domingo, 20 de outubro de 2019

BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE POR KARYNA MAKTUB


AOS DILETANTES DE DIREITOS HUMANOS

Ainda não me mataram. A foto se refere a minha ida à Assembleia Legislativa em maio de 2019 quando me referi ao caso Bruno Ernesto e o envolvimento do deputado citado no print em explosões aos bancos. Na verdade há uma diferença entre militantes e diletantes de Direitos Humanos. Sempre digo isso. Passe a responder alguns processos e vocês verão como você se torna um leproso para esses mesmos defensores. Não recebi proposta de emprego para me cooptarem nem estou disposta a fazer retratações e acordos pelo que tenho afirmado ao longo dos anos. Fiquem à vontade para engrossar a fileira dos que me chamam de louca. Não troco a minha loucura pela sanidade acomodada de ninguém.

Laura

INDICAÇÃO DE LEITURA: FEMINISMO NEGRO

Foto tirada por mim
Gente, livro muito bom da jornalista e filósofa brasileira Djamila Ribeiro. Tendo oportunidade de conhecer e enxergar as coisas por outros ângulos a partir da experiência de vida narrada por Djamila e da necessidade de compreendermos as especificidades do feminismo, resultando em um sentimento maior de sororidade e doloridade. Os textos são artigos publicados em blogs nacionalmente reconhecidos como Carta Capital dentre outros. Aborda temas relacionados ao feminismo negro a partir de reflexões, militância e experiências da autora como mulher negra, candomblecista, filósofa e política.
Laura

IDEOLOGIA DA BARANGA À ESQUERDA: JOICE HASSELMAN E COMPARAÇÕES ESDRÚXULAS

Foto da Internet
Eu acho horrível a Joice Hasselman como política. Discurso estridente cujo objetivo é somente reproduzir falas rancorosas contra o antigo governo, sem maiores propostas na condição de deputada até então líder do atual Governo na Câmara. Mas como mulher tenho visto comentários e deboches contra ela com elementos que muitos dizem combater que é a misoginia e "gordofobia". Estão caindo no mesmo erro dos direitistas que criaram a "ideologia da baranga" para falar mal de feministas e mulheres de esquerda ou que se opõe a Bolsonaro. Acho tudo muito incoerente e demonstra que homens de esquerda ou de direita são eternos machistas. Sempre devemos corresponder às expectativas masculinas com um corpo. Homens ditos de esquerda estão reproduzindo o mesmo discurso de Eduardo Bolsonaro em chamá-la de Peppa Pig. Sempre seremos atacadas pelas nossas formas, comportamento como forma rasteira de nos diminuir enquanto protagonistas na vida pública. Em que pese não gostar de Joice como política não se pode negar o poder de persuasão que a mesma possui, algo que filhos de político não precisam demonstrar a exemplo do clã Bolsonaro. Mas como mulher digo a vocês que somos sempre julgadas pelo que fazemos, pelo que não fazemos e pelo corpo que temos, precisando corresponder às expectativas masculinas. A "Ideologia da Baranga" criada no auge da campanha presidencial de 2018, conforme escrito interessante da Intercept Brasil, tem sido aplicado por  homens, que antes de serem de "esquerda" ou de "direita", estão muito bem servidos das vantagens e regalias do chamado patriarcado. Talvez agora muitas mulheres de "direita" percebam também que mesmo que defendam um governo misógino como forma de serem aceitas por homens machistas, nunca deixarão de serem vistas como barangas por tipos da qualidade de um Eduardo Bolsonaro, porque não se identificar com as "feministas sem feminilidade" da esquerda não as tornam imunes às baixarias e críticas de homens de direita sem a mesma sagacidade.

Laura

sábado, 19 de outubro de 2019

COMPAREM PINÓCCHIO AO MENOR INFRATOR DE TODOS OS TEMPOS

Um clássico da literatura universal, de autoria do

italiano Carlo Collodi, obra publicada em 1881, deve ser lido principalmente por adultos, apesar de tratar-se de obra da literatura infanto-juvenil. Pinóquio pode ser qualquer menino infrator e problemático da nossa atualidade. Os simbolismos que são utilizados como a figura do mar como agente de transformação por representar o nosso lado inconsciente além do próprio simbolismo do menino de madeira, manipulável, que se transforma finalmente em menino de verdade, apresenta passagens engraçadas e tristes, mas que assim como o Pequeno Príncipe toca as almas mais sensíveis. O meu exemplar adquiri por R$ 5,00 no Sebo Cultural.

