorte étnico que alteraram a LDB foram fruto de movimentos sociais, educadores, historiadores, etc. Lamentável que o PL em questão queira tornar facultativa, aos alunos, a participação em eventos relacionados à história e cultura africanas e que esse calendário seja comunicado aos pais que decidirão sobre a participação dos filhos. A Convenção Interamericana Contra o Racismo, Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (Guatemala, 2013) é o terceiro documento internacional com status de Emenda Constitucional. Também é inconstitucional com base no Princípio Constitucional da Proibição do Retrocesso Social.
Essa semana, acompanhando já o trabalho da Vereadora de Niterói Benny Briolly (PT-RJ), desde que ela foi a primeira parlamentar no país a sofrer violência política de gênero após a Lei nº 14192/21 (e segundo caso de denúncia pelo Ministério Público), tomei conhecimento da campanha nacional “Libere Meu Xixi” para que mulheres trans e travestis possam ter acesso aos banheiros de acordo com a sua identidade de gênero. Nos Campi da UFPB isso já é uma realidade. Mulheres trans e travestis utilizam banheiro de acordo com sua identidade de gênero e não tivemos problemas com isso.
Em resposta às manifestações em Niterói, em um shopping da cidade, os vereadores Fernanda Louback e Allan Lyra protocolaram o Projeto de Lei Municipal nº 222/2026 que “DISPÕE SOBRE A DISPONIBILIZAÇÃO DE BANHEIROS E VESTIÁRIOS NEUTROS EM LOCAIS PÚBLICOS E PRIVADOS DE USO COLETIVO NO MUNICÍPIO DE NITERÓI, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”. Analisando o referido projeto de lei, há espaço para aprofundamento dos estudos constitucionais por 03 razões: 1ª) criam despesa para o Poder Executivo de Niterói, sem trazer a estimativa de impacto orçamentário e financeiro, ao determinar que a Prefeitura Municipal de Niterói crie banheiros e vestiários neutros; 2ª) tem que ser examinada uma possível inconstitucionalidade também ao legislarem sobre matéria de direito civil, sendo essa de competência privativa da União. Até onde vai a competência privativa da União e inicia a competência do Município para legislar sobre espaços privados de acordo com o interesse local? Vide decisões sobre os estacionamentos em shoppings centers, haja vista que shopping center é propriedade privada; 3º) Se o referido PL Municipal nº 222/2026 tem como objetivo segregar mulheres trans e travestis, incorre no que já foi dito sobre o artigo 5º da Convenção Interamericana Contra o Racismo, Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (Guatemala, 2013). Logo, voltaremos novamente a esta discussão.
Antes, analisamos brevemente neste blog a mesma falha no PL 2959/2025, de autoria do Deputado Federal Marcos Pollon (PL - MS), que possui 2 inconstitucionalidades gritantes: a primeira é com base no artigo 113 das ADCT, que ao criar um programa que gera despesas para a União, não traz estimativa de impacto orçamentário e financeiro (art. 113. A proposição legislativa que crie ou altere despesa obrigatória ou renúncia de receita deverá ser acompanhada da estimativa do seu impacto orçamentário e financeiro), sendo sua inconstitucionalidade formal; A segunda é a inconstitucionalidade é com base no artigo 61, § 1, I e 84, VI, a da Constituição Federal, quando resolve interferir na Administração Pública Federal, determinando que Ministérios, Exército, Polícia Federal, etc, somente a estrutura do Poder Executivo, farão parte do "Comitê Interinstitucional" , conforme o Art. 6° do referido PL 2959/2025, para ser gerido pela União. Procura determinar programa a ser executado pela União e interferir na sua estrutura. Tudo isso para que o cidadão brasileiro tenha acesso a sua primeira arma se sua renda familiar não ultrapassar 5 salários-mínimos.
Retornaremos à análise das inconstitucionalidades formais e materiais dos projetos de lei da extrema-direita.
Laura Berquó
quarta-feira, 20 de maio de 2026
SEM TEMPO PARA ATAQUES DE ÂNIMA (FANIQUITO DE HOMEM)
Se faniquito de mulher já acho insuportável e manipulador, de homem é que me dá um grande sentimento de desprezo. Homens que fazem drama quando contrariados ou porque você não pode fazer um favor. Seja pretendente, cliente na advocacia, pessoas a que já ajudei mais de uma vez, como advogada, e voltam com os mesmos problemas evitáveis. Porque são contrariadas, querem mostrar uma reação para intimidar ou ainda, porque não gostaram de ouvir algum "não": "não" posso te ajudar novamente, "não" estou disponível para essa causa, "não" vou poder fazer assim ou assado agora, etc. Eu não estou mais entrando em discussão. Deixo falando sozinho, não respondo faniquito. Homem tem que ter postura de homem, depois, uma boa dose de noção. Uma vez li em um escritor junguiano que homens às vezes têm ataque de ânima. E sobretudo,tem homem que precisa parar de querer levar a melhor sobre nós mulheres, aproveitando de uma suposta empatia feminina construída culturalmente.
Laura Berquó
terça-feira, 19 de maio de 2026
DIVULGAÇÃO DA LOGO E NOVIDADES
PREZAD@S,
Divulgando a minha logo. Em breve, também teremos nosso site para postagens exclusivamente jurídicas, ficando este blog paea postagens em geral.
Laura Berquó
segunda-feira, 18 de maio de 2026
SOBRE OS LIVROS PUBLICADOS
Laura Taddei
Alves Pereira Pinto Berquó, assinando somente Laura Berquó, nasceu aos
24 dias do mês de janeiro do ano de 1979, na cidade do Rio de Janeiro.
Em 31 de janeiro de 1993 passou a residir em João Pessoa, capital
paraibana, aos 14 anos de idade.
É graduada em Direito pelo Centro
Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, Mestre em Ciências Juridicas pela
UFPB (2006) e Especialista em Prática Penal Avançada pelo Instituto
Damásio de Direito (2021).
A autora foi estagiária do Ministério
Público Especial junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba no ano
de 2001, onde aprendeu a elaborar pareceres e de onde trouxe esse
aprendizado para sua vida profissional.
É advogada desde 2002 e
Professora Adjunta do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas da
Universidade Federal da Paraíba, tendo ingressado nos quadros da
instituição em 2009. Ex-Conselheira Estadual de Direitos Humanos
(Paraíba/2012-2015). Ingressou como membro do Instituto dos Advogados
Brasileiros em 21 de setembro de 2022.
No dia 01.03.2026 foi publicado o livro PARECERES JURÍDICOS. Do que trata o livro? São 05 pareceres Jurídicos elaborados como membro do Instituto dos Advogados Brasileiros. O primeiro trata de transgeneridade e sistema prisional; o segundo sobre PL que visa instituir a possibilidade de doação de órgãos duplos para fins de remição da pena; o terceiro trata de PL que visa criminalizar a intersexofobia; o quarto parecer sobre PL que cria o instituto da senexão; e o quinto trata da "uberização". Todos abordam conteúdo de Direitos Humanos.
No dia 30.03.2026 publicou o livro QUESTÕES DE GÊNERO. O livro é uma coletânea de 52 textos publicados em diversos veículos desde o ano de 2009. O prefácio do Professor Titular da UFPB Prof. Dr. Charliton Machado.
Laura Berquó
A RUA DA BAIXA
A RUA DA BAIXA
Muita gente passa e não desconfia que onde hoje temos o encontro da Rua General Osório com o viaduto Damásio Franca (na altura do Grupo Escolar Tomás Mindelo) corria um riacho por ali. Não à toa que a Guedes Pereira era chamada no tempo da Colônia de Rua das Cacimbas. Mas a verdade, é que se observarmos bem, toda inclinação que forma um vale, ainda que pequeno, já teve com certeza um rio ou riachos passando. Para confirmar a existência dessa fonte de água, cito informações colhidas na obra "Progresso e Destruição na Cidade da Parahyba: cidade dos Jardins" , do Professor José Flávio Silva (UFPB), que na gestão do Presidente da Província Beaupaire-Rohan o terreno da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos ou de Cor foi nivelado. A Igreja ficava ali onde hoje é o Ponto de Cem Réis e além da referida Igreja, várias casas foram desapropriadas e demolidas no ano de 1924 para a construção da Praça Vidal de Negreiros. Era o espírito positivista da época que acreditava que para o progresso era preciso demolir para construir e sobrou para muitas Igrejas da capital paraibana. O terreno ao lado da Igreja foi nivelado, porque passava um córrego ao lado, que já havia sido desviado, justamente no ponto que hoje temos o viaduto Damásio Franca.A foto acima é de Walfredo Rodriguez.
