segunda-feira, 22 de junho de 2026

O SUBTERRÂNEO DO MORRO DO CASTELO POR LIMA BARRETO

Do grande Afonso Henriques de LIMA BARRETO, a coletânea de crônicas intituladas "O SUBTERRÂNEO DO MORRO DO CASTELO", publicadas no Jornal Correio da Manhã no período de maio a junho de 1904, inaugura sua produção literária. Na gestão do Prefeito Francisco Pereira Passos foi construída a Av. Central (hoje Rio Branco), dando início à modernização do Centro da cidade do Rio de Janeiro, que por questões sanitárias, também era do interesse do Presidente Rodrigues Alves. Tem início, então, para a construção da Avenida, parte da demolição do Morro do Castelo, que só foi demolido de vez em 1922 na gestão do Prefeito Carlos Sampaio. Com a demolição, em 1904, são encontradas algumas galerias subterrâneas fazendo reacender o interesse de arqueólogos, caça-tesouros e engenheiros, haja vista que desde o tempo do Marques de Pombal, quando os Jesuítas foram expulsos, os cariocas acreditavam que os religiosos haviam deixado para trás joias, pedras preciosas, relíquias e documentos históricos do Rio que foram escondidos desde a invasão dos franceses no início do século XVIII, comandada por Duclerc, criando o autor um romance ambientado nesse período. Lima Barreto ironiza o espiritismo kardecista. No início do século XX, o "sobrenatural" embalava a curiosidade de todos, e se faz supor, ironicamente, que o Engenheiro Paulo de Frontin seria o próprio Pombal que agora descobriria os tesouros escondidos pelos Jesuítas do Castelo para restituir à Ordem. No fim, só encontram, de valor, nas galerias 1 crucifixo de ouro (8cm) apropriado por Rodrigues Alves e 1 candieiro de ferro apropriado por Paulo de Frontin, gerando o sentimento de revolta em Lima Barreto, que dizia que os objetos encontrados pertenciam ao povo brasileiro e deveriam estar em um museu. A leitura é maravilhosa para quem quiser rir e tomar conhecimento de fatos históricos ao mesmo tempo. Laura Berquó

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