sábado, 22 de agosto de 2026

"VOCÊ SABE O QUE É FOLCLORE? VOU TE DAR UMA EXPLICAÇÃO!"

Hoje comemoramos o Dia do Folclore. Não podemos esquecer nossos primeiros folcloristas e antropólogos a exemplo de Manuel Querino. Ele foi um dos primeiros intelectuais negros do país a rebater o racismo científico de Nina Rodrigues, dedicando -se ao estudo da contribuição cultural dos africanos no Brasil. Nina Rodrigues foi o primeiro estudioso das nações africanas com suas contribuições para os cultos afros e influência islâmica na cultura popular brasileira ainda em 1896, mas como deixou registrado, o negro e o espaço de terreiro eram objeto de estudo. Bem antes, na década de 1830, temos a obra "O Estado do Direito entre os Autochtones do Brazil”, que enumerou diversos costumes dos povos étnicos originários. No Brasil, os estudos folclóricos surgem necessariamente dos estudos étnicos na condição de objeto de pesquisa ou como forma de rebater o racismo científico do século XIX. Ocorre que com a ascensão da Ditadura Militar houve a instituição do Dia Nacional do Folclore pelo Decreto n. 56.747/1965. A ideia era criar uma identidade nacional a partir da miscigenação cultural, reforçando o mito da democracia racial. Por essa razão, ao serem instituídas as disciplinas de Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política Brasileira e Estudos dos Problemas Brasileiros (cursos superiores), pelo Decreto -Lei n° 869/1969, um dos pontos de estudo era a formação da unidade nacional a partir dos tipos miscigenados, sendo clássica a identificação de "mamelucos", "mulatos" e "cafuzos" na formação da identidade dos brasileiros. Inclusive, o referido Decreto -Lei n° 869/1969 fala em unidade nacional. A Constituição Federal de 1988 em seu Art. 215, § 1 ° reitera as contribuições étnicas para a formação da cultura e patrimônios materiais e imateriais da sociedade brasileira, porém, vivemos uma época em que buscamos respeitar a diversidade, com críticas ao processo de colonização que não eram comportadas pela ideologia da identidade nacional e da democracia racial, porque questionar é mexer com privilégios de classe e desigualdades estruturais. De qualquer forma, sendo o estudo do folclore uma das minhas paixões desde criança, prefiro ver a data pelo lado fantasioso e lúdico, de como o medo gostoso de seres encantados ocupavam meus dias. Laura Berquó

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