Laura Berquó
JOGO "GUERRA EM FAMÍLIA"
Gibi Infantil O Tico-Tico, que teve circulação até a década de 1930. Em um dos exemplares da década de 1910, podemos encontrar este "interessante" jogo "Guerra em Família", referindo-se à Primeira Grande Guerra Mundial. Trarei outras curiosidades em revistas de antigamente.
Laura Berquó
O QUE NÃO FALAM PARA AS MULHERES SOBRE A ADVOCACIA: PARTE 2
No outro dia postei sobre O QUE NÃO FALAM PARA AS MULHERES SOBRE A ADVOCACIA. Parece futilidade falar de bem-estar e coisas óbvias sobre saúde mental, aparência, energia etc. Eu não venho de família de advogados. Comecei cedo e sozinha numa época em que advocacia se resumia ainda a litígio, briga, muitas vezes indo para um campo de batalha nas audiências. Era a cultura da época e hoje estamos caminhando para a conscientização de que o Judiciário não pode servir para brigas eternas, porque havendo como ceder, as partes não querem, fazendo com que o aparelho da Justiça sirva como espaço de vingança. Ou ainda, sendo caso em que não há como conciliar de fato, seja inevitável a contenda, os clientes realmente acreditam que você é parte do problema deles, que deve barganhar, cobrar o mínimo da tabela, fazer na amizade, etc. Ou não entendem quando o advogado reavaliou o próprio desgaste que terá acompanhando aquele processo e resolve rever e atualizar honorários. As pessoas precisam entender que só deve arrumar problemas quem tiver condições de pagar bem um advogado. Ninguém se recusa a pagar consulta médica ou tratamento médico, mesmo sabendo que o óbito é inevitável. Mas com advogado há uma má vontade terrível. Querem até que você, como advogado, vire uma espécie de capanga de luxo. Quando a profissional é mulher, sem dúvidas o prejuízo ainda é maior. Se você é mulher e advoga por conta própria, tem que haver um cuidado com o empobrecimento, porque além de acharem que você é uma pessoa boa que fará tudo por "compaixão", cobrando valores acessíveis, mas desproporcional ao problema trazido, ainda irão achar que você se tiver uma outra renda fixa, não deveria cobrar tanto, o que já não acontece com os homens. Não tenho mais vontade alguma de advogar no litigioso e ganhando o valor que o cliente acha que é o correto pagar. Pagam sem reclamar para advogados homens, mas pra você, além de quererem caridade de mulher, exigem que você lute como um homem. Isso tudo falo na concepção popular mesmo. E no final você passa a ser vista como um homem, só que mais barato e acessível como profissional. Depois da pandemia, eu tive uma sensação de paz profunda. Longe de ambientes de brigas, de conflitos que não eram meus, mal pago e parcelado, e em outras vezes a ingratidão por brigas muito sérias que não eram minhas. O mesmo na militância com Direitos Humanos. Mas essa consciência só veio com a parada forçada da pandemia. Para verem o desgaste em que eu andava, basta compararem fotos do antes e do após a pandemia. Um desconforto com minha saúde mental, com minha energia e com minha aparência. Era comum cruzar com pessoas que me conheceram antes da dedicação à advocacia e que me reencontravam disfarçando a felicidade de me verem praticamente deformando e inchada, com alterações no peso, no equilíbrio mental e sempre em conflitos. Desarmonizada . As pessoas comemoravam a minha perda de paz, aparência e saúde mental. Ainda que não fossem nenhum exemplar considerável. Na pandemia percebi que deveria mudar a rota e redescobrir o meu feminino que fica maltratado nessas atividades. Vão dizer que estou naquela classificação imbecil de energia feminina e masculina, falando de coisas fúteis. Não acho normal uma mulher ficar com a progesterona desregulada pelo stress. Mulher inchar e deformar o rosto e a barriga por conta do excesso de cortisol. Da mulher ter que abrir mão da feminilidade e da leveza para provar que pode ser igual aos homens, como fiz e como a maioria faz na advocacia. Eu não preciso provar nada a ninguém. Também escrevo, porque como as pessoas ainda têm em mente aquela Laura que denunciava políticos homicidas, quadrilha de explodidores de banco, que realmente pegava briga pesada como denunciar tráfico de pessoas, etc, que ainda me cheguem com problemas de litígio, de brigas com previsão de durar uns 5 anos, e ainda pagando pouco ou achando que tenho que fazer na amizade. Não me tragam problemas, porque eu sei que quando é para pagar bem arrumam outro advogado. Acabou aquela história que briga pesada, a Laura resolve. E deixando as leves para os outros. Nem pagando direito, eu quero, porque descobri que paz não tem preço. A única briga que ainda estou levando adiante é a que testemunhei de tortura de presas. Não vou ficar calada vendo pessoas sendo machucadas. E só. A única pendência. Vou me dedicar aos meus estudos, à advocacia consultiva, pareceres e livros. Não quero mais perder tempo, saúde mental, beleza e dinheiro com problema dos outros, muitas vezes evitáveis, e ainda quererem negociar honorários. Abaixo, vocês comparem as fotos do auge de stress da advocacia com a realidade que vivo desde que fui me afastando de problemas dos outros. Houve uma época em que as pessoas me procuravam só para relatar problemas. Não perguntavam se eu estava bem. Não quero mais esse tempo. Quero o que eu vivo agora. A responsabilidade por impor limites é única e exclusivamente nossa.
Durante a advocacia de litígios:
Após deixar a advocacia de litígios:
LEITURA SEMANAL: CARTOMANCIA (BARALHO LENORMAND)
LEITURA SEMANAL: CARTOMANCIA (BARALHO LENORMAND)
A Pombagira Cigana manda dizer:
Cartas da Foice+Cobra+Mulher
Carta de Corte: Os Caminhos
POSSIBILIDADE 1: Abertura de caminhos após o corte de problemas trazidos por uma mulher. Situações de inveja, fofoca, intriga trazidas por uma mulher irão se dissipar.
POSSIBILIDADE 2: Mulher com libido reduzida, frigidez, dúvidas em escolhas (caminhos).
POSSIBILIDADE 3: Impulso (corte), decisões incertas (caminhos) causado por intriga de uma mulher, fofocas de terceiros envolvendo uma mulher.
POSSIBILIDADE 4: Retorno, idas e vindas (foice), de uma mulher com forte química sexual, ou intriguenta, ou fofoqueira, para seus caminhos.
Consultas no Whatsapp 83 99197-0913
domingo, 17 de maio de 2026
E O ED MOTTA?
O que Ed Motta destilou de insulto xenofóbo é uma realidade carioca. Quando me preparava para morar na Paraíba, aos 13 anos ouvi uma professora no Rio me dizer: "mas logo a Paraíba? Um lugar atrasado!", e sinceramente não entendia, porque meu pai falava maravilhas do Nordeste, ja que sempre viajava para cá. O Rio não admite, os cariocas não admitem que são xenófobos. Infelizmente essa é a realidade que tentam disfarçar, porque não pega bem assumir ser preconceituoso. Era comum quando eu retornava ao Rio antes, pessoas me mostrarem lojas de O Boticário, CeA, etc, como se aqui não tivéssemos essas coisas. Mas essa xenofobia tem raiz em outro preconceito que o carioca também não admite que é a aporofobia. Mais do que aqui, há um preconceito maior com pobres. Um desprezo ate pelo bairro onde você mora. No Rio se vive mais de aparência que aqui. Como muitos nordestinos que migraram foram fugidos da seca, o carioca associou Nordeste à pobreza. Está na hora de se abrirem para o mundo da informação. Em todo lugar há coisas boas e ruins. E se soubessem que aqui os "paraíbas" amam seu próprio sotaque, sua cultura, sua culinária, sua família, seu artesanato sem desprestigiar outras origens, poderiam aprender muito com o povo da Paraíba.
Ed Motta, embora seja um homem negro e obeso que também pode ser vítima de racismo e lipofobia, exala xenofobia, porque se vê numa estrutura acima como nos ensina o feminismo insterseccional.