Laura

POMBAGIRAS, HETAIRAS E PROSTITUTAS (REPUBLICADO)

''Moço, eu já cansei de lhe dizer que mais cedo ou mais tarde, isso ia acontecer. Você ainda vai bater no meu portão, a toda hora implorando o meu perdão, mas eu não posso aceitar de coração, porque mulher tem que ter opinião", esta estrofe é um ponto para Pombagiras cantado em terreiros de Umbanda e aqui na Paraíba em terreiros de Candomblé que iniciaram os cultos afro -brasileiros a partir da umbanda e da Jurema Sagrada. Mas quem são as temidas Pombagiras para os não-adeptos, porém amadas e admiradas por umbandistas e candomblecistas? A Pombagira é um espírito de mulher, é antes de mais nada um espírito desencarnado que através de um/a médium incorpora para poder através de seus conselhos e apoio espiritual ajudar aos encarnados em diversas questões: amorosas, trabalho, saúde, etc, etc. Com certeza, somente nos terreiros de Umbanda acharam o solo fértil para que pudessem prestar o seu serviço solidário à diversas pessoas que sem os preconceitos inerentes à visão espírita kardecista recorrem à mulheres que em vida tiveram suas existências traçadas por um estilo de vida, em sua maioria, reprovável socialmente. Muitas foram: cortesãs, prostitutas, amantes e se retrocedermos à Grécia Antiga, foram hetairas, e em outras civilizações Prostitutas Sagradas. Mas por que o sexo e a sensualidade estão presentes na Pombagira? Porque no período em que encarnaram o sinônimo de liberdade e independência imposto pela sociedade às mulheres refletia-se na moral sexual. Por isso, acredito ainda que por mais que se queira dizer que a Pombagira sugira a figura de uma mulher livre, temos na verdade uma mulher presa ao que se espera dentro dos padrões sociais de outrora (e ainda hoje) do que seja liberdade, esta sempre em sentido pejorativo para nós mulheres. Não há liberdade verdadeira para essas mulheres que sempre correspondem às sombras de mulheres frustradas e à ânima mal resolvida de homens que criaram a figura da prostituta e o horror e medo à mulheres presas ao papel sexual ao qual foram empurradas pela sociedade para depois taxá-las de "livres". Eu sou apaixonada por Pombagiras, pela força, conselhos e experiência de vida que trazem ao incorporarem, um misto de glamour, ironia, mágoa, feminilidade e socorro aos corações machucados que recorrem ao seu poder e magia. A Pombagira é aquela mulher, amiga confidente desencarnada que ajuda principalmente a outras mulheres encarnadas a acharem a sua vitalidade, seja ela sexual ou existencial, geralmente mulheres encarnadas feridas no seu amor próprio, na sua auto-imagem, mulheres que em determinado momento de suas vidas deram muito poder a um homem que não as mereceram, mas também mulheres mães que pedem por seus filhos doentes, por seu marido desempregado, por sua família, por si mesmas. As Pombagiras são constantemente confundidas com quiumbas, espíritos atrasados, devido ao seu estilo de vida quando encarnadas, pela alegria inconfundível e boa vida que gostam de usufruir por meio de seus cavalos (médiuns). Confesso que prefiro a alegria delas à seriedade de espíritos bem comportados tidos como os ideias na filosofia kardecista. Várias obras trataram de nossas "moças", outro nome dado às nossas Pombagiras, irmãs na senda evolutiva, que no passado foram em sua maioria mulheres nem sempre felizes no amor mas que viveram pelo sexo (e não para), porque sinônimo de liberdade e de poder para outras a exemplo de cortesãs célebres e heitairas gregas. No futuro talvez as novas Pombagiras sejam professoras, médicas, advogadas, porque hoje a "liberdade" da mulher foi estendida para outros ofícios. A Moça mais famosa no Brasil (e países vizinhos como Argentina) e que comanda as legiões de Pombagiras no astral, é sem dúvida Dona Maria Padilha. Seu nome original é espanhol Maria Del Padilha, de origem incerta, espanhola cigana quem sabe, mas que conquistou em idos do século XIV o coração de um príncipe, causando horror por sua ousadia, magias, etc. É comum o nome de Pombagiras estarem aliadas à magia e ao estilo de vida ciganos ainda que não pertençam a nenhuma etnia cigana. Por isso muitas entidades recebem a alcunha de "Cigana" porque quando encarnadas muito se aproximaram do estilo de vida cigano  e se dedicaram aos aspectos da paranormalidade própria da cultura cigana. Voltando à  figura de Dona Maria Padilha, a obra 'Carmem' de Prosper Merimée, datada do século XIX e que inspirou a ópera famosa de outro francês, George Bizet, faz referência à célebre entidade, quando narra que a cigana Carmem orava e pedia ao espírito da então cigana de Maria del Padilha proteção e ajuda para resolução de problemas. Trata-se da mesma entidade. Logo, tudo indica que Maria Padilha não é lenda mas foi antes de tudo uma realidade.  Assim como Nêmesis, deusa grega da vingança, do equilíbrio cármico e do socorro e vingança  aos corações femininos feridos pelo abandono e escárnio de seus amantes, as Pombagiras são muito evocadas por mulheres que precisam de um apoio emocional e espiritual, em pleno século XXI ainda, pois infelizmente muitas mulheres ainda são tratadas como objetos, usadas e descartadas. Por isso, iniciamos o texto com o lindo ponto acima, onde a mulher já tendo resgatado sua auto-estima, sua força e vitalidade decide por outro caminho. Laroiê. Pombagira, mulher como eu!

