segunda-feira, 18 de maio de 2026
O QUE NÃO FALAM PARA AS MULHERES SOBRE A ADVOCACIA: PARTE 2
No outro dia postei sobre O QUE NÃO FALAM PARA AS MULHERES SOBRE A ADVOCACIA. Parece futilidade falar de bem-estar e coisas óbvias sobre saúde mental, aparência, energia etc. Eu não venho de família de advogados. Comecei cedo e sozinha numa época em que advocacia se resumia ainda a litígio, briga, muitas vezes indo para um campo de batalha nas audiências. Era a cultura da época e hoje estamos caminhando para a conscientização de que o Judiciário não pode servir para brigas eternas, porque havendo como ceder, as partes não querem, fazendo com que o aparelho da Justiça sirva como espaço de vingança. Ou ainda, sendo caso em que não há como conciliar de fato, seja inevitável a contenda, os clientes realmente acreditam que você é parte do problema deles, que deve barganhar, cobrar o mínimo da tabela, fazer na amizade, etc. Ou não entendem quando o advogado reavaliou o próprio desgaste que terá acompanhando aquele processo e resolve rever e atualizar honorários. As pessoas precisam entender que só deve arrumar problemas quem tiver condições de pagar bem um advogado. Ninguém se recusa a pagar consulta médica ou tratamento médico, mesmo sabendo que o óbito é inevitável. Mas com advogado há uma má vontade terrível. Querem até que você, como advogado, vire uma espécie de capanga de luxo. Quando a profissional é mulher, sem dúvidas o prejuízo ainda é maior. Se você é mulher e advoga por conta própria, tem que haver um cuidado com o empobrecimento, porque além de acharem que você é uma pessoa boa que fará tudo por "compaixão", cobrando valores acessíveis, mas desproporcional ao problema trazido, ainda irão achar que você se tiver uma outra renda fixa, não deveria cobrar tanto, o que já não acontece com os homens. Não tenho mais vontade alguma de advogar no litigioso e ganhando o valor que o cliente acha que é o correto pagar. Pagam sem reclamar para advogados homens, mas pra você, além de quererem caridade de mulher, exigem que você lute como um homem. Isso tudo falo na concepção popular mesmo. E no final você passa a ser vista como um homem, só que mais barato e acessível como profissional. Depois da pandemia, eu tive uma sensação de paz profunda. Longe de ambientes de brigas, de conflitos que não eram meus, mal pago e parcelado, e em outras vezes a ingratidão por brigas muito sérias que não eram minhas. O mesmo na militância com Direitos Humanos. Mas essa consciência só veio com a parada forçada da pandemia. Para verem o desgaste em que eu andava, basta compararem fotos do antes e do após a pandemia. Um desconforto com minha saúde mental, com minha energia e com minha aparência. Era comum cruzar com pessoas que me conheceram antes da dedicação à advocacia e que me reencontravam disfarçando a felicidade de me verem praticamente deformando e inchada, com alterações no peso, no equilíbrio mental e sempre em conflitos. Desarmonizada . As pessoas comemoravam a minha perda de paz, aparência e saúde mental. Ainda que não fossem nenhum exemplar considerável. Na pandemia percebi que deveria mudar a rota e redescobrir o meu feminino que fica maltratado nessas atividades. Vão dizer que estou naquela classificação imbecil de energia feminina e masculina, falando de coisas fúteis. Não acho normal uma mulher ficar com a progesterona desregulada pelo stress. Mulher inchar e deformar o rosto e a barriga por conta do excesso de cortisol. Da mulher ter que abrir mão da feminilidade e da leveza para provar que pode ser igual aos homens, como fiz e como a maioria faz na advocacia. Eu não preciso provar nada a ninguém. Também escrevo, porque como as pessoas ainda têm em mente aquela Laura que denunciava políticos homicidas, quadrilha de explodidores de banco, que realmente pegava briga pesada como denunciar tráfico de pessoas, etc, que ainda me cheguem com problemas de litígio, de brigas com previsão de durar uns 5 anos, e ainda pagando pouco ou achando que tenho que fazer na amizade. Não me tragam problemas, porque eu sei que quando é para pagar bem arrumam outro advogado. Acabou aquela história que briga pesada, a Laura resolve. E deixando as leves para os outros. Nem pagando direito, eu quero, porque descobri que paz não tem preço. A única briga que ainda estou levando adiante é a que testemunhei de tortura de presas. Não vou ficar calada vendo pessoas sendo machucadas. E só. A única pendência. Vou me dedicar aos meus estudos, à advocacia consultiva, pareceres e livros. Não quero mais perder tempo, saúde mental, beleza e dinheiro com problema dos outros, muitas vezes evitáveis, e ainda quererem negociar honorários. Abaixo, vocês comparem as fotos do auge de stress da advocacia com a realidade que vivo desde que fui me afastando de problemas dos outros. Houve uma época em que as pessoas me procuravam só para relatar problemas. Não perguntavam se eu estava bem. Não quero mais esse tempo. Quero o que eu vivo agora. A responsabilidade por impor limites é única e exclusivamente nossa.
Durante a advocacia de litígios:
Após deixar a advocacia de litígios:
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