A INFIDELIDADE DO HOMEM POBRE
Infidelidade nenhuma é boa. Mas do homem pobre é pior, sem dúvidas, porque não permite nem que a mulher sofra com conforto. Não estou aqui defendendo monogamia ou poligamia. Em seus contextos sociais, organizados, cada cultura desenvolve sua forma de estruturar a sociedade a partir das uniões. Mas como seguimos a tradição cristã, somos convocados à monogamia. A monogamia foi, até certo ponto, a vitória das mulheres. Poder controlar a sexualidade do homem ofertando ou negando afeto/sexo e ainda poderem se vitimizar em caso de infidelidade masculina. Controlar também os rendimentos do marido para aplicarem à sua prole e não para a prole de outras mulheres. A monogamia do ponto de vista do controle do homem e da sobrevivência da prole, não foi tão ruim para as mulheres casadas, embora se diga que as mulheres também não possam ter diversidade de parceiros. Mas a poliandria ainda é exceção nas diversas culturas. Mas amtes que me acusem de aporofobia, não se trata de defender traição de homem rico e reclamar da traição de homem pobre. O que me irrita no homem pobre é a ingratidão. Se você casa com um homem pobre, ninguém duvida que foi por amor. Talvez sejam um dos poucos seres humanos que possam ter certeza de serem amados pelo que são. Certa vez um homem casado me cantou e eu realmente tive muita raiva e dentre os motivos era a pobreza dele, sem dúvidas. Como nunca dei cabimento ou espaço, ainda foi se vitimizar, porque se tem um homem pra ficar infernizando na sua cola é o tal do homem casado, seja rico ou pobre. Mas enfim. Foi logo dizendo que era casado (para que eu não esperasse nada sério, caso o quisesse), que não tinha posses (iria fazer minha casa de motel) e que era vasectomizado (iria querer ter relações sem preservativo). Deixei falando só muitas vezes, com um grande desprezo, até que um dia saiu se vitimizando em um grupo de whatsapp. E foram muitos pobres casados sem resposta ou me fazendo explodir com o assédio que só diminuiu com a criminalização do stalker. Vendo que a mulher mora só, o liso casado planeja fazer sua casa de motel para não mexer no orçamento da casa dele que já é contado. Mas foi a fala de uma feminista negra que me fez enxergar uma realidade mais triste da mulher traida pelo marido pobre: "enquanto a roupa do rico é lavada na máquina por empregadas, a do pobre é a própria esposa traida que esfrega para tirar o perfume da outra". Definitivamente, não tenho certas simpatias romantizadas para homens pobres.
Laura Berquó
SITÔNIO PINTO E O SAIR: DOM SERTÃO, DONA SECA
E em pleno solstício de inverno de 2022 nos deixava o grande amigo Otávio Sitônio Pinto. Um ótimo escritor, foi um historiador que buscava entender o passado para transformar o ambiente que o cercava, oferecendo respostas para o desenvolvimento do semiárido nordestino. Sitônio foi um dos verdadeiros comunistas que conheci, com base teórica e com estilo de vida compatível com suas crenças ideológicas e morais. A obra 'Dom Sertão, Dona Seca' traz não somente informações históricas do município de Princesa Isabel (Sitônio era um saudosista e sobrinho-neto do Coronel Zé Pereira), mas sugere alternativas econômicas para o semiárido de uma sacada sem igual, respeitando o bioma da caating e, dentro justamente das limitações do clima semiárido irregular nordestino, trouxe propostas de solução para o antigo problema da seca. Cria a expressão SAIR para designar o Semi-Árido Irregular nordestino. Também foi um grande amigo que contamos, tendo nos ajudado financiando a passagem para o Rio de Janeiro de Felícia Aurora, angolana vítima de tráfico internacional de pessoas para a Paraíba, que eu representei na condição de advogada. Sitônio financiou os custos para que pudéssemos ir ao Rio até o Consulado Angolano, porque o Consulado só forneceu a passagem de ida do Rio para Angola para Felícia. Foi um grande amigo e sua memória deve ser lembrada pela sua produção e pelo seu estilo de vida compatível com o que pregava. (Foto Internet)
Laura Berquó
ABIKUNIDADE E O FIM DA DINASTIA DE AVIS
Dom Sebastião, o Desejado (Gravura Internet)
Para nós, integrantes do Candomblé, existe um fenômeno chamado Abikunidade ou abikuidade. Existem sociedades no plano espiritual chamadas Egbé Orum. No plano material vivemos em Egbé Aiyé. Egbé significa comunidade. Os abikus também têm sua própria comunidade em Egbé Orum. Ressalte-se que no Orum também não existe um único Egbé como dito, tendo Egbé-abikú e outros. Uma pessoa abikú tem seu destino marcado por mortes no parto (da criança ou da mãe), abortos, mortes ainda em tenra idade, e não raro mortes trágicas na vida adulta às vésperas de grandes eventos ou sem maiores explicações até verificarmos esses históricos familiares. O que para alguns já seria uma característica para abikús que sobrevivem à idade infantil, provocando sofrimento aos que ficam. No caso da Dinastia de Avis é facilmente verificável a existência da abikunidade ou abikuidade. Na verdade o fim da Dinastia de Avis chega com o desaparecimento de Dom Sebastião, o Desejado, aos 24 anos na Batalha de Alcácer Qibir em 1578. Após esse fato, seu tio Arcebispo governa por 2 anos Portugal até cair nas mãos de Dom Felipe da Espanha a Coroa Portuguesa. Dom Sebastião era o único fio de esperança da Dinastia de Avis. Por isso, ao nascer recebeu o apelido de "O Desejado". Seu pai, João Manuel, filho de Dom João III, morreu na fase adulta antes mesmo de conhecer o filho. Mas e os outros possíveis herdeiros de Dom João III? Por que não vingou a Dinastia de Avis, tendo fim no século XVI? A Dinastia de Avis esteve por um fio até Dom João II de Portugal decidir fazer seu sucessor seu primo e cunhado Dom Manuel, o Venturoso em 1595. Dom João III é filho de Dom Manuel. Ocorre que os filhos de Dom João III morriam em tenra idade ou no parto ou antes dos 2 anos. Os que sobreviveram na fase adulta, morreram cedo também (com exceção do Arcebispo), restando apenas Dom Sebastião como depositário da Dinastia de Avis, tendo morrido aos 24 anos, pondo fim aos quase 200 anos de uma história iniciada por 1383 após o fim da Dinastia de Borgonha. O único ramo de descendentes da Dinastia de Avis é o ramo ilegítimo de Dom João III. Ultra católico, sua filha cristã-nova, tida antes do casamento, teve que se exilar nas Ilhas Madeiras com sua mãe, local de destino de muitos judeus sefarditas antes de imigrarem para o Brasil.
Laura Berquó
SOBRE O BOTAFOGO
BOTAFOGO, BOTAFOGO, CAMPEÃO..."Apesar do texto iniciar com o hino do clube de Futebol, quero falar da figura histórica controversa que deu nome ao bairro e consequentemente ao time. João Pereira de Sousa, o Botafogo, foi um grande artilheiro do Galeão São João Batista, o maior de seu tempo, recebendo portanto, o apelido de "Botafogo". Washington Luis em sua obra Capitania de São Vicente resolveu escrever para descendentes de Botafogo no Rio para saber se foi o mesmo Capitão -Mor homônimo e judeu que governou a Capitania em fins do século XVI início e do século XVII. O interessante é que analisando a árvore genealógica de Washington Luiz percebemos que ele descendia de Botafogo, mas talvez não soubesse. Segundo Pedro Dória, trata-se da mesma pessoa. Botafogo veio fugido de Portugal por perseguições políticas e dividas. Era meu décimo -segundo avô, daí meu interesse na figura e em sua segunda esposa Maria da Luz Escorcia Drummond, também judia por uma via e descendente de escoceses por outra via. Descendo da já carioca Úrsula Pereira, filha caçula do casal. Botafogo tinha ancestrais comuns com sua esposa, porque também descendia de escoceses. O bairro de Botafogo corresponde, a partir de 1590, à sesmaria concedida a Botafogo, que se iniciava próxima à Urca e se dirigia até próxima à rua Paysandu no Flamengo. Não sei se por medo da invasão dos franceses, mas no século XVIII sua descendência já se encontrava quase completamente instalada nas freguesias rurais de Irajá e Inhaúma, dando origem a vários ramos entrelaçados com cristãos-novos como os que descendiam do advogado judeu Jorge Fernandes da Fonseca, também meu décimo-segundo avô. As terras na atual praia de Botafogo obteve do sesmeiro Francisco Velho, meu décimo quarto avô, que foi refém dos Tamoios e ergueu a primeira igreja de São Sebastião na Urca, antes de ser transferida anos depois para o Morro do Castelo. As sesmarias em Irajá, ocorrendo no século XVIII a divisão na freguesia rural e criando a de Inhaúma, adquiriu aprisionando tamoios em Cabo Frio, quando houve a rendição total deles. Chegou pobre, processado e endividado ao Brasil, teve filhos perseguidos por serem judeus em Portugal, mas desposou Maria da Luz em São Vicente e migrou para o Rio onde lutou ao lado de Estácio de Sá. Morreu em torno dos 80 anos e antes serviu como testemunha no processo de beatificação de Padre Anchieta não tendo prestado grandes informações a respeito.