Laura Berquó

terça-feira, 15 de outubro de 2019

O ESTATUTO DAS FAMÍLIAS DO SÉCULO XXI E A FALSA ACUSAÇÃO DE LEGALIZAÇÃO DO INCESTO


A menor sou eu, logo foto autorizada.
O Projeto de Lei n.º 3669/2015 de autoria do Deputado Federal Orlando Silva  (PC do B-SP) tem recebido críticas de setores mais conservadores e retrógrados da sociedade, deturpando o referido projeto como se tratasse da legalização do incesto. O referido projeto na verdade consagra princípios como “o Melhor Interesse da Criança”, o “da Afetividade”, o “da Solidariedade”, e sobretudo reconhece outras entidades familiares com base em “relações filiais desbiologizadas”, para usar o termo de Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho. Ainda estende a possibilidade do exercício da paternidade e maternidade para casais homossexuais, sobretudo através da adoção por casais homoafetivos. Na atualidade o crescimento do número das famílias recompostas formam a maternidade e a paternidade socioafetivas em uma realidade que não pode escapar ao Direito. Gera dessas relações consequências de natureza alimentar e previdenciária, além obviamente da construção de laços afetivos que vem corroborar com o verdadeiro sentido de família. O Brasil é um país culturalmente construído sobre paternidades e maternidades socioafetivas se estudarmos o fenômeno da “adoção à brasileira” que apesar de configurar crime contra o estado de filiação é culturalmente tido como uma forma não reprovável se analisarmos os benefícios que foram trazidos para pessoas que se encontravam em condição de vulnerabilidade social e contaram com a solidariedade e amor de casais muitas vezes impossibilitados de gerarem os seus próprios filhos biológicos. Atualmente, obviamente, a realidade no Brasil possibilita que além do processo de adoção as pessoas possam valer do reconhecimento da paternidade e maternidade socioafetivas para reconhecer o vínculo (não-biológico, mas afetivo) nas relações entre padrastos/madrastas e enteados/as, mas também de outras pessoas com grau de parentesco e o/a menor. Ainda o referido projeto tem como mérito respeitar o Princípio do Pluralismo Familiar, lembrando que o rol do art.226 da CF/88 não é taxativo e prestigia o Princípio da Liberdade para a construção e reconhecimento de arranjos familiares.

