sexta-feira, 12 de junho de 2026
PORQUE SOU CONTRA O ABORTO IRRESTRITO
O tema do aborto é algo recorrente nas minhas abordagens. Nasce do interesse em compreender a defesa do aborto irrestrito como direito da mulher ao próprio corpo, ainda que, como afirma Bobbio, e a quem me acosto, o nascituro tenha direito à vida, o que gera um conflito de interesses com as defensoras do aborto irrestrito como direito reprodutivo da mulher. O que leva à defesa do aborto, embora se apresente o discurso de classes, são 2 fatores: 1. a disputa do direito de gládio com o patriarcado; 2. a revolta com a feminilidade compulsória, cujo ápice é a maternidade, e daí a justificativa de que realmente o corpo é da mulher e ela quem decide. Hoje a pauta em defesa do aborto, gira, com razão, na defesa de menores de 14 anos que engravidam, haja vista que o consentimento seria viciado. Ocorre que sempre existirão pautas que justifiquem a defesa do aborto. Agora, eu pergunto o seguinte: já que a disputa, em parte, é por poder entre uma parcela de mulheres e o patriarcado, por que ignorar que a prática do aborto é antiga e ancestral? As mulheres realmente conheciam o manuseio de ervas para esses fins, por exemplo. O controle de natalidade sempre existiu, mas atualmente, como há um interesse direto do Estado, que simbolicamente é uma extensão do patriarcado, no seu sentido psíquico (assim como as leis, as instituições, etc), em não descriminalizar a prática, há essa tensão de forças necessárias para que se reconheça o poder de determinados grupos. A violência adultocêntrica contra o feto continua sendo, como sempre, uma disputa de narrativas e queda de braço.
Laura Berquó
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