Laura Berquó
sábado, 16 de maio de 2026
O QUE NÃO FALAM PARA AS MULHERES SOBRE A ADVOCACIA
Podem não falar, mas muitas devem sentir. Comecei a estagiar aos 21 anos junto ao escritório de Prática da Universidade que tinha convênio com a Defensoria Pública. Adorava, porque inclusive no meu teste vocacional deu grande inclinação para Serviço Social e Letras empatados. Direito veio em terceiro lugar. Como era algo que eu fazia por prazer, não me sentia mal. Somente a velha enxaqueca quando adentrava no Fórum, devido à energia de conflito no lugar. Depois fui me adaptando. Aos 23 me inscrevi na Ordem e comecei a advogar mesmo com mais causas aos 25 anos, porque antes me tornei bolsista no Mestrado e não poderia me dedicar a outras atividades. O fato é que após os 30 anos eu passei por momentos delicados e de perseguições aqui que me fizeram viver em alerta constante, correndo atrás de resolver problemas dos outros, entrando finais de semana com prazos e percebi que aquela rotina não me agradava, que o dinheiro não era condizente com meu desgaste, que as pessoas nem sempre respeitavam o meu trabalho e o cortisol foi se acumulando no meu corpo. Só consegui recuperar a estética perdida nesse período denso após me afastar de lugares de conflito, de pessoas tóxicas, de colegas agressivos, a quem eu tinha que revidar para não perder o respeito, próximo ao período da pandemia. Descobri uma paz tão grande que não quero retornar ao inferno que ninguém diz que a advocacia é, dependendo da área, tirando sim a energia da leveza, a energia da beleza, tirando o resto da saúde mental. Ninguém quer falar sobre isso e continuam avaliando a vida das advogadas que recém entraram na profissão ou ainda são muito jovens, que não tiveram tempo de ver o saldo do desgaste como um estilo de vida maravilhoso. Com os homens não é muito diferente. Entravam magros na advocacia, com menos de 40 já acumulavam a calvície, a barriga de cortisol e o ganho de peso. Mas o problema da mulher é que muitas de nós precisamos renunciar à vaidade se quisermos ser respeitadas. Não tenho como não dizer que a advocacia de litígio não me trouxe prejuízos na energia, na aparência, na falta de leveza, etc. Estou dando outro rumo para fora do contencioso e buscando me dedicar aos estudos, à consultoria, livros e pareceres, porque me dá paz e já passei da idade de querer provar algo a alguém. Não preciso provar nada a ninguém e isso é paz. Não preciso provar que sou boa, corajosa, competente, etc. Já provei e já cansei. Na juventude nos incomodamos com o que os outros pensam. Depois vemos que é besteira, porque nosso autoconceito surge mais das crenças limitantes de familiares e da sociedade. Como também muitos discordarão de mim e dirão que sou limitada em dizer que certos ramos da advocacia nos tiram a feminilidade e leveza se quisermos nos fazer respeitar e estaremos lá sempre de terno ou de jeans com uma blusa feminina, mas negociando entre o minimalismo e o feminino, porque morremos de medo de sermos mulheres em um meio de estética masculinizada. Você é nova na profissão ou jovem advogada? Crie estratégias para não se desgastar antes do tempo e cobre bons honorários para poder se cuidar. Essa parte ninguém avisa de como a vida nos ressente da paz, da feminilidade que perdemos tentando ser heroínas o tempo todo. Eu realmente não estou mais disposta a me masculinizar para caber, perder minha saúde mental e leveza como fiz na casa dos 30. Essa parada da pandemia me obrigou a olhar para dentro.
Laura Berquó
"SEXUALIDADE DA MULHER BRASILEIRA" DE MURARO: PARTE 1
Lendo "Sexualidade da Mulher Brasileira. Corpo e Classe Social no Brasil", estudos organizados por Rose Marie Muraro há umas décadas (foto da capa do livro tirada da internet). Lendo ainda a sexualidade da burguesia carioca, mais precisamente das mulheres entrevistadas. Estou no início praticamente. Mas analisando o resultado da pesquisa com falas que tenho visto de diversas artistas sobre o climatério e menopausa antes dos 50, cada vez me convenço que a grande mídia acha realmente que o Rio representa todo o Brasil. E como sou carioca de nascimento e paraibana de coração, as comparações são inevitáveis. Aqui as mulheres entram no climatério e na menopausa em torno dos 52 anos ou mais. Comum ver aqui mulheres de 53 e 54 anos começando o climatério. Independente se são paraibanas ou não, reparei que as nascidas em outros estados aqui são mulheres que migraram para cá muito jovens, crianças ou adolescentes e também retardam o processo do climatério. Creio que a resposta esteja na qualidade da água. É intuição de leiga, mas aqui as fontes de água mineral são muito boas e a água do reservatório daqui cai fina do chuveiro. Há também o fator stress, pois aqui a qualidade de vida é muito melhor, até pouco tempo não se ouvia falar inclusive em poluição das praias, o consumo era mais natural dos alimentos e também se andava mais a pé, como se anda sem medo de toda hora sermos assaltadas, permitindo que a gente se movimente mais. Vendo as entrevistas dessas mulheres percebi o luto que muitas sentem ao passar por essa fase do climatério/menopausa e como isso virou uma indústria que as mulheres aqui não dão muita importância, porque seguem somente o que a ginecologista prescreve e porque aqui há um visão natural das fases da vida da mulher. Aqui ninguém se constrange em dizer que está menstruada, que precisa de um absorvente porque esqueceu em casa alguma unidade, etc. Há uma naturalidade da mulher paraibana em tratar de certos assuntos entre mulheres. Também tratam com naturalidade a chegada do fim da vida reprodutiva como uma nova fase, sem o sentimento de luto que se vê na grande mídia. E lendo a obra acima de Muraro entendi que o luto inconsciente dessas mulheres, no caso, como lido sobre a chamada burguesia carioca, seja o fato de associarem menopausa ao fim da vida sexual, como se a mulher perdesse um grande predicado com o fim da vida reprodutiva. Antes não havia tanta acessibilidade ou informações sobre reposição hormonal e essas crenças limitantes são passadas de geração para geração e como modelo para outras classes sociais. Se considerarmos que a pesquisa tem em torno de 50 anos, não é tanto tempo para mudanças significativas em comportamentos repassados dentro de classes sociais que buscam ser referência. Outro aspecto relevante da pesquisa é o dado da beleza para acesso ao mercado matrimonial e por isso uma ênfase à estética do corpo (que passa por transformações no climatério). Aqui o critério até pouco tempo para casamento na burguesia local tinha a ver com a origem familiar, as relações entre famílias na sociedade, a necessidade de alguns pais casarem virgens suas filhas, não sendo a beleza o ponto central para acesso ao mercado matrimonial. A beleza deveria ser acompanhada desses critérios citados. Não era a isca para contrair casamento. Essas diferenças talvez expliquem o sentimento de luto de muitas mulheres famosas do Sudeste quando dão entrevista sobre a chegada do climatério. Como se realmente fossem perder parte de seu capital erótico e acesso ao mercado afetivo, o que de fato não acontece, porque cresci vendo minhas avós sendo cortejadas mesmo após os 65+.
Lerei o capítulo sobre os homens da burguesia -RJ e a influência disso na sexualidade das mulheres para passarmos à parte da pesquisa sobre o campesinato pernambucano.