A grita de que o Projeto de Lei n.º 3669/2015, equivocadamente tirado de pauta em agosto de 2019 na Câmara dos Deputados Federais, estaria por legalizar o incesto entre pais e filhos e etc, é de uma perversão sexual ou ainda de ignorância extremada, ou ainda, uma forma de utilizar o Projeto de “Estatuto das Famílias do Século XXI” para desqualificar iniciativas legislativas de parlamentares de partidos de esquerda no país com a onda ultraconservadora que se revelou após a ascensão de Bolsonaro.

O incesto é Tabu dos mais antigos da humanidade sendo retratado em episódios bíblicos. A gritaria se justifica quando o ser humano não sabe lidar com a própria libido, complexos mal elaborados de Édipo, que atinge tanto pais como filhos. Projeções ocorrem quando reprimimos certos impulsos ou não trabalhamos nossos fantasmas familiares. Gritam falando que o projeto vai legalizar o incesto no Brasil porque essas mesmas pessoas sentem medo de serem seduzidas por relações incestuosas. Da mesma forma que projetam nas crianças em formação o medo de serem seduzidas por elas caso elas venham a ter educação sexual nas escolas, deturpando a verdadeira necessidade e direito que possuem os pequenos de receberem informações adequadas ao seu nível de desenvolvimento sexual assim como os nossos/as adolescentes. A grita contra a suposta erotização das crianças colocando a escola como a principal disseminadora vem tirando sobre si a responsabilidade dos próprios impulsos sendo uma forma de culpabilizar os outros pelo medo inconsciente de se sentirem atraídos por crianças e adolescentes. Necessitam deturpar, por isso, projetos de leis que correspondem aos anseios de novos arranjos familiares que na prática já existem como forma de se defenderem contra si mesmos.

Abaixo o referido projeto de lei:





 



“PROJETO DE LEI Nº ______, DE 2015 (Do Senhor Deputado ORLANDO SILVA)





  Institui o Estatuto das Famílias do Século XXI.



                         O CONGRESSO NACIONAL decreta:



Art. 1º Esta lei institui o Estatuto das Famílias do Século XXI. Parágrafo único. O Estatuto das Famílias do Século XXI prevê princípios mínimos para a atuação do Poder Público em matéria de relações familiares.



Art. 2º São reconhecidas como famílias todas as formas de união entre duas ou mais pessoas que para este fim se constituam e que se baseiem no amor, na socioafetividade, independentemente de consanguinidade, gênero, orientação sexual, nacionalidade, credo ou raça, incluindo seus filhos ou pessoas que assim sejam consideradas. Parágrafo único. O Poder Público proverá reconhecimento formal e garantirá todos os direitos decorrentes da constituição de famílias na forma definida no caput.



Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.









Deputado ORLANDO SILVA



















JUSTIFICATIVA



Apresento o presente Projeto de Lei que prevê a instituição do Estatuto da Família do Século XXI, estabelecendo princípios mínimos para a atuação do Estado em matéria de relações familiares. A complexidade das relações sociais na atualidade e a premente necessidade de se promover uma nova forma de convívio baseada na cultura de paz, na solidariedade e, especialmente, na dignidade da pessoa humana, segundo premissas de igual respeito e consideração, nos compele a afastar toda a iniciativa tendente a desconhecer a heterogeneidade e a diversidade de formas de organização familiar. Há tempos que a família é reconhecida não mais apenas por critérios de consanguinidade, descendência genética ou união entre pessoas de diferentes sexos. As famílias hoje são conformadas através do AMOR, da socioafetividade, critérios verdadeiros para que pessoas se unam e se mantenham enquanto núcleo familiar. Desse modo, ao Estado cabe o reconhecimento formal de qualquer forma digna e amorosa de reunião familiar, independentemente de critérios de gênero, orientação sexual, consanguinidade, religiosidade, raça ou qualquer outro que possa obstruir a legítima vontade de pessoas que queiram constituir-se enquanto família”

























Ver em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1402854&filename=PL+3369/2015