"Sveglia presto per raccogliere la verbena ... " Acorde cedo para colher a verbena, dizeres das Bruxas italianas segundo o folclorista do século XIX, Charles Godofrey Leland que pesquisou várias bruxarias europeias, incluindo o que se permitiu pelas "streghe italiane" "colher" para a escrita do livro "Arádia, o Evangelho das Bruxas". A verbena é a planta sagrada das Bruxas Italianas, porque seu poder mágico encerra um simbolismo e resume o pensamento de autodomínio e autoconhecimento das praticantes da Vecchia Religione. A bruxaria italiana remonta ao Neolítico. Nesse tempo obviamente não existia a figura do Diabo, e portanto não se pode confundir o conhecimento com satanismo. A verbena é uma flor singela que tem 5 pétalas e o simbolismo está justamente no número 5. O 5, segundo Kozminsky "é um número mágico e peculiar usado pelos gregos e romanos como amuleto para proteger o portador de espíritos malignos (...) representa a irritação e a conformação do corpo mortal à disciplina espiritual". O 5 simboliza o próprio ser humano que busca dominar a matéria e triunfar na espiritualidade. No Tarot, o Arcano Maior 5 é representado pelo Sacerdote ou Papa, carta que também simboliza comunicação com o plano espiritual, o Arcano Menor 5 de Paus pode simbolizar rivalidade, e como afirma ainda Kozminsky, o 5 também traz uma energia de "querelas e confusões". Diferente da Estrela de Davi que simboliza o encontro do Microcosmo com o Macrocosmo com suas seis pontas, o 5 do pentagrama é símbolo de saúde para os Pitagóricos, mas sobretudo é apenas o microcosmo que é representado pelo ser humano. Cada extremidade do corpo humano é uma ponta do pentagrama. A Bruxaria Italiana ou Stregheria, como se sabe é hereditária e os conhecimentos que possam levar ao equilíbrio do 5 como ser humano em relação aos 5 elementos (ar, terra, fogo, água e éter), é repassado em sigilo, por meio de oráculos, sonhos ou pessoalmente se não for transmitido por pessoas já falecidas. Os pagãos da península Itálica, acreditavam na necromancia, sendo que no período de 1 de novembro a 6 de janeiro, o portal é aberto entre o mundo dos vivos e dos mortos, tendo na Befana o símbolo de continuidade das gerações. Logo é comum a transmissão do conhecimento de mortos quando não conseguem fazer em vida. Leland em seu livro Bruxaria Cigana, ao narrar sobre a Bruxaria Cigana dos sul-eslovenos, húngaros e novamente sobre Stregharia, demonstra como se dá o caráter hereditário da Bruxaria Italiana. Segundo Leland narra, uma jovem italiana herdou a Bruxaria de uma idosa prestes a morrer que choramingava "Oimé! Muoio ! A chi lasciò", tendo a jovem aceito a "herança" sem saber que se tratava do dom da Bruxaria. O horror que causa a muitos a Bruxaria Italiana está justamente na possibilidade do ser humano submeter elementos e quem sabe Deuses, entidades, espíritos, no que inspirou a "Piedade Popular" católica de "punir" ou Santos por meio de superstições. De qualquer forma somente com o autoconhecimento e autodomínio expresso pelo 5 será capaz de saber utilizar e manipular os 5 elementos. Lembrando que as Bruxas Italianas nunca se assumem, mas são reconhecidas por apontamentos que lhe fazem, mesmo que neguem.
Laura

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