Laura Berquó
sexta-feira, 15 de maio de 2026
A MACAXEIRA: HERANÇA DOS POVOS ORIGINÁRIOS PARA NOSSA ALIMENTAÇÃO
A Macaxeira (aipim ou mandioca) é sem dúvida uma das raízes mais consumidas no Brasil. Um dos maiores produtores de macaxeira (aipim), conforme vi no progrma "Brasil Visto de Cima" (da Globo pela skY) é a zona rural carioca entre os bairros de Guaratiba e Santa Cruz, bairros da zona sudoeste/oeste no município do Rio de Janeiro. Porém, em todo país as plantações de subistência cultivam macaxeira. consumida em larga escala no Brasil de diversas formas: cozida, frita ou como tapioca, farinha, bijus, sopas, utilizando-se até suas folhas na culinária do Norte. A macaxeira é um dos alimentos sagrados dos povos originários, ao lado também de outra raiz: a batata-doce. Ambas são raízes originárias da América do Sul e segundo aprendi com ensinamentos de professores indígenas da Aldeia Indígena Tapirema (localizada no município de Peruíbe no litoral de São Paulo) pelas aulas on line do projeto social Vivência na Aldeia, a macaxeira é um alimento sacralizado, assim como a bata-doce, o milho e algumas frutas. Alguns hábitos dos povos originários permaneceram durante mais de dois séculos com os cariocas, a exemplo do consumo praticamente exclusivo da carne de peixe, sendo o carioca até a vinda da família Real, um povo ictiófago, bem servido pela Baía da Guanabara, conforme Celso Renault em 'O Rio Antigo nos Anúncios de Jornais" de 1969. A obra de Jean de Léry traz a alimentação dos Tamoios na atual capital carioca antes da fundação da cidade do Rio. Há referência sobre a mandioca/aipim/macaxeira. No momento, cito a referência sobre o consumo e formas de preparo da mandioca (macaxeira ou aipim) na obra anônima "Sumário das Armadas" que data de 1585 e que narra a conquista do território paraibano pelos portugueses em conflito com os Potiguara. Assim é a descrição do uso da macaxeira, inclusive como a farinha que conhecemos e sua importância na época das guerras entre as nações dos povos originários daquele tempo: "Enfim, todo sertão do Brasil é muito estéril e de pouco mato, e terra desventurada, que, com trabalho dá a mandioca, que os negros plantam como bacelos; e em 10,12 meses se faz tão grossa como grandes nabos, com raízes compridas, com muitas pernas, e tenras; raladas, dão muita farinha, com que eles e os brancos de sustentam; e depois do trigo é o melhor mantimento que se sabe; principalmente, deitada de molho, faz singular fariha para se comer em fresco, que se parece como nosso cusques. Fazem também outros beijus, que são redondos como mangauis, ou compridos, como querem, pouco mais grossos que hóstias: são muito bons de comer, porque tomam o gosto e o sabor natural daquilo que os comem: fazem mais outra farinha destas raízes a que chamam de mandioca, mais cozida, para durar muitos meses, com que vêm ao reino, e irão à Índia, a esta chamam farinha -de-guerra, porque na guerra, se servem os negros dela; e como no Brasil um negro tem farinha e rede, arcos e frechas, logo se tem por rico". p23 Como vocês podem ver, as diversas formas de utilização da macaxeira nos chegou até hoje, sendo herança indígena as formas de manipulação dessa raíz que também é conhecida como "pão dos pobres". Nesse parágrafo do Sumário das Armadas, prestem atenção que a paisagem descrita como "muito estéril e de pouco mato" deve ser se referindo ao bioma caatinga por estar localizado no semiárido nordestino e ser uma região de vegetação rasteira. A expressão "negro" durante muito tempo foi utilizada pelos portugueses para se referir às pessoas de origem indígena.
Laura Berquó
ANTÔNIO JOSÉ DA SILVA, O JUDEU: GUERRAS DO ALECRIM E MANJERONA MANJERONA
Prezad@s, enquanto não termino a leitura dessa obra-prima do teatro português, deixo o link para acessá-la:
https://archive.org/details/guerrasdoalecrim00silv/mode/1up
Trata da ópera joco-séria "Guerras do Alecrim e da Mangerona", do teatrólogo fluminense, morto na fogueira pela Inquisição, Antônio José da Silva, na primeira metade do século XVIII. É uma sátira sobre os costumes da alta sociedade em Portugal.
Também tem como baixar a obra "O Judeu" de Camilo Castelo Branco, romance histórico inspirado na tragédia de Antonio José da Silva, para aqueles que tenham interesse em conhecer mais sobre sua vida. Deixo abaixo o link.
https://archive.org/details/ojudeuromancehis00castuoft
Em breve trarei comentários sobre como Antônio José da Silva foi parar em Portugal para ser julgado pelo Tribunal do Santo Ofício. Para isso, preciso revisitar algumas leituras antigas de estudos disponíveis pelo Programa de Doutorado em História da UFF sobre a mãe de Antônio, Lourença Coutinho, que foi denunciada por criptojudaísmo por uma mulher escravizada a quem Lourença recusou conceder a carta de alforria. Há estudo também na Paraíba sobre cristãos -novos que explica como um cristão - novo paraibano contribuiu para a tragédia de Antônio José da Silva em Portugal, já que ele não respondeu apenas a 01 processo no Tribunal do Santo Ofício.
Laura Berquó
O QUE É WOLLYING? VIOLÊNCIA DE MULHERES CONTRA MULHERES
Ao abrir hoje o Instagram, aprendi mais uma expressão nova: "Wollying". No caso, uma expressão novíssima criada este ano por brasileiras na Comissão sobre a Situação da Mulher na ONU (CSW70). Se a expressão é novíssima, a prática não. É o bullying de mulheres contra mulheres. Sem hipocrisia e sem culpar eternamente o patriarcado, sabemos que mulheres conseguem destruir o psicológico, a imagem -atributo de outras mulheres, ajudando a espalhar difamações, promovendo assédios institucionais, agressões físicas e ameaças que remontam ao tempo da escola, etc. Não precisa do patriarcado para isso, mas da velha inveja que existe em todo ser humano, potencializada em situações em que o ultraje venha de quem se sente ameaçado ou ameaçada pela presença de outrem. A sororidade é um termo político recente criado nos anos 70 como proposta de pacto entre mulheres contra o sexismo. Só esquecemos de fazer um pacto contra o Wollying, e como sempre, dando a cartada de que o patriarcado é o culpado pela violência de mulheres contra mulheres, deletando e nos eximindo da nossa responsabilidade. Homens maltratam mulheres pelas razões já sabidas de misoginia, sexismo, etc. E mulheres? Além de atributos como competitividade no mercado de trabalho, há uma competitividade não revelada para que tenhamos acesso ao famoso mercado afetivo-sexual que fingimos, por discursos hipócritas, não ser a razão das nossas desavenças. Sim, queremos ter acesso aos homens, queremos que eles possam estar à nossa disposição. Uma mulher com capital erótico potencializado sempre será um convite para o Wolling. Ou porque ela terá mais oportunidades com os homens ou será mais favorecida pela sorte. Soma-se a isso a competitividade trazida pelo mercado de trabalho entre mulheres. Vi muitos casos de assédio moral de mulheres contra mulheres no mercado de trabalho. Já fui vítima inclusive de comentários depreciativos à boca-miúda de pseudo-feministas, quando perseguida aqui na Paraíba por político e seus capachos. Elas reforçaram discursos misóginos de homens sobre minha sanidade mental e deliberadamente sobre a minha vida pessoal. Tão "feministas", mas se ocupando da minha cama. Recentemente, também passei por assédio institucional vindo de mulheres advogadas e seus capachos em instituição de projeção nacional. Inclusive, soube em contato com um jornalista, que a "Wollying-Mor" andou com expressões e falas desabonadoras a meu respeito. O jornalista me conhecia já de nome, mesmo antes do meu contato, somente pela fala da figura. Portanto, seria hipocrisia da minha parte dizer que nunca fui vítima de "Wollying" e que isso é culpa do patriarcado, se em princípio, pelo discurso, não poderia esperar a mesma compreensão dos homens. Está na hora de pararmos de culpar sempre os homens pelos nossos comportamentos inadequados de falta de sororidade e empatia, porque na nossa humanidade podemos ser cruéis, invejosas, covardes e mal resolvidas entre nós mesmas.
