quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O NORDESTE E O NÃO À DOMINAÇÃO CULTURAL

 



Prezados, como Nordeste nesse texto quero me referir ao núcleo inicial que surgiu da colonização a partir de Olinda com Duarte Coelho em 1535. Não que os demais estados nordestinos não façam parte do Nordeste, mas me refiro ao Nordeste que desenvolveu um aspecto próprio de nordestinidade que tem similaridades entre si, como Pernambuco e Paraíba, por exemplo. O Nordeste é uma "invenção" assim como o próprio Brasil. Salvador já nasceu cidade com o fim de ser capital da Colônia, mas Pernambuco e Paraíba são o produto da invenção entre colonizadores e Tabajaras.

Como carioca, tive contato com a xenofobia própria do Sudeste, quando relatei que me mudaria para a Paraíba. Eu tinha 13 anos quando uma professora me disse: "você vai para Paraíba? Logo para Paraíba?" . O Rio é interessante porque já não é capital federal desde 1960 e não é sede da Corte desde a República, mas ainda há um comportamento próprio de se viver de aparência. O carioca vai realmente de chinelo para o Shopping e bermuda, mas ambos são de marca. Digo isso, porque no tempo em que havaiana era chinelo de pobre, se você aparecesse com um par, os olhares de desprezo seriam certeiros. O fato é que todo lugar tem coisas boas e ruins. 

Uma coisa que aprendi de bom na escola no Rio com uma professora de história foi o conceito de dominação cultural. E aplicando aquele conceito conhecido aos 11 anos de idade é impossível não fazer comparações. No Rio há muito uma influência elitista que força aparentar de lastro francês na erudição ou ainda os emergentes que comparam a Barra com Miami. Desconhecendo a história da própria cidade e que os bairros hoje que compõe a tal zona sudoeste já eram zona rural e dados em sesmarias desde o século XVI, sendo Guaratiba um dos mais antigos, a atual Barra da Tijuca antiga sesmaria de Salvador Correia de Sá e Jacarepaguá e adjacências desmembrado de Irajá, portanto a oeste deste. 

No Nordeste como um todo não vemos essa referida dominação cultural. O nordestino inclusive não se seduz com culturas de outras regiões do Brasil. O nordestino gosta de sua nordestinidade, ainda que ela seja uma construção de Senhores de Engenho. Mas há várias referências negras, indígenas, portuguesas e cristãs novas que convivem na mesma região e não cedem a nenhuma campanha xenófoba do resto do país e essa é a chave da permanência da autoestima daqui: um desprezo não intencional ao que pensam ou deixam de pensar e a grandeza de sempre receberem bem novos moradores de todas as partes do Brasil.


Laura Berquó 

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