terça-feira, 20 de janeiro de 2026

RACISMO ALIMENTAR, MULHERES MENOPAUSADAS E MERCADO DE CONSUMO


RACISMO ALIMENTAR, MULHERES MENOPAUSADAS E MERCADO DE CONSUMO


Já conhecia o conceito de nutricídio. Muitas mulheres obesas e pobres vivenciam o nutricídio. Já há a divulgação de um novo conceito chamado racismo alimentar. Podem acessar:

https://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/55161


Depois que a mulherada 40+, 50+, 60+ passou a ser um mercado consumidor interessante, o algoritmo lembra sempre que você é uma mulher 45+, para mostrar as mulheres realizadas com sua vida na menopausa, nos 50+, com o life style ideal, de quem vive de academia e comida fitness, cara limpa sem maquiagem (mas com botóx e preenchimento) na sua timeline. É a nova beleza. "Beleza natural sem maquiagem", mas com procedimentos bem feitos. 'Afinal, o capitalismo também vende autocuidado. Cansativo. Antigamente as mulheres tinham filhos tranquilamente perto dos 50. Algumas depois até como se relata no sertão. A comida era natural, as pessoas andavam mais a pé e não pululavam métodos anticoncepcionais. Hoje você tem mulheres novas de 35+ falando de cansaço e alteração de humor como resultado da perimenopausa. Não vêem que o estilo de vida desregula os hormônios. A maioria não está na perimenopausa não. Procurem se conhecer. É porque descobriram uma indústria para mulheres 40+ chamada "perimenopausa/menopausa" em que até creme para a pele é vendido prometendo amenizar essa fase da vida. Tudo muito cansativo quando sabemos que estão atrás das mulheres 40+, 50+, 60+, porque estão independentes financeiramente, muitas vezes melhor colocadas que os homens no mercado de trabalho. Daí o ressentimento dos redpills com mulheres 30+. Agora, vocês já viram mulheres, até mais novas, mas pobres, racializadas, que sofrem com o racismo alimentar e o nutricídio, nessas postagens? Não, porque a nova mulher 40+, 50+, 60+ precisa ter dinheiro. Tudo na internet funciona como marcador de classe. Menopausa agora tem marcador de classe. Incrível né? No dia que sobrar o dinheiro da mulher pobre 40+, vão inventar shapes, creatinas, colágenos genéricos das de classe média+ para vender para as mulheres pobres-. O mercado de trabalho fez com que a mulher não desejasse menstruar. Ou diante dos incômodos, estava lá o mercado. Mulheres que deixam de menstruar e chegam aos 40 com útero e ovários atrofiados e depois vão alimentar o mercado de óvulos congelados. Cansativo né. Eu completo 47 anos menstruando normalmente. Outra colega fez 46 menstruando normalmente. Outra vai fazer 49. E conheço várias mulheres de 52/53/54 menstruando na Paraíba. Não é interessante para o mercado dos produtos 40+, 50+,60+ que nós existamos. Porque não vamos dar dinheiro, por enquanto.  Espero envelhecer bem, mas sem sugarem meu dinheiro. No dia que os homens voltarem a ter poder aquisitivo com dinheiro livre de despesas com pensões alimentícias, família, livres de subemprego/desemprego, a indústria vai descobrir a "andropausa". Mas o homem de classe baixa (-) também não aparecerá nos algoritmos para homens classe média +. Já lucram com produtos de calvície, para impotência, etc, mas podem deixar que vão arrumar algo para o homem deixar seu dinheiro que sobrou. Mas deixe "descobrirem" a andropausa. A nova identidade feminina antes de promover o debate sobre etarismo misógino 40+, alimenta preconceitos etaristas contra mulheres que não podem ter o mesmo life style. Tudo será uma questão de mérito pessoal e não se discutirá racismo alimentar, nutricídio, acesso ao mercado de consumo, tempo livre com qualidade, responsabilidades que mulheres pobres (-) têm como arrimo de família, etc. Também não estão preocupadas em debater como o sistema de seguridade social comportará as gerações futuras de idosas saradas. O Quarto Setor cresce falindo com a Previdência. Mas no tempo de identitarismos (não confundir com identidades e recortes para políticas), o que vale é a "política" narcisista do Eu. E surge mais uma nova identidade: a da mulher de classe média+ menopausada, que reforça o discurso do mérito. É cansativo o bombardeio de informações sobre esse tema, porque virou uma indústria. 'Autocuidado' 40+, 50+, 60+ virou uma indústria para mulheres de classe média+.


Laura Berquó

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