Laura Berquó
quinta-feira, 14 de maio de 2026
OS CANGACEIROS DE CARLOS DIAS FERNANDES
Começando postagens sobre Carlos Dias Fernandes. Um ano após me mudar para a Paraíba, aos 15 anos de idade, ouvi falar em Carlos Dias Fernandes. Vi a imagem dele de homem maduro e bonitão e me despertou a curiosidade sobre a sua vida. O texto abaixo já foi publicado no Ambiente de Leitura Carlos Romero. Iremos trazer outros sobre suas obras e vida. Carlos Dias Fernandes é mais comentado do que lido. A obra Os Cangaceiros pode ser baixada no endereço virtual https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/600882. Publicada em 1922 pela Editora Monteiro Lobato, é uma obra do pré-modernismo e que não consigo compreender o porquê não ter tido uma repercussão maior. Não é trabalhada e divulgada nem mesmo na Paraíba. Os Cangaceiros descreve com riqueza de detalhes a natureza e estilo de vida sertanejos, bem como é uma obra rica em crítica aos costumes e à violência institucional. Nesse contexto crítica a moral sexual burguesa sobre a sexualidade feminina, fazendo jus ao fato de que Carlos Dias Fernandes era um defensor dos direitos das mulheres. O grande paraibano de Mamanguape inclusive era um defensor do voto feminino. Os Cangaceiros narra o destino de Minervino, um rapaz ingênuo e de boa índole que se transforma em justiceiro fora da lei, após uma sucessão de tragédias em sua vida e a revolta contra os abusos das autoridades de seu tempo. Na verdade, a obra tem como mérito fazer uma crítica ao aparelho de Justiça e da força policial, aos rígidos costumes sexuais e à falta de compensação aos que seguem rigidamente uma vida digna e irrepreensível, mas não estão livres das arbitrariedades do Estado. A história se passa na Paraíba e é fácil o leitor paraibano se identificar com os costumes e hábitos sertanejos, embora o enredo se passe alguns anos após a Proclamação da República. Laura Berquó
quarta-feira, 13 de maio de 2026
O ESFORÇO PARA GOSTAR DE HOMEM
Eu assisto falas de mulheres da minha faixa etária, mulheres bonitas, dizendo que os homens não olham mais. Eu tenho interessados da faixa etária dos 28 aos 80 e poucos e estou com 47 anos. Eu acredito que algumas coisas determinam a procura nessa idade: menos críticas. As mulheres agora deram de criticar os homens comparando com os homens mais jovens, tal como os redpills fazem com as mulheres. Se as mulheres fizessem menos esforço para gostar de homem, talvez não estivessem reclamando. Há críticas aceitáveis como o medo de feminicídio e de homem escorão. Mas o envelhecimento do homem tem sido um ponto de crítica das mulheres 40+, como se os homens também não pudessem envelhecer com suas manias e experiências de vida. Estão fazendo o que muitos homens faziam: dizer que somente um novinho acompanha o ritmo delas, são dispostos, etc. Trazer revanchismo para o campo das relações afetivas nunca favoreceu ninguém. Ser vista também é se abrir para o outro con as especificidades de cada realidade.
Laura Berquó
O PERFUME PARA DORMIR
Eu amo perfumes. Na Paraíba me chamou a atenção o hábito de dormir perfumada. Adotei esse hábito, ainda na juventude, vendo amigas usando perfumes para dormir em viagens ou dormindo na casa delas. Perfume para dormir, no caso, é body Splash, lavanda, colônia etc. Ninguém vai usar My Way para dormir. Mas o fato é que dormimos cheirosas aqui e usamos perfume em casa também, mesmo que seja só para ficarmos sozinhas. Tem o perfume para dormir, o perfume para ficar em casa e os mais concentrados para usar no trabalho, sair, etc. Mas o perfume para dormir, realmente, é algo muito local. Você dorme com a sensação de beleza. Uma coisa que também me agrada na Paraíba, além dos perfumes para dormir, ficar em casa, etc, é que a mulher paraibana é acolhedora e carinhosa. Você sempre é recebida com um "Minha Querida", "Flor", etc. Também me agrada os elogios sem inveja e o compartilhar entre as mulheres daqui: "Que perfume cheiroso!", "Que brinco lindo!", "Que cabelo lindo!", etc e você responde onde comprou, qual o produto e o preço para que a outra adquira também, algo normal, sem competição e sem inveja, mas sinônimo de admiração e aprovação do seu gosto e da sua aparência. É algo tão natural que se torna uma conversa agradável sobre trocas de experiências, conselhos de estética, etc. As paraibanas são muito amáveis e agradáveis de conviver, além de muito vaidosas.
Laura Berquó
ORAIEIEU, MINHA MÃE OXUM!
Seja bem-vinda, Mamãe Oxum!
Minha mãe Oxum é meu terceiro Orixá, minha Iabá ancestral que me acompanhará em todas as encarnações. Ela representa meu verdadeiro íntimo. Faz muito sentido com minha Lilith em Leão. Sua energia me dá tanta segurança que o mundo pode estar caindo ao meu redor, mas terei a certeza de que eu sou responsável somente pelo que me cabe. Ela é minha Paz e meu Conforto. Não pego nessa fase, peso dos outros. Ogum e Iansã dão passagem a Oxum para que eu possa ter descanso e olhar para mim mesma. A calmaria que esconde correntezas. Autoestima em paz. Foco e autocentrada. Consciência da própria importância. Sem tempo para o que não é meu. Oxum é bela, porque se prioriza. Oxum é força redirecionada. Não se demora onde querem apagar sua paz, brilho e beleza. Conhece o sentimento do outro, porque calada observa. E calada se vinga, se for preciso. E se alguém tiver algum problema comigo, que se resolva sozinho. Não me dêem porcaria, seja material ou comportamental, porque me recuso a receber. Vou deixar falando só. Oraieieu, Minha Mãe!
Laura Berquó
terça-feira, 12 de maio de 2026
A CONTRIBUIÇÃO DE MANUEL QUERINO E AS JUNTAS DE EMPRÉSTIMO PARA ESCRAVIZADOS QUE ORIGINARAM AS CAIXAS ECONÔMICAS
Recentemente, tem chamado a atenção a seguinte notícia em jornais e no próprio site do Ministério Público Federal:
“MPF cobra aprofundamento de medidas em acervo da Caixa sobre contas de escravizados no século XIX. Relatório do banco sobre escravidão é considerado insuficiente, com inconsistências e críticas de historiadora à pesquisa. O Ministério Público Federal (MPF) classificou como insuficiente o relatório apresentado pela Caixa Econômica Federal sobre registros financeiros de pessoas escravizadas no século XIX e determinou a ampliação da apuração. O órgão apura o papel da instituição financeira na gestão de recursos de pessoas escravizadas e a destinação desses valores, especialmente no período de transição para o fim do regime escravista.
A investigação foi instaurada a partir de representação da entidade Quilombo Raça e Classe e integra a atuação do MPF na promoção do direito à memória e à verdade histórica. Apesar de a Caixa ter identificado 158 cadernetas de poupança em seu acervo histórico, o MPF concluiu que o levantamento é limitado e não responde a questões centrais sobre o destino dos recursos e o papel da instituição no período escravista. Existem no banco cerca de 14.000 documentos da época que não sofreram qualquer tratamento arquivístico.”
A iniciativa tanto da entidade Quilombo Raça e Classe e do próprio Ministério Público Federal é muito interessante não só do ponto de vista da proposta da reparação histórica, mas sobretudo pelo resgate da história de empreendedorismo dos africanos escravizados e seus descendentes e como estes colaboraram para a criação das caixas de mutuários a partir das chamadas Juntas de empréstimos para fins de aquisição de cartas de alforrias. Quem nos explica bem o funcionamento dessas Juntas é Manuel Querino em suas obras “O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira” (1918) e “A Raça Africana e os Seus Costumes” (1916)
O ensaio de Manuel Raimundo Querino "O Colono Preto Como Fator da Civilização Brasileira" foi apresentado no VI Congresso Brasileiro de Geografia em 1918. Manuel Querino foi um dos maiores intelectuais do século XIX e início do século XX, precursor de estudos antropológicos no país, folclorista, professor e opositor às ideias eugenistas de Nina Rodrigues, traçando a contribuição africana, nesse texto, na formação da sociedade brasileira, mas do ponto vista da livre iniciativa, da empresariedade, como culturalmente já preparado na África para atividades empreendedoras, de garimpo, organizacional, que no Brasil foram apropriadas pelas relações abusivas de exploração pela elite colonizadora que passou a desenvolver na sua descendência a aversão ao trabalho, considerado indigno e ultrajante, que seriam próprios para pessoas colocadas em condições de exploração e subalternidade em oposição a uma elite parasitária.
Ressalta que apesar da facilidade da conquista, pela indolência característica dos descendentes que se acomodaram na exploração do trabalho alheio, os portugueses da elite não conseguiram manter suas colônias na Ásia, partindo assim para o Brasil. Já conhecedores da qualificação de etnias africanas para a agricultura, garimpo, comércio em vários setores, o tráfico de pessoas escravizadas da África teve início para o continente americano.
