domingo, 23 de agosto de 2026
A SATISFAÇÃO SEXUAL DA MULHER NAS RELAÇÕES HÉTERO
Lendo mais um capítulo de Muraro na obra a "Sexualidade da Mulher Brasileira. Corpo e Classe da Mulher no Brasil" prosseguindo com a análise do homem carioca da alta burguesia nos anos 70 que será abordado em outro post. Considerando que os homens de 60/70 foram educados por senhores com essa mentalidade do livro e que devem prosseguir educando filhos e filhas por sua vez, entende-se alguns comportamentos pela perspectiva de classe. Não estou aqui me referindo exclusivamente à classe burguesa carioca, mas é o recorte da obra. Ainda vou ler sobre a sexualidade no campesinato pernambucano e classe média paulista na pesquisa de Muraro. Os comentários nascem do que observo da minha experiência de vida e de muitas mulheres, em especial das que pude perceber de relatos em divórcios e entre mulheres, independente de classe e cor. Algumas vezes com o peso da religião. Como deve ser triste sustentar uma relação com um homem, por anos, que não faz sexo oral na sua esposa: ou porque acha nojento ou porque crê que ela não tem desejos ou ainda, pela visão estampada na obra, certas coisas não se fazem com as mulheres de casa. Poderão dizer: "Há mulher que também não faz". Culturalmente, homens nunca deixaram de procurar outras mulheres se não se sentem satisfeitos em casa. Diferente das mulheres. Mas, voltando às mulheres, a vida é muito curta para passar com um homem assim, que por mais limpa que a mulher seja, têm nojo de caírem de boca com vontade. Muitas passam com o mínimo que eles oferecem. Mulheres não têm autodeterminação na cama, se pararmos para pensar. Porque, inclusive, mulheres que se expressam sexualmente pela própria nudez, próprio toque ou verbalizando preferências são mal vistas, como se o corpo não fizesse parte da própria satisfação sexual delas, porém a serviço da necessidade psicológica ou passageira do outro. É desprazeroso você ter que corresponder as expectativas masculinas performando uma mulher inexperiente ou sem libido aflorada, porque alguns não acompanham ou se assustam, e quase sempre acreditam que você é uma mulher da classe das "putas", porque as "santas", a exemplo da própria mãe deles no altar imaginário imaculado não têm desejos sexuais tão "depravados". Apenas precisam estar disponíveis para a procura, já que são um alívio físico e psicológico imediato. As mulheres que não podem mostrar desejos e estão na classe das santificadas cumprem na verdade um papel somente de bem-estar psicológico, emocional e social para esses homens. Elas estão nessa função na divisão clássica. Hoje vivemos uma realidade em que a vida sexual da mulher é infinita com reposição hormonal. Sexo é energia e vontade de viver e vemos mulheres que antes seriam desprezadas na menopausa por seus esposos externalizando necessidades além das sexuais. Há uma mentalidade não verbalizada arraigada de ambas as partes, mulheres e homens, que no casamento, com a menopausa o sexo da mulher é indiferente e que sem a função reprodutiva não há porque serem procuradas. Isso as de casa. Porque mulheres menopausadas têm sido procuradas para sexo sem maiores compromissos, porque não oferecem risco de gravidez. No fim, somos praticamente reféns dessa divisão mental do homem de projetarem nas mulheres da casa as mesmas virtudes da mãe. O sexo "sujo" fica para as de "fora", mas não significa que serão satisfeitas. Creio que com mulheres trans não seja diferente. Se mulheres cis são procuradas nessas condições expostas, as trans também são procuradas para serem sexualizadas e atenderem fantasias e necessidades deles. Se você, como mulher, vive para atender a expectativa do outro, você se frustrará, porque nem reconhecimento pelo esforço sexual você vai ter na hora de um chifre. Mulheres que cedem ao sexo anal quando os homens não têm capacidade de excitá-las ao ponto delas mesmas oferecerem, mas suplicam e insistem para que a relação extremamente dolorosa sem tesão suficiente ocorra, são geralmente as que se frustam mais quando descobren que isso não garante reconhecimento. Ou aquele homem com a autoestima sexual elevada pelo tamanho do membro que dá estocada no seu útero causando irritação no cólon, para auto glorificação, mas é incapaz de acertar o ponto G, esse ponto famoso nos anos 90 que ninguém mais fala. Prazer também é saúde mental. Resumindo: nem a cama da "Puta", nem a da "Santa" andam lá essas coisas. Porque para cada mulher "mal comida", há um cara que não sabe manusear bem os próprios talheres.
Laura Berquó
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