quinta-feira, 14 de maio de 2026
OS CANGACEIROS DE CARLOS DIAS FERNANDES
Começando postagens sobre Carlos Dias Fernandes. Um ano após me mudar para a Paraíba, aos 15 anos de idade, ouvi falar em Carlos Dias Fernandes. Vi a imagem dele de homem maduro e bonitão e me despertou a curiosidade sobre a sua vida. O texto abaixo já foi publicado no Ambiente de Leitura Carlos Romero. Iremos trazer outros sobre suas obras e vida. Carlos Dias Fernandes é mais comentado do que lido. A obra Os Cangaceiros pode ser baixada no endereço virtual https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/600882. Publicada em 1922 pela Editora Monteiro Lobato, é uma obra do pré-modernismo e que não consigo compreender o porquê não ter tido uma repercussão maior. Não é trabalhada e divulgada nem mesmo na Paraíba. Os Cangaceiros descreve com riqueza de detalhes a natureza e estilo de vida sertanejos, bem como é uma obra rica em crítica aos costumes e à violência institucional. Nesse contexto crítica a moral sexual burguesa sobre a sexualidade feminina, fazendo jus ao fato de que Carlos Dias Fernandes era um defensor dos direitos das mulheres. O grande paraibano de Mamanguape inclusive era um defensor do voto feminino. Os Cangaceiros narra o destino de Minervino, um rapaz ingênuo e de boa índole que se transforma em justiceiro fora da lei, após uma sucessão de tragédias em sua vida e a revolta contra os abusos das autoridades de seu tempo. Na verdade, a obra tem como mérito fazer uma crítica ao aparelho de Justiça e da força policial, aos rígidos costumes sexuais e à falta de compensação aos que seguem rigidamente uma vida digna e irrepreensível, mas não estão livres das arbitrariedades do Estado. A história se passa na Paraíba e é fácil o leitor paraibano se identificar com os costumes e hábitos sertanejos, embora o enredo se passe alguns anos após a Proclamação da República. Laura Berquó
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