Fala das formas de resistência, desde revoltas contra senhores de engenho, ao processo de formação de quilombos, bem como a criação de Juntas, estas demonstrando a capacidade de organização e eficiência das pessoas escravizadas para que seus mutuários pudessem tomar empréstimos para conseguirem a própria alforria, sempre organizando-se de forma coletiva, pensando no coletivo, administrando valores que eram depositados por pessoas negras para um objetivo comum. E sobre as Juntas criadas como forma de organização coletiva entre mutuários negros é que temos os embriões das chamadas Caixas Econômicas.
Mas é na obra “A Raça Africana e os Seus Costumes” de 1916 que Manuel Querino explica mais detalhadamente sobre o funcionamento das juntas antes do surgimento da primeira Caixa Econômica fundada na Bahia em 1834, citando a experiência dos africanos escravizados que em Minas Gerais, liderados por Chico Rei. A experiência das juntas são anteriores, portanto, que as primeiras caixas econômicas:
“Praticavam aqui na Bahia, quase o mesmo, os africanos. Ainda não existiam as caixas econômicas, pois que a primeira fundada na Bahia data de 1834, não se cogitava ainda das caixas de emancipação e das sociedades abolicionistas, antes mesmo de se tornar tão larga como depois se tornou a generosidade dos senhorios, concedendo cartas de alforria ao festejarem datas íntimas, e já havia as caixas de empréstimo, destinadas pelos africanos à conquista de sua liberdade e de seus descendentes, caixas a que se denominavam — «Juntas». Com êsse nobilíssimo intuito reuniam-se sob a chefia de um deles, o de mais respeito e confiança, e, constituíam a caixa de empréstimos. Tinha o encarregado da guarda dos dinheiros um modo particular de notações das quantias recebidas por amortização e prêmios. Não havia escrituração alguma; mas, à proporção que os tomadores realizavam as suas entradas, o prestamista ia assinalando o recebimento das quantias ou quotas combinadas, por meio de incisões feitas num bastonete de madeira para cada um. Outro africano se encarregava da coleta das quantias para fazer entrega ao chefe, quando o devedor não ia levar, espontaneamente, ao prestamista a quota ajustada. De ordinário, reuniam-se aos domingos para o recebimento e contagem das quantias arrecadadas, comumente em cobre, e tratarem de assuntos relativos aos empréstimos realizados. Si o associado precisava de qualquer importância, assistia-lhe o direito de retirá-la, descontando-se-lhe, todavia, os juros correspondentes ao tempo. Se a retirada do capital era integral, neste caso, o gerente era logo embolsado de certa percentagem que lhe era devida, pela guarda dos dinheiros depositados. Como era natural, a falta de escrituração proporcionava enganos prejudiciais às partes. Às vezes, o mutuário retirava o dinheiro preciso para sua alforria, e, diante os cálculos do gerente o tomador pagava pelo dôbro a quantia emprestada.”
Manuel Querino trata ainda das relações abusivas de afeto, em que vemos a figura da mulher preta que desenvolve afeto pelas crianças brancas que estavam sob seus cuidados, dentre outros exemplos. Lutou contra a ideia negativa da miscigenação como sinônimo de atraso, mostrando a contribuição do "mestiço", sendo importante para desconstrução da imagem negativa do elemento africano desenvolvido pelo racismo científico.
Laura Berquó
segunda-feira, 11 de maio de 2026
A VELHA TELEFUNKENM
Se eu pudesse retornar à minha infância, nos anos 80, estaria brincando de boneca, refazendo lições da escola e, com certeza, vendo TV. A propósito, minha avó Laura morreu em 1986 e deixou, dentre os bens da herança, uma geladeira GE dos anos 70, que eu gostava de me divertir, porque na porta havia um portão para apertar e pegar água, e o outro bem foi uma TV colorida TELEFUNKENM, também dos anos 70. Hoje em dia os jovens são muito chatos. Muitas facilidades e muitas reclamações. Hoje, toda modernidade vem sem nenhuma exclamação de surpresa da geração pós-90. Alcancei as TVs preto e branco. Horrível quando os botões da TV engrossavam com a gordura dos dedos e os canais trocavam sozinhos. Assepsia constante desses botões. Ou a imagem começava a rolar e você tinha que dar um soco na lateral da TV para a imagem parar. A TELEFUNKENM fez sucesso lá em casa. Assistíamos TV animado após o almoço para fazermos digestão e irmos estudar. A geração de hoje não sabe o que é uma TV que servia de móvel pelo tamanho e porque era revestida de madeira. Um dia a TELEFUNKENM lá em casa resolveu dar problema, o que não era incomum para as TVs daquela época. Só que a imagem foi diminuindo, diminuindo e as crianças hipnotizadas com aquele fenômeno olhavam fixamente até que a TELEFUNKENM explodiu. Eu e meus irmãos saímos correndo e nunca mais chegamos perto de uma TV antiga por um bom tempo.
Laura Berquó
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO EM ECONOMIA DOMÉSTICA
No sebo consegui um exemplar de um manual da década de 1960 sobre a disciplina Economia Doméstica e apesar das críticas que ouvimos hoje a esse tipo de conteúdo por ter sido no Brasil direcionado às mulheres em algumas escolas, o que se alega ser uma forma de estigmatizar funções para cada gênero, é sem dúvida um conteúdo de extrema importância para nossas vidas e que em uma sociedade cada vez mais consumista e com péssima alimentação, deveria retornar à escola ensinando a todas as pessoas. Não tenho nada contra mulheres que gostam dos papéis de maternagem e cuidados com a casa, porque hoje podemos ter mais escolhas, como refutarmos esse lugar, ou somar esses papéis a outros desempenhados. Existe uma ética do cuidado que muitas de nós também apreciamos. Assim, o que tem de tão interessante em Economia Doméstica que podemos aplicar na nossa realidade e fazermos dela um estilo de vida? Primeiramente, a Economia Doméstica nos ensina a ter noção de orçamento. A vivermos dentro da própria realidade financeira e aprendermos a fazer escolhas inteligentes e acessíveis. Também educa para um comportamento moral. Ora, se seu marido ou companheiro ganha R$ 5.000,00 por mês e vive como se ganhasse R$ 20.000,00, ou ele está se endividando ou está fazendo coisas ilícitas. Da mesma forma se ele ganha R$20.000,00 por mês, e sem dar maiores satisfações, apenas disponibiliza para as despesas do lar R$ 5.000,00, ou está gastando com outra família ou com vícios ou guardando e investindo dinheiro sem o seu conhecimento. Conheci casos de senhoras que no divórcio não faziam a mínima ideia de quanto seus maridos realmente percebiam e geralmente estavam afastadas da administração econômica da casa. O segundo aspecto interessante da Economia Doméstica é que ensina a inventariar todos os itens de vestuário, de acessórios, etc. Isso evita consumismo desnecessário ao você ter ideia do que já possui e refletir sobre a necessidade de nova aquisição. Terceiro, você pode aplicar o procedimento de inventariar para outros itens da casa, assim como produtos estocados na sua dispensa. Quarto, a Economia Doméstica permite você fazer trocas inteligentes de alimentos que possam caber no orçamento: você aprende desde calorias, nutrientes e formas de conservação e preparo dos alimentos que te levam à escolhas mais saudáveis e otimizadas. Quinto, ao planejar, a partir das escolhas dos alimentos, o cardápio da semana de sua casa, você consegue também economizar e não comprar em excesso alimentos que venham a se estragar. Logicamente, não podemos esquecer de pessoas que vivem com o mínimo onde a adoção dos ensinamentos da Economia Doméstica se torna difícil, porque todas as necessidades são urgentes. Mas acredito que mesmo assim seja de valia, especialmente para a classe média cada vez mais endividada.
Laura Berquó
CARTA PARA A SEMANA
A Pombagira Cigana passou e deixou o recado da carta número 7 do Lenormand (Baralho Cigano): A Serpente. Há uma diferença entre cobra e serpente. Salvo engano os répteis que temos aqui na América do Sul são serpentes e não cobras. Mas o que a Pombagira Cigana quer dizer é que tanto cobra como serpente trocam de pele, então podemos estar diante de uma fase de mudanças ou passando por mudanças internas. A Carta da Serpente ainda indica forte desejo sexual. No sentido negativo a Carta da Serpente nos orienta a tomarmos cuidado com falsidades, traições e invejas dos outros ou que esses sentimentos não venham fazer morada dentro de nós. A Serpente indica a necessidade ainda de renovação, já que ela troca de pele, e iniciar novos ciclos. Esse é seu lado positivo: a transformação.
Laura Berquó
domingo, 10 de maio de 2026
OS OLHARES SILENCIOSOS....
...DAQUELES QUE NÃO COMENTAM, FINGEM NÃO SEIMPORTAR, MAS DÃO AUDIÊNCIA. PARA QUEM SEMPRE FOI SUBESTIMADA PELA APARÊNCIA E DEPOIS PELOS COMPORTAMENTOS XENÓFOBOS FORA DA PARAÍBA, ACHO UM FEITO CURIOSO SER LIDA. MAS, GOSTARÍA MUITO DE SABER O QUE AGRADA NAS POSTAGENS PARA PRODUZIR MAIS CONTEÚDO. CASO ALGUÉM QUEIRA SE MANIFESTAR, SOMOS TODA OUVIDOS.
LAURA BERQUÓ
LEOPOLDINA FRANCISCA MONTEIRO (BERQUÓ)
LEOPOLDINA FRANCISCA MONTEIRO
Há 183 anos nascia minha trisavó Leopoldina Francisca Monteiro na antiga Freguesia (rural) de São Tiago de Inhaúma. Nascida em 10.05.1843, casou-se aos 14 anos com meu trisavô Augusto José Berquó em 15.02.1858. Augusto José Berquó era português, originário dos Açores, como todos os Berquós, sendo que não descendia do ramo do Ouvidor que nomeou a famosa rua, o rio que passa em Botafogo (onde hoje existe o Cemitério São João Batista) e nem o antigo nome da Avenida General Polidoro, antes conhecida como Caminho do Berquó. Meu trisavô era um imigrante do ramo humilde. São apenas primos muito, mas muito distantes, haja vista que todos os Berquós descendem de Maria del Rio e do francês Jacques Berquó, sendo o sobrenome ‘Berquó” relativamente recente (século XVII). Nascido em 1827, em 1858 desposou Leopoldina Francisca Monteiro, que aos 14 anos já havia dado a luz ao seu primeiro filho. Casaram-se em 1858 e tiveram muitos filhos, aproximadamente uns 10 ou mais, sendo que Leopoldina morreu em 05.03.1878, antes de completar 35 anos de idade, após dar à luz à última filha do casal, Georgiana, que também morreu com menos de dois meses de vida. A história de Leopoldina Francisca Monteiro (Berquó) está ligada à história dos lavradores do Rio de Janeiro e seu processo de deslocamento pelas zonas rurais cariocas. O bairro de Guaratiba, que existe desde fins do século XVI, foi o local de nascimento de sua mãe, e minha tataravó, Fortunata Joaquina, filha de meus pentavós cariocas Manoel José da Silva e Ignácia Joaquina da Conceição. Minha tataravó Fortunata se casou com o também carioca Francisco Antônio Monteiro, meu tataravô, filho de imigrantes portugueses (meus pentavós Antônio José Monteiro e Maria Angélica de Jesus). Todos os aqui citados eram de origem humilde, lavradores, sendo que Leopoldina nasceu em Inhaúma. Sua mãe era nascida em Guaratiba, como já informado e seu pai no Engenho Velho. Moravam na área próxima à atual Avenida Itaoca, mais precisamente próximo ao rio Faria-Timbó. Eram humildes trabalhadores rurais. Hoje o cenário é bem diferente. Naquele tempo era muito diferente de hoje, a paisagem, como também a Igreja de São Tiago (de Inhaúma), sendo a matriz daquele bairro. O antigo cemitério, desativado em 1905, para a instalação do atual Cemitério de Inhaúma, era na praça em frente à matriz. Se Leopoldina foi enterrada no antigo cemitério, ainda não sei dizer, porque morreu em casa, em Cascadura, após dar à luz sua última filha Georgina e porque aquela área de Cascadura era servida pela Freguesia (rural) de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. Na década de 1860, creio que já havia se mudado para Cascadura, após o nascimento do meu bisavô Augusto José Berquó, homônimo do pai, em 1864, ainda em Inhaúma. O pai de Leopoldina, meu tataravô Francisco Antônio Monteiro, embora de poucas posses, era compadre e amigo de um dos irmãos Rêgo, família riquíssima da cidade do Rio de Janeiro, que doou propriedades aos filhos de meu tataravô e entre elas, minha trisavó recebeu a propriedade em Cascadura, que em 1884, pelo menos parte dela, estava sendo vendida pelo meu trisavô Augusto José Berquó, já viúvo e que veio a falecer em 1887. Para maiores informações sobre essas doações de terras para os pais e irmãos de Leopoldina Francisca Monteiro, leiam a obra da Profª Dra. Rachel Gomes de Lima “Senhores e possuidores de Inhaúma: propriedades, famílias e negócios da terra no rural carioca 'oitocentista’ (1830-1870)”. Em breve traremos outras informações a partir de estudos genealógicos (FAMILY SEARCH) e que possam contribuir com o entendimento da formação do espaço urbano carioca de antigamente. Mas hoje, nesse dia das mães, queria falar de Leopoldina, que morreu após dar à luz, como muitas mulheres de seu tempo, carioca, lavradora, pobre de nascimento, rica pela sorte, assim como seus irmãos.
Laura Berquó
ANTÔNIO JOSÉ DA SILVA, O JUDEU: EM BREVE RESENHAS
Em breve, o blog trará resenhas sobre as obras do teatrólogo fluminense Antônio José da Silva, o Judeu, nascido em 1709 em São João de Meriti e morto em Portugal pela Inquisição em 1739. Além das resenhas de suas obras, traremos outras resenhas de textos que retratam sua influência na literatura portuguesa e como a Paraíba se faz representar nesse tristíssimo desfecho. O meu interesse se deve ao fato de que desde 2020 estudo a colaboração de judeus sefarditas/cristãos-novos na colonização do Rio de Janeiro e porque me interessa, particularmente, o estudo do período colonial como um todo, incluindo logicamente as denúncias ao Tribunal do Santo Ofício, que agiu de forma mais agressiva no Rio de Janeiro e Paraíba.
Laura Berquó
NOVA FASE NA ADVOCACIA
Nova fase na advocacia, buscando fazer um trabalho consultivo, preventivo e de informação. O modelo de advocacia contenciosa me trouxe aprendizados importantes desde 2002. Mas, não será mais meu foco, embora não esteja com isso dizendo 'não1 às demandas, porém, sendo mais seletiva. O enfoque será em áreas que já atuo e/ou leciono desde 2006, como: Direitos Humanos, com foco nas relações étnico-jurídicas (termo usado por mim para questões jurídicas étnico-raciais), Direito do Terceiro Setor, Direitos das Mulheres, mas também Direito Civil com enfoque em família, contratos e direitos reais. Na área criminal, prioridade em estudos teóricos e projetos de lei.
Laura Berquó
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O PODER DA INDIFERENÇA
Indiferença não é desprezo. A indiferença é próxima ao desprezo, mas não são a mesma coisa. No desprezo há uma falta de apreço, negativamente valorado. Na indiferença há simplesmente ausência de importância. Demorei muito para entender como a indiferença pode impulsionar a nossa vida. Reagir de forma indiferente às pessoas, situações e perturbações externas, que não somam, mas procuram diminuir sua própria estima. Enquanto tentam macular seu nome, você, indiferentemente, segue sua vida. Percebi que não se briga para permanecer entre pessoas que você não tomaria como exemplo: ou porque são extremamente invejosas, arbitrárias, falsas, fofoqueiras, acovardadas, etc ou porque a forma como se juntam a outras pessoas para galgarem espaço é passando por cima dos outros. Indiferença. Decidi seguir e me concentrar em mim. Graças a isso o ano de 2026 será um ano de ótimas colheitas. Publiquei dois livros e estou caminhando para o terceiro. Abri outros espaços para minhas publicações. Estou me dedicando ao que me dá prazer e não me perdendo nas provocações dos outros, como faria há uns anos. Quem quiser, que fale. Sabendo do meu potencial como mulher, a indiferença protege nossa autoestima. Não preciso pedir licença, apenas vou percorrendo e desviando de pedras do caminho. A propósito, citando a frase atribuída a Fernando Pessoa, mas que já vi citação similar em Tobias Barreto (obra publicada em sua homenagem em 1926): "Pedras no Caminho? Guardo todas. Um dia construirei o meu castelo", para minha surpresa, ao encerrar esse texto percebi que realmente a linha entre indiferença e desprezo é muita fina.
Laura Berquó
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